O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 10

crstam.jpgObediência perfeita (Mt 5:20; 7:24-27)

     Debaixo da Lei era requerida obediência perfeita a Deus (Êx 19:5,6; Gl 3:10). Ao doutor da lei que procurou tentar Cristo, perguntando-lhe, “Mestre, que farei para herdar a vida eterna”, o nosso Senhor reagiu perguntando, “Que está escrito na lei?” E quando o doutor da lei Lhe citou a essência dos Dez Mandamentos, o Senhor respondeu-lhe simplesmente, “faz isso, e viverás” (Lc 10:25-28).

     E na realidade, quando o nosso Senhor proclamou os preceitos do Sermão da Montanha Ele exigiu obediência à Lei à luz da Sua justa interpretação da mesma. Tecnicamente, debaixo da Lei, se um homem não cometesse realmente adultério físico, a Lei  não podia tocá-lo, mas o nosso Senhor, no Seu Sermão, mostrou que diante de Deus o olhar concupiscente é adultério cometido no coração (Mt 5:27,28).

     Durante o reinado do Reino de Cristo, a obediência perfeita a Deus será espontânea quando o Espírito Santo tomar o pleno controlo do Seu povo. Como vimos em Ez 36:27, Deus porá o Seu Espírito dentro deles e fá-los-á andar nos Seus estatutos e eles guardarão … e observarão os Seus “juízos”. Pentecostes testemunhou um bendito antegosto disto quando “todos foram cheios do Espírito Santo” (At 2:4).1

     Contudo, neste “presente século mau”, nós situamo-nos entre o requisito de guardar a Lei para obtenção da aceitação de Deus, e o futuro dia quando Deus fará sobrenaturalmente com que o Seu povo guarde a Lei. É claro que em nenhuma das igrejas fundadas por Paulo foram todos cheios do Espírito Santo. Pelo contrário, a declaração de facto em Atos 2:4 dá lugar à exortação de Ef 5:18. Esta última passagem testifica o facto de que os Efésios não estavam todos cheios do Espírito, pois exorta-os: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”.

     Graça e são os traços característicos da presente dispensação. Não só a salvação é declarada ser “pela graça, … por meio da fé”, mas o Espírito também opera no crente “pela graça, … por meio da fé”. O que Ele providencia pela graça nós podemos apropriar pela fé. Ele habita no seio de cada crente (1 Co 6:19) para providenciar a orientação necessária e a força para resistir à tentação, e nós podemos beneficiar da Sua ajuda em tempo de necessidade.

     Assim lemos que até na nossa incapacidade de orar como devemos, “o Espírito ajuda as nossas fraquezas” e “intercede por nós” (Rm 8:26). Na nossa fraqueza somos “corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior” (Ef 3:16). E Deus até se inclina para vivificar os nossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em nós habita (Rm 8:11).

     “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne” (Ver. 12).

     Certamente que a implicação aqui é que ainda que dolorosamente provados, somos devedores ao Espírito que habita em nós para providenciar poder de superação.

     Obviamente, então, as bênçãos espirituais que são hoje nossas, são maiores que aquelas que os santos do reino gozarão durante o reino Milenar de Cristo, pois neste “presente século mau” até a graça, não o pecado, reina (Rm 5:21).

     Deus não diz – não pode dizer – de nós: “todos foram cheios do Espírito Santo”, mas estabelece perante nós o glorioso objetivo: “enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). E quando procuramos, pela fé, realizar este objetivo, bênçãos ricas, profundas são já nossas, para não falar das recompensas vindouras. Que desafio para a fé!

     Não foi nenhuma vitória particular para os crentes Pentecostais serem cheios do Espírito Santo, pois o Espírito simplesmente tomou o controlo deles quando se cumpriu “o dia de Pentecostes”. Porém, grandes vitórias espirituais são nossas quando nós, por meio do Espírito, mortificamos as obras da carne a fim de que os nossos corpos possam na realidade ser os templos de Deus. Que Deus nos conceda muitas destas vitórias ao tomarmos a peito a Sua Palavra! “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus” (Ef 4:30). “Andai em Espírito” (Gl 5:16). “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).

______________________
1 Os termos “batizados com o Espírito Santo” (At 1:5), e “cheios do Espírito Santo” (At 2:4) indicam o controlo completo do Espírito sobre eles.

— Cornelius R. Stam

(Continua)

O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (II) - Introdução 1 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (III) - Introdução 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VIII) - A LEI DE MOISÉS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IX) - A LEI DE MOISÉS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (X) - A LEI DE MOISÉS 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XI) - A LEI E OS PROFETAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIV) - AS BEATITUDES 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XV) - AS BEATITUDES 3 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - AS BEATITUDES 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVIII) - AS BEATITUDES 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - AS BEATITUDES 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XX) - AS BEATITUDES 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXI) - AS BEATITUDES 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIII) - AS BEATITUDES 11
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIV) - AS BEATITUDES 12
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXV) - AS BEATITUDES 13
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - AS SUAS FINANÇAS 1 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVII) - AS SUAS FINANÇAS 2 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - AS SUAS FINANÇAS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIX) - UMA ORAÇÃO MODELO 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXX) - UMA ORAÇÃO MODELO 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXI) - UMA ORAÇÃO MODELO 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXII) - UMA ORAÇÃO MODELO 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIII) - UMA ORAÇÃO MODELO 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIV) - UMA ORAÇÃO MODELO 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXV) - UMA ORAÇÃO MODELO 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVI) - UMA ORAÇÃO MODELO 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVII) - UMA ORAÇÃO MODELO 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVIII) - Condiderações finais 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIX) - Considerações finais 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XL) - Considerações finais 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLI) - Considerações finais 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLII) - Considerações finais 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIII) - Considerações finais 6 
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