O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - As suas finanças 3
No âmbito do programa do reino era pecado ser rico, pois todos tinham de vender os seus pertences e depositar os seus bens numa tesouraria comum que era repartida "por cada um, segundo a necessidade que cada um tinha". Quando Ananias e Safira tentaram aderir a este programa por meio do engano, retendo secretamente parte do preço de uma venda, eles foram golpeados com a morte (Atos 5:1-11). Esta foi a implementação do aviso com que o Sermão da Montanha termina.
De facto, quando o nosso Senhor na Terra disse ao jovem rico, "vende tudo o que tens e dá-o aos pobres", o príncipe "retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades" (Mt 19:21,22). E quando o nosso Senhor declarou, além disso, que os ricos dificilmente entrariam "no reino dos céus", Ele não quis dizer que não entrariam no reino, mas que ser-lhes-ia difícil entrar, pois isso significaria o abrir mão das suas possessões terrenas.
Porém, sob "a dispensação da graça de Deus" não é pecado ser rico, se tais riquezas forem ganhas de forma justa e honesta, ou talvez herdadas, e forem usados para a glória de Deus. O Senhor ascendido, tem uma palavra especial, por meio de Paulo, para os membros do Corpo de Cristo que são ricos, e também para aqueles que têm os seus corações colocados nas riquezas.
“Os que querem ser ricos”, diz ele, “caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (I Tm 9:6). E a respeito dos que são ricos ele instrui Timóteo:
“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos;
“Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis1;
“Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna” (1 Tm 6:17-19).
Citamos aqui uma passagem do comentário do autor sobre 1 Timóteo2:
Assim, tão certo como Paulo advertiu tanto o pastor como as pessoas a não quererem "ser ricos", tão certo como os avisou dos perigos do "amor ao dinheiro", ainda havia a questão dos que "são ricos", pois alguns sem dúvida nasceram com grandes fortunas familiares. Ele não os exortou a vender os seus pertences e a distribuí-los para o bem comum. Pelo contrário, ele instruiu Timóteo a exortá-los, na verdade, a "mandar" que eles verificassem a sua atitude nas suas circunstâncias particulares. E quão sensatas e adequadas são as suas instruções:
1. Que eles não fossem “altivos”. A tentação para esta atitude entre os ricos é muito grande, mas não é compatível com a "piedade". Na realidade, há boas razões para os ricos resistirem à altivez, como a próxima frase indica:
2. Que eles não pusessem “a esperança na incerteza das riquezas". Quantas pessoas ricas têm aprendido por triste experiência a verdade de Pr 23:5: "… porque certamente isso [riquezas] se fará asas e voará ao céu como a águia". De facto, muitos crentes ricos e autoindulgentes foram disciplinados por Deus, para seu bem, ao ficarem praticamente despidos.
3. Que eles confiassem “em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos”. O termo "Deus", aqui, mostra que as riquezas se podem tornar num ídolo, num deus morto, que, em tempos da mais profunda angústia, não pode nem ouvir, nem ajudar. Quanto melhor, então, curvar em adoração diante de "Deus", e reconhecê-Lo como Aquele que "nos dá todas as coisas para delas gozarmos”, tendo consciência de que nós somos simplesmente Seus mordomos, Seus administradores. Se isso for feito com sinceridade o resto seguir-se-á naturalmente.
4. "Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis" (Ver. 18). Nota: "Que façam bem", não apenas "sejam bons". Um crente rico pode ser piedoso na sua conduta, mas pode ser um verdadeiro avarento, agarrando-se tenazmente àquilo que Deus lhe confiou. Daí Paulo mandar “aos ricos", que sejam contribuintes generosos, inclinados a comunicar [dar] alegremente com os [aos] outros. Este é o sentido da última parte de Ver. 18 e, é claro, esta inclinação alegre de dar aos outros aplica-se com mais importância ao dar aos outros as riquezas da graça de Deus, participando no custo de fazer a bendita mensagem amplamente conhecida.
Graças a Deus pelos homens e mulheres com meios que têm usado a sua riqueza para a Sua glória, investindo generosamente na causa de Cristo. Tais investimentos por parte dos filhos de Deus compreendem uma espécie de "ninho de ovos espiritual" para “o futuro" (Ver. 19), pois Deus não se esquecerá da sua fidelidade à Sua causa, quando o tempo de recompensas chegar. E, de facto, esta é uma importante forma de o rico poder "alcançar a vida eterna" (Ver. 19), colocando na vida cristã, o que seria rendimento para si.
Tem sido bem dito: "Não podes levá-lo contigo, mas podes enviá-lo adiantadamente". É exatamente isto que I Tim. 6:19 ensina.
Como tudo isto condena a pregação do evangelho social, e certamente a propagação do comunismo. Aqueles que pregam estas coisas e as baseiam no Sermão da Montanha estão a viver na dispensação errada.
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1 O sentido é o de um contribuinte generoso.
2 Com algumas pequenas alterações.
— Cornelius R. Stam
(Continua)
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (II) - Introdução 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (III) - Introdução 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VIII) - A LEI DE MOISÉS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IX) - A LEI DE MOISÉS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (X) - A LEI DE MOISÉS 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XI) - A LEI E OS PROFETAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIV) - AS BEATITUDES 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XV) - AS BEATITUDES 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - AS BEATITUDES 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVIII) - AS BEATITUDES 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - AS BEATITUDES 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XX) - AS BEATITUDES 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXI) - AS BEATITUDES 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIII) - AS BEATITUDES 11
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIV) - AS BEATITUDES 12
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXV) - AS BEATITUDES 13
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - AS SUAS FINANÇAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVII) - AS SUAS FINANÇAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - AS SUAS FINANÇAS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIX) - UMA ORAÇÃO MODELO 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXX) - UMA ORAÇÃO MODELO 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXI) - UMA ORAÇÃO MODELO 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXII) - UMA ORAÇÃO MODELO 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIII) - UMA ORAÇÃO MODELO 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIV) - UMA ORAÇÃO MODELO 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXV) - UMA ORAÇÃO MODELO 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVI) - UMA ORAÇÃO MODELO 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVII) - UMA ORAÇÃO MODELO 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVIII) - Condiderações finais 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIX) - Considerações finais 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XL) - Considerações finais 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLI) - Considerações finais 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLII) - Considerações finais 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIII) - Considerações finais 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIV) - Considerações finais 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLV) - Considerações finais 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVI) - Considerações finais 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 11



