O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - As Beatitudes 7
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Ver. 6).
Não se deve supor que o Senhor Jesus fala aqui de justiça imputada, pois o grande tema da Epístola de Paulo aos Romanos não era, claramente, o tema da mensagem do nosso Senhor a estes discípulos Judeus.
Temos de, uma vez mais, colocarmo-nos na posição dos ouvintes do nosso Senhor se quisermos ter uma clara compreensão da Sua mensagem dirigida a eles. Sob o calcanhar brutal de Roma, o povo de Israel teve de suportar muita injustiça. Na realidade eles também sofreram muita injustiça dos seus próprios líderes religiosos (Mt 23:1-4), e observavam diariamente os seus procedimentos injustos (Vrs. 5-7). Portanto, havia, naturalmente, muitos cujos corações tinham fome e sede de justiça, e nesta bem-aventurança nós temos a promessa do nosso Senhor de que no Seu reino tal fome e sede de justiça serão plenamente satisfeitas.
As Escrituras do Velho Testamento confirmam uma vez mais esta interpretação da passagem,1 pois Jer 23:5 declara que o nosso Senhor, no Seu reino vindouro, “praticará o juízo e a justiça na terra”, e Isa 11:4 assegura-nos que “com equidade reprovará, em defesa dos mansos da terra” (Tradução Brasileira). Ele julgará a seu favor. Mais uma vez, Isa 32:1 declara que sob o Seu reino “dominarão os príncipes segundo o juízo” e Isa 26:9 que “os moradores do mundo aprendem justiça”. Na realidade, a profecia do Velho Testamento está repleta de promessas e descrições da justiça que prevalecerá na terra nesse tempo. E assim, aqueles que “têm fome e sede de justiça serão fartos”.
Mas nas epístolas de Paulo o nosso Senhor glorificado vai direto ao cerne do assunto, explicando que o caso do homem é impossível de se resolver fora da graça redentora. “… a Escritura”, diz ele, “encerrou tudo debaixo do pecado …” (Gl 3:22), uma vez que “Não há um justo, nem um sequer” (Rm 3:10). De facto ele explica que a Lei foi dada com o propósito expresso de demonstrar a injustiça do homem, pois por ela “todo o mundo” tem sido “condenável diante de Deus” (Rm. 3:19). Daí a necessidade urgente de justificação do homem diante de Deus antes que ele mesmo comece a preocupar-se com a “justiça social”.
Graças a Deus esta necessidade foi gloriosamente suprida pela Sua graça, e tendo por base o sangue derramado do Calvário, pois ao introduzir a presente “dispensação da graça de Deus”, o Apóstolo exclama:
“MAS AGORA se manifestou sem a lei a justiça de Deus … Isto é, a justiça de Deus pela fé em2 Jesus Cristo … Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus … Para demonstração da Sua [de Cristo] justiça neste tempo presente, PARA QUE ELE [DEUS] SEJA JUSTO E JUSTIFICADOR DAQUELE QUE TEM FÉ EM JESUS” (Rm 3:21-26).
Bem-aventurados são, na realidade, os que têm fome e sede desta justiça!
Aleluia! A redenção efetuada por Cristo no Calvário tornou justo Deus justificar pecadores que creem! Assim Paulo, ao escrever aos crentes Filipenses, expressa o que J. Sidlow Baxter chamou de o anelo de um “coração intoxicado de Cristo”:
“E seja achado n’Ele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em3 Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fl 3:9).
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1 Um maior conhecimento das Escrituras do Velho Testamento facilita muito a compreensão das Bem-aventuranças, ou Beatitudes, e de todo o Sermão da Montanha. Na realidade, é esta a chave da sua compreensão.
2 Nota: “a fé de”, não “fé em”, pois ele fala subjetivamente do facto de que Cristo, tendo pago a nossa dívida no Calvário, manterá a fé relativamente a todos os que confiam n’Ele para a salvação.
3 Novamente subjetiva. Ver atrás, e a brochura do Autor, A fé de Cristo.
— Cornelius R. Stam
(Continua)
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (II) - Introdução 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (III) - Introdução 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VIII) - A LEI DE MOISÉS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IX) - A LEI DE MOISÉS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (X) - A LEI DE MOISÉS 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XI) - A LEI E OS PROFETAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIV) - AS BEATITUDES 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XV) - AS BEATITUDES 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - AS BEATITUDES 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVIII) - AS BEATITUDES 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - AS BEATITUDES 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XX) - AS BEATITUDES 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXI) - AS BEATITUDES 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIII) - AS BEATITUDES 11
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIV) - AS BEATITUDES 12
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXV) - AS BEATITUDES 13
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - AS SUAS FINANÇAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVII) - AS SUAS FINANÇAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - AS SUAS FINANÇAS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIX) - UMA ORAÇÃO MODELO 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXX) - UMA ORAÇÃO MODELO 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXI) - UMA ORAÇÃO MODELO 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXII) - UMA ORAÇÃO MODELO 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIII) - UMA ORAÇÃO MODELO 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIV) - UMA ORAÇÃO MODELO 6
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O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVI) - UMA ORAÇÃO MODELO 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVII) - UMA ORAÇÃO MODELO 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVIII) - Condiderações finais 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIX) - Considerações finais 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XL) - Considerações finais 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLI) - Considerações finais 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLII) - Considerações finais 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIII) - Considerações finais 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIV) - Considerações finais 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLV) - Considerações finais 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVI) - Considerações finais 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 11



