O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - As Beatitudes 5
"Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados" (Ver. 4).
Esta promessa é particularmente significativa à luz das profecias do Antigo Testamento e de Pentecostes, pois este chorar tem uma relação especial com últimos dias de Israel. Isso é evidente quando consideramos a essência do ministério e mensagem de João Batista, do nosso Senhor na Terra e dos doze apóstolos. Como temos visto, todos eles instaram a apóstata nação de Israel a "arrepender-se" em vista do facto de que o reino dos céus estava próximo.
Em vez de arrepender-se, no entanto, Israel crucificou o seu Messias, mas em resposta à oração de nosso Senhor na cruz para que lhes perdoasse (Lucas 23:34), Deus deu graciosamente à nação outra oportunidade quando no dia de Pentecostes Pedro ofereceu-lhes o retorno de Cristo se eles ainda se arrependessem (Atos 2:38; 3:19-21). Mas, uma vez mais, em vez de se arrependerem eles confirmaram a sua terrível ação, apedrejando mesmo Estêvão até à morte e movendo uma guerra aos discípulos de Cristo.
E agora, será possível que a nação de Israel seja salva sem se arrepender dos seus pecados e da sua responsabilidade nacional pela crucificação de Cristo? As próprias Escrituras hebraicas dão a resposta. Considerem-nas cuidadosamente todos os que questionam como é que a nação de Israel será finalmente salva. Referindo-se ao cerco de Jerusalém nos últimos dias e do subsequente retorno de Cristo, Zacarias diz:
“E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; E OLHARÃO PARA MIM, A QUEM TRASPASSARAM; E O PRANTEARÃO COMO QUEM PRANTEIA POR UM UNIGÉNITO; E CHORARÃO AMARGAMENTE POR ELE, COMO SE CHORA AMARGAMENTE PELO PRIMOGÉNITO.
“NAQUELE DIA SERÁ GRANDE O PRANTO EM JERUSALÉM …
“E A TERRA PRANTEARÁ, CADA LINHAGEM À PARTE …
“… E SUAS MULHERES À PARTE …” (Zac. 12:10-14).
Que cenário! Naquele dia Israel responderá finalmente à chamada de Deus para se arrepender e voltar-se para Cristo, e os amigos e vizinhos, até mesmo maridos e esposas, ficarão envergonhados a olhar uns para os outros chorando o seu longo tempo de rejeição do seu Messias.
Isto concorda com as palavras de nosso Senhor em Mateus. 24:30:
"... e todas as tribos da terra1 se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória"
Também concorda com Apocalipse 1:7:
"Eis que vem com as nuvens e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra [da Palestina] se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém.”
Há muitas outras passagens do Antigo Testamento, ao longo desta linha, que indicam que a nação de Israel não será salva enquanto não se volver em arrependimento para o seu há muito crucificado e rejeitado Messias. Será então que a nação de Israel "pranteará". Então, e só então, não antes, é que se cumprirão as profecias que dizem:
“Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi, e para os habitantes de Jerusalém, contra o pecado, e contra a impureza” (Zac. 13:1).
“Assim voltarão os resgatados do Senhor, e virão a Sião com júbilo, e perpétua alegria haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcançarão, a tristeza e o gemido fugirão.
“Eu, Eu sou aquele que vos consola …”
“Consolai, consolai o Meu povo, diz o vosso Deus.
“Falai benignamente a Jerusalém, e bradai-lhe que já a sua malícia é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados” (Isaías 40:1,2).
A ordem histórica, ou dispensacional, dos eventos discutidos acima, é claramente evidente numa breve passagem em Isa. 61:1-3:
“O Espírito do Senhor Jeová está sobre Mim;2 porque o Senhor Me ungiu, para pregar boas novas aos mansos: enviou-Me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;
“A apregoar [1] o ano aceitável do Senhor e [2] o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;
“A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê ornamento por cinza, óleo de gozo por tristeza, vestido de louvor por espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado”.
Destas e de outras profecias do Antigo Testamento, aprendemos o significado da promessa de nosso Senhor nas bem-aventuranças, "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.
Mas é assim que os homens são salvos hoje? De maneira nenhuma, pois quando Deus interrompeu o programa profético introduzindo a dispensação da graça, Ele enviou Paulo para anunciar a todos os homens que Deus havia entronizado a graça (Rm 5:20,21), confiando-lhe "o Evangelho", a boa notícia "da graça de Deus" (Atos 20:24). Ao contrário de Pedro no dia de Pentecostes, Paulo não acusa os homens da crucificação de Cristo. Ele não diz: "Vós O crucificastes." Pelo contrário, ele diz:
"[Deus] O fez pecado por nós; para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus " (II Coríntios. 5:21).
Em Rom. 5:10 ele faz a admirável declaração de que “nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de SEU Filho”.
Enquanto, de acordo com o programa profético, a cruz fez a inimizade entre Deus e o homem (Sl 2:1-5; 110:1), Paulo declara que de acordo com o segredo e propósito eterno de Deus, a inimizade foi morta pela cruz, ou seja, Ele contou aquela morte como o pagamento pelos nossos pecados, de tal modo que Ele pôde "evangelizar [ou, pregar] a paz" a nós Gentios, que estavam "longe e paz também aos [Judeus] que estavam perto" (Ef 2:16,17).
Assim, na mensagem de Paulo, o nosso Senhor não é mais visto no Calvário como uma vítima, mesmo uma vítima voluntária, mas como o Grande Vencedor sobre Satanás, o pecado, a morte e a Lei. Foi Ele que fez uma exposição pública de Satanás e de todas as suas hostes no Calvário, triunfando “em Si mesmo” [isto é, na cruz3]" (Col. 2:15), simultaneamente removendo a Lei que era contra nós, "cravando-a na cruz" (Ver. 14). Foi Ele que, na cruz, pagou o preço justo pelos nossos pecados e nos libertou do medo da morte (Hebreus 2:14). Onde é que, no Sermão da Montanha, nós encontramos algo assim?
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1 A palavra Grega ge é usada tanto para a Terra como terra [da Palestina]. Associada como está aqui com Israel e com as "tribos", cremos que o termo "terra da Palestina" é o entendimento correto.
2 Isto é, Cristo (Lucas 4:18).
3 “… triunfando deles na cruz” (Versão Revista e Atualizada).
— Cornelius R. Stam
(Continua)
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (II) - Introdução 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (III) - Introdução 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VIII) - A LEI DE MOISÉS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IX) - A LEI DE MOISÉS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (X) - A LEI DE MOISÉS 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XI) - A LEI E OS PROFETAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIV) - AS BEATITUDES 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XV) - AS BEATITUDES 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - AS BEATITUDES 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVIII) - AS BEATITUDES 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - AS BEATITUDES 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XX) - AS BEATITUDES 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXI) - AS BEATITUDES 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIII) - AS BEATITUDES 11
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIV) - AS BEATITUDES 12
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXV) - AS BEATITUDES 13
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - AS SUAS FINANÇAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVII) - AS SUAS FINANÇAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - AS SUAS FINANÇAS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIX) - UMA ORAÇÃO MODELO 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXX) - UMA ORAÇÃO MODELO 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXI) - UMA ORAÇÃO MODELO 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXII) - UMA ORAÇÃO MODELO 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIII) - UMA ORAÇÃO MODELO 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIV) - UMA ORAÇÃO MODELO 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXV) - UMA ORAÇÃO MODELO 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVI) - UMA ORAÇÃO MODELO 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVII) - UMA ORAÇÃO MODELO 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVIII) - Condiderações finais 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIX) - Considerações finais 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XL) - Considerações finais 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLI) - Considerações finais 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLII) - Considerações finais 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIII) - Considerações finais 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIV) - Considerações finais 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLV) - Considerações finais 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVI) - Considerações finais 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 11



