O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - As suas finanças 1
CAPÍTULO V
O SERMÃO DA MONTANHA E AS SUAS FINANÇAS
"TUDO EM COMUM"
Aqueles que hoje proclamam o Sermão da Montanha certamente que não obedecem aos seus preceitos no que às finanças diz respeito. E estes preceitos estão claramente definidos.
"Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes" (Mt 5:42).
"... Não andeis cuidadosos1 quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido?
“Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?" (Mt 6:25,26).
Eis aqui onde tantos afirmam que o nosso Senhor não poderia ter querido dizer exatamente o que disse, mas estava antes a falar em termos gerais ou comparativos. Mas isso é uma tentativa de diluir os ensinamentos claros do nosso Senhor. De facto, numa passagem paralela em Lucas Ele foi ainda mais longe, ao encerrar os Seus comentários sobre o assunto, dizendo:
“Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
“Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.
“Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói” (Lc 12:31-33).
Mas o que é que os teólogos têm feito com esta passagem clara das Escrituras? Eles alteraram o seu significado completamente. O Ver. 31 é apresentado, de uma forma vaga, para ensinar que devemos buscar as coisas de Deus. O Ver. 32 é apresentado, ainda mais vagamente, para ensinar que embora um "pequeno rebanho" não precisamos de temer, pois Deus dar-nos-á a vitória. E quanto ao Ver. 33, raramente, de facto, o mencionam sequer. Que distorção da verdade!
Não há nenhuma necessidade de entender mal as palavras do nosso Senhor, nem se justifica, de alguma forma, a deturpação popular das mesmas, pois o seu significado é claro: 1. Buscai o reino. 2. É um prazer o vosso Pai dar-vos o reino. 3. Vendei o que tendes, e dai esmolas. Que autoridade têm os ensinadores populares de alterar os Vers. 31 e 32 e de ignorar totalmente o Ver. 33?
Como é que, então, os discípulos buscariam primeiro “o reino", e teriam a certeza de que, assim, "todas estas coisas" ser-lhes-iam "acrescentadas"? Simplesmente dando ouvidos às Suas palavras e obedecendo aos princípios e mandamentos relativos ao estabelecimento do reino.
E o que é que o nosso Senhor quis dizer quando disse que era do agrado do Pai dar-lhes o reino? Certamente que isso não deveria ser difícil de determinar, à luz das Suas palavras em Mateus 21:43, onde Ele diz aos governantes que O rejeitaram:
“Portanto Eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos”.
Notemos bem que Ele não disse que o Evangelho seria enviado aos Gentios, como esta passagem é geralmente interpretada quanto ao seu significado, mas que o reino seria dado a uma "nação que dê os seus frutos", isto é, uma nação que dê os frutos do reino (como explica o Sermão da Montanha).
O reino, a autoridade, então, seria "tirado" aos então governantes de Israel e "dado" ao "pequeno rebanho" de Seus seguidores.
Assim, foi de facto do agrado do Pai "dar" o reino aos discípulos do nosso Senhor. Na realidade, Ele já havia designado doze homens para serem os principais governantes com Ele no seu governo:
“E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que Me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da Sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos d’Israel” (Mt 19:28).
À luz destes factos, leiamos exatamente como eles são apresentados, como Lucas 12:33 segue-se naturalmente aos Versículos 31 e 32! 1. Buscai o reino. 2. É um prazer o vosso Pai dar-vos o reino. 3. Vendei o que tendes, e dai esmolas.
E, como vimos, quando estes discípulos foram "batizados" e "cheios" com o Espírito Santo levaram a cabo estas últimas instruções, vendendo as suas propriedades e bens e repartindo-os com todos conforme a necessidade de cada um (At 2:45). “… Ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns" (At 4:32).
Que modo de viver! E foi assim como eles viveram, tendo o retorno de Cristo e o estabelecimento do Seu reino em vista. Na realidade, esta é a forma como toda a nação de Israel teria vivido, se tivessem respondido em arrependimento e fé à oferta do retorno de Cristo e aos “tempos do refrigério" que Pedro lhes fez (At 3:19,20).
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1 Ou, “preocupados”.
— Cornelius R. Stam
(Continua)
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (II) - Introdução 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (III) - Introdução 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VIII) - A LEI DE MOISÉS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IX) - A LEI DE MOISÉS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (X) - A LEI DE MOISÉS 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XI) - A LEI E OS PROFETAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIV) - AS BEATITUDES 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XV) - AS BEATITUDES 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - AS BEATITUDES 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVIII) - AS BEATITUDES 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - AS BEATITUDES 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XX) - AS BEATITUDES 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXI) - AS BEATITUDES 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIII) - AS BEATITUDES 11
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIV) - AS BEATITUDES 12
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXV) - AS BEATITUDES 13
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - AS SUAS FINANÇAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVII) - AS SUAS FINANÇAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - AS SUAS FINANÇAS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIX) - UMA ORAÇÃO MODELO 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXX) - UMA ORAÇÃO MODELO 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXI) - UMA ORAÇÃO MODELO 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXII) - UMA ORAÇÃO MODELO 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIII) - UMA ORAÇÃO MODELO 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIV) - UMA ORAÇÃO MODELO 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXV) - UMA ORAÇÃO MODELO 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVI) - UMA ORAÇÃO MODELO 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVII) - UMA ORAÇÃO MODELO 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVIII) - Condiderações finais 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIX) - Considerações finais 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XL) - Considerações finais 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLI) - Considerações finais 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLII) - Considerações finais 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIII) - Considerações finais 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIV) - Considerações finais 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLV) - Considerações finais 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVI) - Considerações finais 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 11



