O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1

crstam.jpg  CAPÍTULO II

O SERMÃO DA MONTANHA e a LEI DE MOISÉS

     Para entender o Sermão da Montanha, devemos ter em mente que o nosso Senhor, quando estava na Terra, sujeitou-Se, e ensinou os Seus discípulos a sujeitarem-se, à Lei de Moisés. Em Mat. 23:2,3 encontramo-Lo a dizer:

     "... Na cadeira 1 de Moisés, estão assentados os escribas e fariseus.

     “Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem ...."     É uma triste realidade dos nossos tempos que muitas pessoas hoje não estejam interessadas na Bíblia, em grande parte porque muito poucos Cristãos estão interessados o suficiente em estudá-la profundamente. No entanto, quando bem manejada, descobrimos que as Escrituras são mais relevantes do que nunca para as nossas circunstâncias e as nossas necessidades.

     Um dos resultados desta falta de interesse é que geralmente não é compreendido que o Senhor Jesus proclamou uma mensagem quando estava na Terra e outra bastante diferente depois da Sua rejeição aqui e da Sua ascensão ao Céu.

     Enquanto na Terra Ele proclamou o que é chamado de "o Evangelho do reino" (Mat. 4:23; e outras passagens). Este reino seria - e será - estabelecido na terra e produzirá um modo de vida que trará paz e prosperidade e bênção a toda a humanidade. O Nosso Senhor enunciou os princípios deste reino no Seu Sermão da Montanha.

 A LEI EXPANDIDA E TORNADA MAIS VINCULATIVA

    
Os escribas e Fariseus tinham acrescentado muitos pontos e instruções detalhadas à Lei de Moisés, tornando-a ainda mais difícil de cumprir. No entanto, eles ocupavam o lugar de Moisés como líderes de Israel, e eles deviam ser obedecidos. Isto indica claramente que o concerto da Lei (Êxodo 19:5,6) ainda não tinha sido abolido. De facto, os princípios do reino encontrados no Sermão da Montanha transcendem os da Lei de Moisés e até mesmo as regras e regulamentos adicionais adicionados pelos escribas e Fariseus. Deste modo, o nosso Senhor disse:

     "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus." (Mateus 5:20).

     Encontramos repetidas vezes no Sermão da Montanha palavras como as seguintes: "Ouvistes que foi dito aos antigos:... Eu, porém, vos digo...." Por exemplo, em Mat. 5:21,22, lemos:

     “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.

     “Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo …”.

     E de novo nos Vers. 27, 28:

     “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.

     “Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela”.

     E assim por diante, em caso após caso, o nosso Senhor cita a Lei de Moisés, ou os ensinamentos gerais sobre a Lei e, depois, define um padrão ainda mais elevado, julgando os próprios motivos do coração.

     Claramente, então, "a plenitude dos tempos", referida por Paulo em Gál. 3:13 e 4:4,5, ainda não havia chegado, pois em vez de remir os Seus ouvintes do que Paulo chama de "a maldição da lei", o nosso Senhor tornou os Seus preceitos e proibições ainda mais penetrantes e vinculativos. E isso por uma razão muito boa. Visava impressionar ainda mais os homens sobre a sua condição depravada e a impossibilidade de poderem prestar perfeita obediência a Deus - consequentemente a sua profunda necessidade de um Salvador. Tal como acontece com a Lei, o Sermão da Montanha ensinou a sua maior lição historicamente. Demonstrou que o homem precisa de Cristo, primeiramente não como Rei para reinar sobre ele e mostrar-lhe um modo de vida feliz, mas como Salvador para pagar a pena dos seus pecados e libertá-lo do juízo vindouro.

     Nós cedemos sem reservas aos pregadores do "evangelho social", que o Sermão da Montanha ensina bom governo, boas relações humanas, e boa conduta em geral, porém não trata da absoluta impossibilidade do homem decaído alcançar esse objetivo2, sendo a natureza humana o que é. O tempo para isso ainda não havia chegado.

     Mas será que a natureza humana alguma vez mudará? Será que tais relações felizes, conforme é descrito no Sermão da Montanha acontecerão realmente alguma vez? Sim, ocorrerão, quando Cristo voltar à Terra para reinar.

____________________
1 Ou seja, ocupam a posição de Moisés. A palavra cadeira, aqui, é kathedra, significando cátedra, ou cadeira de autoridade.
2
Nem, geralmente, os pregadores do “Evangelho social”. 

— Cornelius R. Stam

(Continua)

O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (II) - Introdução 1 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (III) - Introdução 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VIII) - A LEI DE MOISÉS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IX) - A LEI DE MOISÉS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (X) - A LEI DE MOISÉS 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XI) - A LEI E OS PROFETAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIV) - AS BEATITUDES 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XV) - AS BEATITUDES 3 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - AS BEATITUDES 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVIII) - AS BEATITUDES 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - AS BEATITUDES 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XX) - AS BEATITUDES 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXI) - AS BEATITUDES 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIII) - AS BEATITUDES 11
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIV) - AS BEATITUDES 12
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXV) - AS BEATITUDES 13
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - AS SUAS FINANÇAS 1 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVII) - AS SUAS FINANÇAS 2 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - AS SUAS FINANÇAS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIX) - UMA ORAÇÃO MODELO 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXX) - UMA ORAÇÃO MODELO 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXI) - UMA ORAÇÃO MODELO 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXII) - UMA ORAÇÃO MODELO 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIII) - UMA ORAÇÃO MODELO 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIV) - UMA ORAÇÃO MODELO 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXV) - UMA ORAÇÃO MODELO 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVI) - UMA ORAÇÃO MODELO 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVII) - UMA ORAÇÃO MODELO 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVIII) - Condiderações finais 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIX) - Considerações finais 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XL) - Considerações finais 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLI) - Considerações finais 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLII) - Considerações finais 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIII) - Considerações finais 6 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIV) - Considerações finais 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLV) - Considerações finais 8 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVI) - Considerações finais 9 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLVII) - Considerações finais 11

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