Jesus manejando bem a profecia
No início do Seu ministério a Israel Jesus ensinou uma mensagem reveladora na sua cidade de Nazaré.
Lucas 4:17-19 explica como Ele leu Isaías 61:1-2:
"O Espírito do Senhor Jeová está sobre Mim; porque o Senhor Me ungiu, para pregar boas novas aos mansos: enviou-Me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor, …” - Isaías 61:1-2.
E interrompeu a leitura ali. Ele parou no meio da frase. Não se tratou de uma pausa dramática ou pausa de pregador; Lucas 4:20 diz que foi o fim da mesma.
"E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-Se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos n’Ele "- Lucas 4:20.
Ele deixou que a Palavra de Deus falasse por si. Não houve sequer qualquer comentário ou explicação! Ele leu o livro. Parou numa “vírgula”. Fechou o livro. Sentou-se.
Enquanto as pessoas observavam esta ocorrência estranha, Jesus, sentou-se, e disse:
“Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.” – Lucas 4:21.
Que declaração! Isaías 61 era a profecia sobre o ungido de Deus pregando o Evangelho do reino a Israel, e Jesus estava a dizer que Ele próprio era o Profetizado.
O que Jesus não leu
O que Jesus disse naquele dia foi importante sobre a descrição dos tempos em que Ele ministrava, mas ele fechou o livro antes de terminar a frase em Isaías.
A razão de Jesus ter parado de ler Isaías, de repente, não deve ser ignorada.
Tão importante quanto o que Ele leu antes de Se sentar, foi o que ele propositadamente não leu antes de o fazer.
A frase em Isaías 61:2 continua:
“… e o dia da vingança do nosso Deus …” – Isaías 61:2.
Jesus não disse que isto se cumpriu naquele dia.
Além disso, Isaías 61 diz que Israel iria edificar "os lugares antigamente assolados”, restaurar “os de antes destruídos, e renovar as cidades assoladas”, e "comer a abundância das nações" (Isaías 61:4-6).
Certamente, que isso não estava a ser cumprido naquele dia. Embora Jesus tive sse proferido mais tarde avisos, no Seu ministério, sobre a vingança de Deus, esta não foi derramada sobre Israel durante o Seu ministério.
Israel também não se envolveu na reconstrução das antigas ruínas. Até hoje eles ainda não reconstruíram os seus lugares antigos.
Os Gentios não estavam a dar a Israel as suas riquezas, mas pelo contrário Jesus ministrou a uma nação de Israel regida por Roma, onde o povo de Deus pagava tributo aos seus inimigos.
Jesus fechou claramente o livro numa “vírgula” exatamente onde a profecia seria cumprida naquele dia, manejando-a eximiamente ao dividi-la bem das profecias ainda futuras.
O Senhor manejou bem Isaías, dividindo o que estava a ser cumprido do que não estava a ser cumprido.
Manejando bem a profecia
A falha de se não ver a lição que Jesus ensinou sobre o manejar bem a profecia tem levado muitos estudiosos da Bíblia a interpretar mal o ministério do Senhor para com Israel.
Estaria toda a profecia a ser cumprida? Israel estaria a ser substituída? Estariam as suas expectativas - de um Messias conquistador que traria vingança - a ser um grande mal-entendido das suas Escrituras?
Não, não e não.
O mais plausível, como Jesus ensinou na sinagoga da Sua cidade natal, é que ainda não estava na hora da vingança ser cumprida.
Embora Ele pregasse que o reino estava próximo, Ele não estava a lutar ou a levantar fundos para reconstruir o reino de Israel naquele tempo.
Os doze apóstolos sabiam disso, e portanto depois de Jesus ter ressuscitado, Isaías 61:4 ainda não se tinha cumprido:
"Aqueles pois que se haviam reunido perguntaram-Lhe, dizendo: Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?" - Atos 1:6.
O ministério de Jesus a Israel era a proclamação do ano aceitável do Senhor, pregar o reino vindouro aos pobres, aos quebrantados, e enfermos. Não era inaugurar dias de vingança e restauração.
Haverá um dia em que Jesus voltará para julgar e declarar guerra quando a profecia referente à parte que se segue ao sítio em que Jesus fechou o livro se cumprir (Ap 19:10-11).
Até então, precisamos de ter o cuidado de manejar bem a Palavra da verdade.



