Tendências do Fim
"Sabe, porém, isto, que nos últimos dias virão tempos difíceis" (2 Tim. 3:1-5, TB).
Os versículos em 2 Timóteo 3:1-5 apresentam um relato vívido do que podemos esperar nos "últimos dias". Há cerca de vinte características distintas apresentadas que nos retratam as "tendências do fim". Os "últimos dias" de que fala o apóstolo Paulo referem-se ao fim da presente dispensação da graça.
O manejo correto da Palavra de Deus deve levar-nos a ver coisas que diferem, ou seja, os "últimos dias" da igreja aqui mencionados são diferente dos últimos dias de Israel. O apóstolo Pedro, ao pregar no dia de Pentecostes, falou dos "últimos dias" de Israel, e relatou as tremendas manifestações físicas e exteriores que antecedem e acompanham esses dias. Por exemplo, ele fala de filhos e filhas profetizarem e terem visões e sonhos, da manifestação de maravilhas no céu; sinais na terra; o sol transformando-se em trevas, e a lua em sangue. Estes "dias" são adicionalmente apresentados nos primeiros capítulos do Apocalipse.
Nos "últimos dias" da presente dispensação da igreja, as características apresentadas são mais de natureza moral, ética e espiritual. Por exemplo, algumas delas incluem, os homens serem amantes de si mesmos, sem afeição natural, desobedientes aos pais, presunçosos e soberbos, e "tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela." Esta última característica é um bom exemplo do que estamos a ver hoje. É certamente uma "tendência do fim".
Devemo-nos lembrar constantemente de que nem tudo o que se passa sob o rótulo de "adoração" é verdadeira adoração de Deus. A adoração pode ser meramente um exercício dirigido para e ao homem ou ao próprio diabo! Deve ser notado que as Escrituras dizem: "tendo aparência de piedade". Isso significa que há uma ênfase na aparência externa da adoração em vez de uma verdadeira adoração de coração, em concordância com a Palavra e a vontade de Deus. Esta "aparência" pode assumir muitas formas. O apóstolo Paulo teve que corrigir os filósofos em Atenas pelas suas superstições confusas e adoração ignorante de todos os deuses falsos. (Atos 17:18-23). Depois, ele concluiu, falando-lhes do verdadeiro Deus que criou todas as coisas, ao afirmar:
"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tão pouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas" (Atos 17:24-25).
Ao longo da história do homem, tanto secular como bíblica, encontramos seres humanos a adorar tudo debaixo do sol, inclusive o próprio sol. Os primeiros habitantes da Terra são descritos em Romanos, capítulo um. Somos informados de que eles não glorificaram a Deus, mas tornaram-se vãos nas suas imaginações, e foram tão loucos que,
"… mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis" (Romanos 1:23).
E mais adiante, é-nos dito que
"… mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém" (Romanos 1:25).
Na epístola aos Colossenses, capítulo dois, encontramos um duro aviso aos "adoradores" daqueles dias (e de hoje) que adoravam anjos. A advertência de Paulo foi,
"Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão" (Col. 2:18). Não há dúvida que este tipo de adoração tomou sobre si uma "aparência" religiosa. As pessoas passavam por certos rituais e, possivelmente, parecia bem e apelava aos olhos e aos sentidos (Colossenses 2:20-21). Esta espécie de adoração é descrita como "devoção voluntária", e falsa humildade em Colossenses 2:23. Ela satisfaz a carne, mas não honra a Deus.
Num certo sentido, é bom viver num país onde há liberdade de culto. A maioria de nós, tenho a certeza, estamos contentes e agradecidos por isso. No entanto, isto também tem os seus problemas. Sem a direção do Espírito de Deus, o homem pecador, invariavelmente, escolhe a forma de adoração, ou “aparência de piedade”, que satisfaz a carne. O "deus deste século" (Satanás) não se importa que as pessoas sejam "religiosas", desde que não adorem o Deus da glória. Satanás odeia o santo; Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. O anticristo, quando aparecer e assumir o comando do sistema deste mundo, proibirá todo o culto, exceto o que o reconhece como deus (2 Tes. 2:4).
Este “falso” culto – esta “aparência” de adoração que nega o poder de Deus, é a extraordinária "tendência dos nossos dias" (2 Tm. 3:5). Quão maravilhoso adorar Aquele que nos amou, Aquele que quando estávamos perdidos em pecado, tomou o nosso lugar na cruz de vergonha! É grande desejo de Deus através da Sua grande graça "… que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (I Tim.2: 4). É bom reconhecer que "… há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem". (I Tim.2: 5) Quando nós confiamos no Senhor Jesus Cristo como Salvador, Deus salva-nos e justifica-nos e torna-nos "novas criaturas" em Cristo (2 Coríntios. 5:17). Mais ainda, o Espírito Santo batiza-nos no “um só corpo”, (a Igreja, que é o corpo de Cristo), sela-nos para o dia da redenção (Ef 1:13-14), e o Espírito de Deus vem habitar no filho de Deus (I Coríntios. 6:19). Então, podemos distinguir a falsa da verdadeira adoração ao verdadeiro Deus, e compreender (de alguma maneira) as Tendências do Fim.
- Charles Wages



