A Lei de Moisés e o Evangelho de Paulo

Carlos Oliveira      O Evangelho está para Paulo como a Lei estava para Moisés.

     Assim como a dispensação da Lei foi dada a Moisés, a dispensação da Graça foi dada a Paulo:
 
     “Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada” (Efésios 3:2).

     Hoje, ninguém, que seja do nosso conhecimento, coloca em causa o facto de se chamar Lei de Moisés à Lei de Deus. Porém, já o mesmo não acontece quando chamamos Evangelho de Paulo ao Evangelho da Graça de Deus, isto apesar de estar escrito:
 
     “No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu [de Paulo] Evangelho(Romanos 2:16).  
 
     “Ora, Àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu [de Paulo] Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto” (Romanos 16:25). 
 
     “Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dos mortos, segundo o meu [de Paulo] Evangelho(2 Timóteo 2:8).  
 
     A razão de tanto a Lei quanto o Evangelho da Graça serem personalizados, deve-se ao facto de ambos terem sido dados à humanidade através da instrumentalidade de duas personalidades – Moisés e Paulo, respetivamente. 
 
     Alguns dirão, “mas o Evangelho não nos foi dado a todos?”
 
     Sim, é verdade, mas foi dado primeiro a Paulo e só depois, por sua instrumentalidade, a nós, como o vemos dizer aos crentes Gálatas.
 
     “Mas faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.
 
     “Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.
 
     “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro Evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
 
     “Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro Evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1:11,12,8,9).
 
     Foi assim que aconteceu também com a Lei. Deus deu-a primeiro a Moisés, tendo depois o povo recebido a mesma por instrumentalidade deste Seu servo .
 
     “Então disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e fica lá: e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinar(Êxodo 24:12).
 
     “Esta é pois a lei que Moisés propôs aos filhos de Israel (Deuteronómio 4:44).
 
     “E Moisés escreveu esta lei, e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca do concerto do Senhor, e a todos os anciãos de Israel(Deuteronómio 31:9).
 
     “O Senhor veio de Sinai … Moisés nos deu a lei” (Deuteronómio 33:2,4).
 
     “Tão-somente tende cuidado de guardar com diligência o mandamento e a lei que Moisés, o servo do Senhor, vos mandou(Josué 22:5).
 
     “… a lei foi dada por Moisés …” (João 1:17).
 
     “Não vos deu Moisés a lei?” (João 7:19).
 
     Se bem que ninguém hoje ponha em causa a designação “a Lei de Moisés” e o facto de Deus ter dado a mesma por instrumentalidade deste servo de Deus, no passado a questão não foi pacífica.
 
     Aarão e Miriam, por exemplo, disseram:
 
     “Porventura falou o Senhor somente por Moisés?(Números 12:2). 
 
     O resultado foi que “a ira do Senhor contra eles se acendeu (Ver. 9).
 
     Também hoje há muitos que nivelam Paulo aos demais crentes, relativamente à receção do Evangelho, todavia não é isso que lemos. 
 
      “Também vos notifico, irmãos, o Evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis.
 
     “Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão.
 
     “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
 
     “E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:1-4).
 
     Paulo não recebeu o Evangelho de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo:
 
     “Mas faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.
 
     “Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1:11,12).
 
     Os demais crentes receberam-no de Paulo, como aconteceu com os crentes Gálatas:
 
     “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro Evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
 
     “Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro Evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1:8,9).
 
     Aparentemente muitos ainda não terão notado que está escrito:
 
     “Porque convosco falo, Gentios, que, enquanto for Apóstolo dos Gentios, glorificarei o meu ministério(Romanos 11:13).
 
     Não fora o facto de estarmos sob a dispensação da Graça de Deus e não na da Lei, a ira de Deus já se teria acendido contra os que se têm rebelado à autoridade de Paulo.
 
     As seguintes injunções de Paulo a Timóteo revestem-se de importância capital para nós e as gerações que se seguem, se o Senhor protelar um pouco mais a Sua vinda:
 
     Conserva O MODELO DAS SÃS PALAVRAS que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus” (2 Tim. 1:13).
 
     “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idóneos para também ensinarem os outros(2 Tim. 2:2). 
 
- C.M.O.
 
 
 

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