Ungir com azeite hoje significa judaizar e descaracterizar a Igreja (I)

Carlos Oliveira      “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor;

     “E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” (Tiago 5:14,15).

     Alguns hoje, têm tentado impingir à Igreja, o Corpo de Cristo - a nós, portanto -, a prática da unção com azeite, apresentando como base de sustentação bíblica o texto acima enunciado.
 
 
Contextualização
 
     A unção com azeite nos tempos bíblicos era muitas vezes feita para fins medicinais, como se constata na história do Bom Samaritano (Lucas 10:37). A literatura talmúdica revela que a unção com azeite era uma prática Judaica comum. Era uma prática muito comum no oriente.
 
     Contudo, em Israel, a unção com azeite também era usada para fins cerimoniais. As unções com azeite eram usadas amplamente nas cerimónias dos Judeus. Reis e sacerdotes eram ungidos, sendo deliberadamente derramado azeite sobre as suas cabeças, denotando desse modo exteriormente o facto da sua consagração ao seu respetivo ofício, e apontando simbolicamente para o Espírito de Deus, que era necessário para o exercício das suas funções.
 
 
Explicação
 
     A porção das Escrituras registada em Tiago 5 não necessita senão de uma pequena explicação para ficarmos devidamente esclarecidos. Se formos honestos no nosso estudo da Bíblia e lermos todo o contexto não teremos nenhum problema em perceber bem o significado desta passagem bíblica. O primeiro versículo da epístola é a chave para sua compreensão: 
 
     "TIAGO, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, ÀS DOZE TRIBOS QUE ANDAM DISPERSAS ..." (Tiago 1:1). 
 
     Esta epístola foi escrita aos judeus da dispersão e está em perfeita harmonia com o "Evangelho do Reino". Não tem nada a ver connosco, a Igreja, o Corpo de Cristo. Nós não encontramos em lugar algum da Palavra de Deus a prática da "unção com azeite" a não ser relacionada com a nação de Israel. Nenhum Gentio teve alguma vez o privilégio de ungir alguém ou de impor as mãos sobre alguém. Não há nenhum registo na Bíblia de que os crentes Gentios ungissem com azeite ou alguma vez tivessem sido ungidos com azeite. 
 
     Ao lermos os versículos acima (Tiago 5:14,15), não nos podemos esquecer das palavras do escritor desta epístola, Tiago, quando, sob a direção do Espírito Santo, ele instruiu muito especificamente os crentes Judeus para não perturbarem os crentes Gentios com ritos e cerimónias Judaicos (Atos 15:13,19). Isto incluía a unção com óleo. Nesta relação, não nos podemos esquecer também que Gálatas 2:9, diz que Tiago era ministro da “circuncisão”. Foi ele, Tiago, que instruiu Paulo, em Atos 21:23 a 28, para que rapasse a cabeça e fizesse um voto Judaico, porém tanto ele como Paulo tornaram muito claro que os crentes Gentios não deveriam observar tais coisas (Atos 21:25). 
 
     Vemos, portanto, que Tiago dirigiu a sua epístola às Doze Tribos de Israel - não à Igreja, o Corpo de Cristo - e escreveu sobre as suas reuniões na sinagoga. (A palavra “ajuntamento” em Tiago 2:2 é melhor traduzida por “sinagoga” – ver a Versão Atualizada). 
 
     A unção com azeite era um velho costume Judaico do qual os discípulos fizeram uso, como veremos na passagem bíblica seguinte. Contudo, quando o Senhor os comissionou com o Evangelho do reino nunca lhes disse que eles deveriam ungir os doentes com azeite. Eles fizeram-no porque para eles tratava-se de uma prática nacional comum. Quando deparamos com Tiago a ordenar que estes crentes Judeus fossem ungidos com azeite no caso de estarem doentes, ele estava, por conseguinte, a reafirmar o velho costume Judaico.
 
     “E expulsavam muitos demónios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam” (Marcos 6:13). 
 
     Mesmo o estudioso superficial da Palavra de Deus sabe que esta unção de Marcos 6:13 era praticada pelos Apóstolos Judeus e somente os que eram judeus recebiam este ministério. Isto é comprovado por Marcos 7:27: "… não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos". Também pelas instruções que o Senhor deu aos Apóstolos Judeus registadas em Mateus 10:5,6: “Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa d’Israel”.
 
     Em suma, é muito claro que a prática da unção com azeite não tem qualquer sustentabilidade bíblica para poder ser aplicada hoje à Igreja, aos membros do Corpo de Cristo. Fazê-lo significará judaizar a igreja e descaracterizá-la – algo que Deus reprova. Como vimos, o Cristianismo, através de Paulo e do Concílio de Jerusalém, condena que imposições judaizantes sejam praticadas por Gentios, e o Judaísmo, convenhamos, também vê essa prática como um sacrilégio às suas tradições sacras.
 
 
Inconsistência e incoerência
 
     Já noutros escritos anteriores referimos a incoerência dos que insistem em querer cumprir inconsistentemente o que não nos foi ordenado, como membros do Corpo de Cristo. Vem a este propósito Mateus 6:17:
 
     “Porém tu, quando jejuares, UNGE A TUA CABEÇA, e lava o teu rosto”.
 
     Os tais ungem as suas cabeças com azeite ao jejuarem, como o Senhor Jesus Cristo ordenou aqui? Se não, porquê? O Senhor não ordenou? Porque escolhem algumas das instruções do Senhor e ignoram totalmente as demais? Este método de se escolher indiscriminada e confusamente o que se quer deixa os crentes confundidos e desagrada, decerto, ao Senhor. 
 
     Obedecer a 2 Timóteo 2:15 é mais necessário e indispensável do que nunca:
 
     “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade”.
 
     Quando não se maneja bem a Palavra da verdade, como acabámos de ver, é grave. Porém, mais grave ainda é “torcer as Escrituras” (2 Pedro 3:15). 
 
     Alguns não somente estão a introduzir na Igreja, o Corpo de Cristo, esta prática ilícita, como a estão a desvirtuá-la.
 
 
Abuso
 
     Referimo-nos ao facto de haver mulheres que praticam abusivamente a prática da unção, transportando normalmente consigo frascos de azeite para esse propósito. Tiago diz que quem estava autorizado a proceder a essas práticas eram os presbíteros, portanto, homens – não mulheres. Estas mulheres são insubmissas, desorbitando da esfera recatada que Deus lhes reservou, algumas delas procurando mesmo usurpar os demais ministérios estritamente reservados por Deus aos homens. São como Jezabel, mulher que SE DIZIA PROFETISA, que ENSINAVA e ENGANAVA os servos de Deus ..., todavia NÓS NÃO AS TOLERAREMOS (Cf. Apocalipse 2:20).
 
     O que deve, então, um membros do Corpo de Cristo fazer quando se depara com uma enfermidade?
 
 
Alternativa
 
     Ninguém nos dias de hoje tem autoridade bíblica para tomar o programa do Reino de Israel e aplicá-lo aos membros da "IGREJA QUE É O SEU CORPO". Contudo cremos que Deus hoje pode curar qualquer tipo de enfermidade, respondendo às orações do Seu povo, de acordo com Sua vontade. Que fique, pois, claro que apesar de Deus hoje poder responder às nossas orações, se assim entender, curando, não o faz através do preceituado em Tiago.
 
     A recomendação bíblica para os membros do Corpo de Cristo é a seguinte:
 
     “Não estejais inquietos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças
 
     “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6-7).
 
- C.M.O.

 
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