Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, porque é que …

Carlos Oliveira      Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, porque é que Paulo foi expor aos crentes em Jerusalém, especialmente a Pedro, Tiago e João, o Evangelho que estava a pregar? Em situações normais o Evangelho é pregado por crentes a descrentes e não por crentes a crentes. E note-se que foi Paulo que lhes foi expor o Evangelho a eles, crentes há bem mais tempo do que ele, e não o contrário; ou seja, Paulo não foi receber nada deles, mas comunicar-lhes o que eles ignoravam. Deus provocara uma mudança dispensacional com a incredulidade e rejeição obstinadas de Israel e Paulo, apóstolo com um apostolado diferente, foi notificá-los disso.

“E subi por uma revelação, e LHES EXPUS O EVANGELHO, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão” (Gálatas 2:2).

     A razão porque Paulo foi expor o Evangelho que pregava a Pedro e demais apóstolos devia-se ao facto deste Evangelho ser um Evangelho novo, diferente, que eles ignoravam, porque fora revelado exclusivamente a Paulo, como parte da dispensação da graça de Deus que o Senhor dera unicamente a ele (Efésios 3:1-9; comparar com Gálatas 1:1,11,12). 
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, porque razão Paulo lhes dá nomes diferentes, chamando ao Evangelho que pregava, e que Pedro ignorava, Evangelho da Incircuncisão, e ao que Pedro pregava Evangelho da Circuncisão?
 
     “Antes, pelo contrário, quando viram que O EVANGELHO DA INCIRCUNCISÃO ME ESTAVA CONFIADO, como A PEDRO O DA CIRCUNCISÃO,
 
     “(Porque Aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão Esse operou também em mim com eficácia para com os Gentios)” (Gálatas 2: 7,8).
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava porque é que "O FIM" ainda não veio? 
 
     A Bíblia não diz que quando o Evangelho que Pedro pregava atingisse todo o mundo o fim viria?
 
     “E este EVANGELHO DO REINO será pregado em TODO O MUNDO, em testemunho a TODAS AS GENTES, e ENTÃO VIRÁ O FIM” (Mateus 24:14).
 
     “E disse-lhes: Ide por TODO O MUNDO, pregai o evangelho a TODA A CRIATURA” (Marcos 16:15).
 
     Ora, a Bíblia diz que o Evangelho que Paulo pregava atingiu TODO O MUNDO, TODA A CRIATURA.
 
     “Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do EVANGELHO,
 
     “Que já chegou a vós, como também ESTÁ EM TODO O MUNDO; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade.
 
     “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do EVANGELHO que tendes ouvido, o qual FOI PREGADO A TODA CRIATURA QUE HÁ DEBAIXO DO CÉU, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro”(Colossenses 1:5,6,23).
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava, então, é o mesmo que Pedro pregava porque é que "O FIM" não veio? 
 
     A resposta é muito simples: o fim não veio porque estamos perante EVANGELHOS DIFERENTES.
 
     O FIM só vem quando o Evangelho do Reino (ou, da Circuncisão) for pregado em TODO O MUNDO; NÃO o Evangelho da Graça de Deus. 
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, porque razão o teor do Evangelho que Paulo pregava era diferente do teor do Evangelho pregado por Pedro?
 
     Paulo notifica o Evangelho que ele pregava dizendo, 
 
     "Também vos notifico, irmãos, o Evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis.
 
     “Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão.
 
     “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que CRISTO MORREU POR NOSSOS PECADOS, SEGUNDO AS ESCRITURAS,
 
     “E QUE FOI SEPULTADO, E QUE RESSUSCITOU AO TERCEIRO DIA, SEGUNDO AS ESCRITURAS" (1 Cor. 15:1-4).
 
     O Senhor Jesus notificou qual o teor do Evangelho que Pedro pregou:
 
     “E, indo, pregai, dizendo: É CHEGADO O REINO DOS CÉUS” (Mateus 10:7).
 
     Convenhamos que pregar A MORTE E A RESSURREIÇÃO DE CRISTO não é o mesmo que pregar O REINO.
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, como se explica que os 12 andaram a pregar o Evangelho durante tanto tempo, sem falarem da morte e ressurreição de Cristo? Sim, eles nem sequer entendiam, nem queriam que Ele morresse. 
 
     “E, tomando consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do Homem tudo o que pelos profetas foi escrito;
 
     “Pois há-de ser entregue às gentes, e escarnecido, injuriado e cuspido;
 
“E, havendo-o açoitado, O matarão; e ao terceiro dia ressuscitará.
 
     “E ELES NADA DISTO ENTENDIAM, E ESTA PALAVRA LHES ERA ENCOBERTA, NÃO PERCEBENDO O QUE SE LHES DIZIA” (Lucas 18:31-34).
 
     “Desde então começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
 
     “E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso” (Mateus 16:21,22).
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, porque razão é que Pedro não pregou a Palavra, ou Mensagem da Cruz que Paulo pregou (1 Coríntios 1:18) e nós agora também pregamos? Quando Jesus o enviou a pregar, em Mateus 10, ele e os demais apóstolos não pregaram a Mensagem da cruz, porém o Reino.
 
     E mesmo mais tarde, depois da crucificação do Senhor Jesus Cristo, em Pentecostes, quando Pedro pregou a cruz à sua audiência Judaica, não a pregou como boas notícias, como motivo de alegria, como Paulo pregou e nós pregamos (Gálatas 6:14; Efé. 2:16; Col. 1:20; 2:14; 1 Cor. 1.18), mas como motivo de lágrimas, como uma acusação de que se deveriam arrepender (Atos 2:23,36-39; 3:14,15,19; 5:30,31). A razão da pregação da cruz por parte de Paulo ser chamada de loucura, deve-se exatamente ao facto de ele apresentar a cruz como motivo de boa notícia (1 Coríntios 1:18), algo que Pedro não fez em Pentecostes.
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, porque razão está registado nas Escrituras que tanto João Batista, como o Senhor Jesus Cristo, como os 12 Apóstolos - todos eles - pregaram "É CHEGADO O REINO DOS CÉUS",
 
     “E, naqueles dias, apareceu JOÃO BATISTA pregando no deserto da Judeia.
 
     “E dizendo: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS.
 
     “Desde então começou JESUS a pregar, e a dizer: ARREPENDEI-VOS, PORQUE É CHEGADO O REINO DOS CÉUS”.
 
     “Jesus enviou estes DOZE, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos;
 
     “Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa d’Israel;
 
     “E, indo, pregai, dizendo: É CHEGADO O REINO DOS CÉUS” (Mateus 3:1,2; 4:17; 10:7).
 
     mas NÃO há um único registo que diga que Paulo pregou "É CHEGADO O REINO DOS CÉUS"? 
 
     Alguns dirão que Paulo pregou “o reino de Deus” (Atos 28:31). É verdade. Mas pregar o “reino de Deus” não é necessariamente o mesmo que pregar “o reino DOS céus”. É verdade que Reino dos céus é reino de Deus e que por vezes os termos são usados intermutavelmente com o mesmo significado, mas reino de Deus pode não ser reino dos Céus. Reino de Deus é mais, muito mais, do que Reino dos Céus. Reino dos Céus é reino de Deus, mas reino de Deus pode não ser reino dos Céus.
 
     Notemos o seguinte exemplo em que as expressões NÃO são sinónimas. 
 
     “Porque O REINO DE DEUS (espiritual) NÃO É COMIDA NEM BEBIDA, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17).
 
     “Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e ASSENTAR-SE-ÃO À MESA com Abraão, e Isaque, e Jacó, no REINO DOS CÉUS (físico e material)” (Mateus 8:11).
 
     Se estas expressões fossem sempre sinónimas teríamos aqui uma grande contradição. No reino físico há comida; no reino espiritual não. Ora, quando as Escrituras dizem que Paulo pregou o Reino de Deus, refere-se ao reino espiritual e não físico e material, ou seja, refere-se mais concretamente, ao Corpo de Cristo.
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, porque razão é que agora não temos TODOS que vender TUDO e TODOS termos TUDO em comum, como faziam os que ouviam o Evangelho que Pedro pregava?
 
     “E TODOS os que criam estavam juntos, e tinham TUDO em comum.
 
     “E VENDIAM suas propriedades e fazendas, e repartiam com TODOS, segundo cada um havia de mister.
 
     “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas TODAS AS COISAS LHES ERAM COMUNS.
 
     “Não havia pois entre eles necessitado algum; porque TODOS os que possuíam herdades ou casas, VENDENDO-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos.
 
     “E REPARTIA-SE POR CADA UM, segundo a necessidade que cada um tinha” (Atos 2:44,45 e 4:32,34,35)?
 
     Ora, acerca do Evangelho que Paulo pregava nós lemos da existência de “ricos” na igreja e da necessidade dos pais entesourarem para os filhos.
 
     “Manda aos ricos deste mundo [na Igreja, claro] que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos” (1 Timóteo 6:17).
 
     “Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós; porque não devem os filhos entesourar para os pais mas os pais para os filhos” (2 Coríntios 2:14).
 
     Se o Evangelho que Paulo pregava é o mesmo que Pedro pregava, o apostolado de Paulo é o mesmo que o dos 12. Mas Gálatas 2 diz que os seus apostolados são distintos:
 
     “(Porque Aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão Esse operou também em mim com eficácia para com os Gentios)” (Ver. 8).
 
     Mais, se assim fosse, em que trono se assentaria Paulo para julgar as 12 tribos de Israel? 
 
     “E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que Me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da Sua glória, também vos assentareis sobre DOZE tronos, para julgar as DOZE tribos d’Israel” (Mateus 19:28). 
 
     E qual seria o Apóstolo dos 12 que ficaria de fora? 
 
     E qual seria o Apóstolo dos 12 que não veria o seu nome escrito nos fundamentos do muro da grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu?
 
     “E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu.
 
     “E o muro da cidade tinha DOZE fundamentos, e neles os nomes dos DOZE apóstolos do Cordeiro” (Apoc. 21:14,10).
 
 
- C.M.O.

 
 
 

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