A mudança que alguns teimam em não querer ver

Carlos Oliveira      “Dispensação” é um termo bíblico muito importante para a compreensão das Escrituras. Por conseguinte, o seu significado deve ser bem entendido pelo leitor das mesmas. Sugerimos que antes que prossiga com esta leitura dê primeiro uma vista de olhos aos dois pequenos artigos, Dispensações – significado (I) e Dispensações – significado (II).

Deus deu ao Apóstolo Paulo a dispensação da graça de Deus (Efé 3:2). A introdução da dispensação da graça de Deus neste mundo provocou várias mudanças no programa de governo de Deus com os homens, nomeadamente na questão da salvação.

     Os doze apóstolos tinham pregado até então o Evangelho do Reino que o Senhor lhes mandara pregar. O teor do Evangelho do Reino era muito claro e preciso. O Senhor disse-lhes:
 
      “…indo, pregai, dizendo: É CHEGADO O REINO DOS CÉUS” (Mateus 10:7).
 
     Ao contrário do Evangelho da Graça de Deus, o teor Evangelho do Reino NÃO contemplava A MORTE E RESSURREIÇÃO DO SENHOR (1 Cor. 15:3,4) – apenas falava da vinda do reino há muito prometido por Deus através dos profetas.
 
     Com o início da nova dispensação, do novo programa de governo, o Apóstolo Paulo foi a Jerusalém, “expor” (Gá. 2:2) privadamente aos antigos apóstolos e líderes da igreja em Jerusalém o novo Evangelho que passaria a vigorar – o Evangelho da Graça de Deus que lhe fora revelado pelo Senhor, já na glória (Atos 20:24). 
 
     Pedro, Tiago e João, que eram considerados as colunas, “VIRAM” que o Evangelho da Incircuncisão [ou, da Graça] fora dado a Paulo, “CONHECENDO” eles assim a graça que lhe havia sido dada (Gál. 2:7,9). Como resultado dessa compreensão e conhecimento, aceitaram e sancionaram a mudança dando-lhe “as destras, em comunhão”. 
 
     Eles reconheceram que o mesmo Deus que “operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão … operou também em [Paulo] com eficácia para com os Gentios”; que “o “Evangelho da incircuncisão [ou, da graça]” fora confiado a Paulo, “como a Pedro o da circuncisão [ou, do reino]” anteriormente (Gál. 2:8).
 
     Logo a seguir a essa reunião privada seguiu-se o concílio de Jerusalém (Atos 15).
 
     Quando chegamos à última menção que é feita a Pedro no Livro dos Atos – nessa reunião -, Pedro aparece como “apóstolo da circuncisão”, mas para sancionar o apostolado de Paulo.
 
     A última declaração registada do ministério de Pedro no Livro dos Atos é notabilíssima:
 
     “… [NÓS, JUDEUS] CREMOS QUE SEREMOS SALVOS PELA GRAÇA DO SENHOR JESUS CRISTO, COMO ELES [GENTIOS], TAMBÉM” (Vers.11).
 
     Ele NÃO diz: “eles [Gentios] também serão salvos como nós [Judeus]”, MAS “nós [Judeus] também seremos salvos como eles [Gentios]”.
 
     Sim, os Judeus passariam a ser salvos de forma diferente do modo como tinham sido salvos até ali – através do arrependimento e batismo para perdão de pecados (Atos 2:37,38).
 
     Os Judeus passariam a ser salvos como os Gentios - APENAS FELA FÉ (Atos 16:30,31).
 
     Esta última declaração registada do ministério de Pedro no Livro dos Atos deve ser comparada com as últimas palavras das suas epístolas. Disse ele aos Judeus, a quem as cartas que ele escreveu se dirigiam:
 
     “…e TENDE por SALVAÇÃO a longanimidade de nosso Senhor, COMO O NOSSO AMADO IRMÃO PAULO VOS ESCREVEU segundo a sabedoria que lhe foi dada” (2 Pedro 3:15 TB).
 
     Sim, houve uma grande mudança, e A SALVAÇÃO AGORA É COMO PAULO ESCREVEU -  NÃO como Pedro pregou nos Evangelhos e em Atos 2.
 
     Os que hoje quiserem ser salvos, e por isso perguntarem, “que faremos?”, ou “que é necessário que eu faça para me salvar?”, devem, portanto, saber que a resposta da Bíblia para eles hoje NÃO É a de Pedro,
 
     “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:37,38);
 
     MAS A DE PAULO,
 
    “CRÊ NO SENHOR JESUS CRISTO E SERÁS SALVO” ( Atos 16:30,31).
- C.M.O.

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