A parábola tripla de Lucas 15 (X)
A PARÁBOLA TRIPLA E NÓSAgora que procurámos interpretar correctamente as palavras do nosso Senhor, que lições podemos nós tirar delas e como pode esta parábola tripla aplicar-se a nós? A resposta é: deixando as coisas no lugar a que elas pertencem.
As parábolas do nosso Senhor descrevem as suas relações com Israel. As epístolas de Paulo descrevem o propósito de Deus relativamente ao Corpo de Cristo. Comparemos as duas e vejamos se perdemos ou ganhamos quando fazemos a distinção.
Tal como observámos, Deus nunca olhou para os Gentios como ovelhas, nem está de forma alguma obrigado a vigiá-los como Pastor, porque “como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso…” (Romanos 1:28). Os Gentios são antes vistos como cachorrinhos (Mateus 15:26) e estranhos (Efésios 2:12). Na verdade, também o judeu está agora de parte (Romanos 11:15; Efésios 2:16-17).
Agora Deus tomou-nos, crentes Judeus e Gentios desta dispensação, e deu-nos um lugar muito mais elevado do que aquele que será ocupado por Israel no futuro. Israel é, afinal, o povo terreno de Deus. A sua vocação e a sua expectativa são terrenas. Quando convertidos eles habitarão na sua terra com Cristo como Rei em Jerusalém. Mas nós que temos confiado em Cristo nesta era da Sua rejeição somos feitos um com Ele através de um baptismo sobrenatural e é-nos dado um lugar à mão direita de Deus, abençoados com todas as bênçãos nos lugares celestiais em Cristo (Gálatas 3:26-27; Efésios 1:3). Que graça!
E de que valor eram os Gentios no plano profético de Deus? Nenhum!1 Deus não traria bênção a este mundo através de qualquer gentio. A adopção, a glória, os concertos, a lei, a adoração no templo, as promessas, todas pertenciam a Israel (Romanos 9:4). Nós Gentios estávamos “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (Efésios 2:12). Mas mesmo Israel, na sua presente condição, não tem valor para o mundo. Ainda assim Deus tomou-nos, Judeus e Gentios, e fez-nos um com o Seu Filho, do qual depende a esperança deste mundo. Ele fez de nós as obras-primas da sua graça:
“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para connosco em Cristo Jesus” (Efésios 2:7).
Novamente, os Gentios não são chamados filhos de Deus nas Escrituras. Somos antes vistos como estranhos e inimigos (Colossenses 1:21). Na verdade, Israel é agora Lo-ami: “Não sois Meu povo” (Oséias 1:9). No entanto Deus deu aos crentes Judeus e Gentios o lugar de filhos muito mais elevado do que o da nação de Israel. Israel era filho de Deus por uma relação de concerto. Nós somos filhos de Deus em Cristo, o Seu Filho unigénito.
“E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; E se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo” (Gálatas 4:6-7).
E uma vez mais dizemos: que graça infinita, maravilhosa e sem par!
Que seja o leitor a decidir: Temos a perder no reconhecimento de que nesta parábola o nosso Senhor não se referia aos Gentios ou à salvação nesta presente dispensação? Não temos a ganhar incomensuravelmente com a compreensão e satisfação da Palavra quando deixamos a parábola no sítio à qual ela pertence e depois a examinamos à luz da revelação dada a Paulo?
1 Se bem que cada indivíduo é de grande valor para Deus.
- Cornelius R. Stam
(Continua)
(Continua)
A parábola tripla de Lucas 15 (I)
A parábola tripla de Lucas 15 (II)
A parábola tripla de Lucas 15 (III)
A parábola tripla de Lucas 15 (IV)
A parábola tripla de Lucas 15 (V)
A parábola tripla de Lucas 15 (VI)
A parábola tripla de Lucas 15 (VII)
A parábola tripla de Lucas 15 (VIII)
A parábola tripla de Lucas 15 (IX)
A parábola tripla de Lucas 15 (X)
A parábola tripla de Lucas 15 (XI)



