O Mistério está no Velho Testamento?

Não, claro que não! Então, porque é que Paulo cita sempre o Antigo Testamento para substanciar o Mistério (por exemplo, Rom. 15:9-12)? Vamos começar em Actos 26:22, onde Paulo testifica:
"Eu continuo até hoje ... não dizendo nada mais do que as que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer."
Esta afirmação parece desmentir a insistência de Paulo de que a sua mensagem esteve "ocult[a] desde todos os séculos, e em todas as gerações " (Cl 1:26). No entanto, ele explica-se no versículo seguinte:
"Isto é, que o Cristo devia padecer, e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios" (Atos 26:23).
A morte e ressurreição de Cristo não era um mistério, nem o plano de Deus para manifestar a luz "a este povo" (de Israel) e "aos Gentios." Assim, Paulo está a dizer que, embora a sua mensagem não fosse cumprimento dos profetas, em geral não contradizia o Antigo Testamento. Vemos o mesmo em Actos 15, onde os líderes da igreja se reuniram para decidir o que fazer com o novo Evangelho de Paulo. Tiago concluiu:
“Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o Seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas …” (v. 14,15).
Tiago não disse que a nova mensagem de Paulo era cumprimento dos profetas. Disse antes que concordava com eles, ou seja, Deus sempre teve a intenção de visitar os Gentios, para tomar deles um povo para o Seu nome. Claro que, segundo a profecia isso era para acontecer por meio da exaltação de Israel (Is 60:3), e não através da sua queda (Rm 11:11). Um dia isso acontecerá no reino. Mas, entretanto, Tiago não podia negar que geralmente falando a nova mensagem de Paulo estava de acordo com o Antigo Testamento.
Quando a maioria dos escritores do Novo Testamento citam o Antigo Testamento, é para mostrarem o cumprimento da profecia. No entanto, quando Paulo cita o Antigo Testamento, é para mostrar a harmonia, não o cumprimento.
Vamos fechar com um exemplo. Em Romanos 10:19 Paulo cita Deuteronómio 32:21, onde Deus promete provocar ciúme em Israel com "uma nação insensata." Esta não pode ser os Gentios, porque eles são "as nações", plural. Pedro identifica antes os Judeus crentes a quem ele escreveu como a "nação santa" que Deus usou originalmente para provocar a nação apóstata de Israel ao ciúme (I Pe 2:9 cf Mt 21:43;... Lucas 12:32) e cumprir Deuteronómio 32:21. Porém no capítulo seguinte de Romanos, Paulo diz:
“... enquanto for apóstolo dos gentios … Para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles ...” (Rom. 11:13,14).
Paulo declara aqui que Deus estava agora a usar os Gentios para provocar ciúme em Israel - não em cumprimento de Deuteronómio 32:21, mas certamente em harmonia com esta passagem!
Assim, apesar do Mistério não estar no Velho Testamento, Paulo pode citá-lo livremente para mostrar como a sua nova mensagem estava de acordo com ele.
Esta afirmação parece desmentir a insistência de Paulo de que a sua mensagem esteve "ocult[a] desde todos os séculos, e em todas as gerações " (Cl 1:26). No entanto, ele explica-se no versículo seguinte:
"Isto é, que o Cristo devia padecer, e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios" (Atos 26:23).
A morte e ressurreição de Cristo não era um mistério, nem o plano de Deus para manifestar a luz "a este povo" (de Israel) e "aos Gentios." Assim, Paulo está a dizer que, embora a sua mensagem não fosse cumprimento dos profetas, em geral não contradizia o Antigo Testamento. Vemos o mesmo em Actos 15, onde os líderes da igreja se reuniram para decidir o que fazer com o novo Evangelho de Paulo. Tiago concluiu:
“Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o Seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas …” (v. 14,15).
Tiago não disse que a nova mensagem de Paulo era cumprimento dos profetas. Disse antes que concordava com eles, ou seja, Deus sempre teve a intenção de visitar os Gentios, para tomar deles um povo para o Seu nome. Claro que, segundo a profecia isso era para acontecer por meio da exaltação de Israel (Is 60:3), e não através da sua queda (Rm 11:11). Um dia isso acontecerá no reino. Mas, entretanto, Tiago não podia negar que geralmente falando a nova mensagem de Paulo estava de acordo com o Antigo Testamento.
Quando a maioria dos escritores do Novo Testamento citam o Antigo Testamento, é para mostrarem o cumprimento da profecia. No entanto, quando Paulo cita o Antigo Testamento, é para mostrar a harmonia, não o cumprimento.
Vamos fechar com um exemplo. Em Romanos 10:19 Paulo cita Deuteronómio 32:21, onde Deus promete provocar ciúme em Israel com "uma nação insensata." Esta não pode ser os Gentios, porque eles são "as nações", plural. Pedro identifica antes os Judeus crentes a quem ele escreveu como a "nação santa" que Deus usou originalmente para provocar a nação apóstata de Israel ao ciúme (I Pe 2:9 cf Mt 21:43;... Lucas 12:32) e cumprir Deuteronómio 32:21. Porém no capítulo seguinte de Romanos, Paulo diz:
“... enquanto for apóstolo dos gentios … Para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles ...” (Rom. 11:13,14).
Paulo declara aqui que Deus estava agora a usar os Gentios para provocar ciúme em Israel - não em cumprimento de Deuteronómio 32:21, mas certamente em harmonia com esta passagem!
Assim, apesar do Mistério não estar no Velho Testamento, Paulo pode citá-lo livremente para mostrar como a sua nova mensagem estava de acordo com ele.
Ricky Kurth



