Os Últimos Dias (II)
Se tivermos em mente que Pedro viveu na época em que deveria se seguir o Reino do Céu (Mateus 10:7), poderemos prontamente apreciar o significado desta afirmação relativa aos ÚLTIMOS DIAS. Os que ouviam Pedro estavam à espera do dia em que Deus os livraria do domínio romano. Eles esperavam também que o reino de David fosse restabelecido. Portanto, o termo Últimos Dias encontraria eco na mente de todos. Nem todos haviam entendido que Cristo era o prometido para estabelecer aquele tão esperado reino, mas eles entenderam que Pedro estava a falar do fim de um período de tempo que estavam a viver naquela hora e da aproximação de uma época quando a nação de Israel se tornaria independente do domínio romano.
Para provar a sua afirmação de que os discípulos estavam a falar pelo poder do Espirito Santo, Pedro cita a profecia de Joel (Joel 2:28-32) para mostrar que Deus tinha prometido que antes de restabelecer o Reino de David, Ele daria poder aos Seus servos para que realizassem muitas coisas. Joel profetizou que o Espírito Santo seria derramado sobre toda carne e que o resultado seria: "PROFETIZARÃO", "SONHARÃO SONHOS" e "TERÃO VISÕES" (Actos 2:17). Deus também mostraria sinais de "SANGUE", "FOGO" e "VAPOR DE FUMO" no céu e na terra (v.19). Todos estes SINAIS acontecerão no fim do período que antecederá a chegada do reino. Joel profetizou:
"O SOL SE CONVERTERÁ EM TREVAS, E A LUA EM SANGUE ANTES DE CHEGAR O GRANDE E O GLORIOSO DIA DO SE¬NHOR" (Actos 2:20).
Qualquer judeu que conhecesse as Escrituras Proféticas saberia que um grande julgamento viria sobre a terra neste período (Zacarias 14) que era chamado de "O GRANDE E TERRÍVEL DIA DO SENHOR" (Joel 2:31). Portanto, Joel profetizara que os sinais associados com os "ÚLTIMOS DIAS" viriam antes que o Grande Dia do Senhor chegasse, o que precederia imediatamente o estabelecimento do reino prometido. Sabendo que esta informação fundamental estava nas mentes dos seus ouvintes, Pedro mostrou-lhes que o que eles estavam a testemunhar, ao verem os discípulos capazes de "PROFETIZAR" nas línguas de cada um que estava reunido em Jerusalém, era devido ao facto de Deus ter derramado o Seu Espírito sobre aqueles homens, e não porque eles tinham bebido muito vinho.
Uma vez que aqueles judeus reconheciam que estavam a testemunhar os acontecimentos prometidos dos "ÚLTIMOS DIAS" antes que sua nação fosse libertada, deviam ouvir o ministério dos discípulos. Muitos fizeram-no, porque nós lemos sobre os milhares que eram acrescentados ao grupo local de crentes em Jerusalém (Actos 2:41 e 47). Uma vez mais, os líderes políticos da nação rejeitaram o testemunho dos Doze. Eles recusaram-se a reconhecer que a nação estava nos seus "ÚLTIMOS DIAS" daquela época e que o Grande Dia da Ira de Deus estava quase sobre eles. Por causa desta falta de entendimento, os líderes de Israel não se arrependeram de ter matado Cristo (Actos 2:23, 37-38). Em vez de se arrependerem, os líderes daquela nação perseguiram os Doze, tentando impedir o seu ministério (Actos, capítulos 4 a 8).
Por causa da oposição dos lideres de Israel à chamada de arrependimento, ligada à mensagem do reino que estava próximo (que foi oferecido à nação em Actos 3:19-21), Deus suspendeu o Seu programa profético temporariamente, interrompendo o cumprimento daqueles ÚLTIMOS DIAS que levariam à Tribulação.
(Continua)



