A Salvação Pelo Sangue (VII)
O SANGUE DERRAMADO E A SALVAÇÃO DO PECADOComo pastor do Evangelho que durante muitos anos teve contacto com uma grande quantidade de pessoas, este escritor tem a certeza de que, mesmo à parte do assassinato, Hebreus 2:15 é verdadeiro quando diz que "com medo da morte" as pessoas incrédulas estão "por toda a vida sujeitas à escravidão". Qualquer pessoa pode falar à maioria dos homens com toda liberdade sobre um número interminável de assuntos, mas fale ao incrédulo sobre a morte, a morte dele, e ele "congela". Ele evita constantemente falar ou mesmo pensar seriamente sobre a morte. Ele tem tanto medo da morte que até evita preparar-se para ela e age como se a ela nunca o alcançasse, contudo temendo durante todo o tempo o seu surgimento! Depois ele deixa esta vida impreparado, e destinado ao juízo que ele trouxe sobre si mesmo.
Quão lamentável é isto à luz do facto do remédio eficaz que a enfermidade terrível do homem exige já ter sido suprido por Deus na morte de Cristo no Calvário.
De todos os versículos do Velho Testamento que tratam do sangue da expiação, Levítico 17:11 é o principal. Deus diz aqui:
"Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas".
O derramamento de sangue animal nos tempos do Velho Testamento era, naturalmente, simbólico e típico, pois Hebreus 10:4 destaca correctamente que o sangue de touros e bodes não pode tirar os pecados. Os sacrifícios de animais, todavia, ensinaram a sua lição. Imagine o impacto do primeiro sacrifício animal sobre Adão e Eva. Podemos quase vê-los, quando os primeiros animais trementes e agonizantes, foram sacrificados para prover túnicas para a sua nudez – podemos quase vê-los a torcer as mãos e a dizer: "O que fizemos! Oh, o que fizemos!" Que grande convicção de pecado este incidente deve ter operado nos seus corações!
Contudo, Deus planeou graciosamente e desde então revelou-nos que o sangue de Cristo seria derramado pelos nossos pecados e pelos "pecados dantes cometidos" (Rm.3:25, isto é, os pecados cometidos pelas pessoas dos séculos anteriores).
Em relação aos crentes das dispensações passadas, foi porque eles fizeram o que Deus lhes disse para fazer, oferecendo em fé os seus sacrifícios de animais, que Ele os aceitou, aplicando-lhes o futuro pagamento de Cristo pelo pecado.
É desta maneira que lemos em Romanos 5:8 que "Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". Ele fala historicamente aqui da raça humana, pois Cristo morreu por nós bem antes de termos nascido, até antes de alguns dos crentes de Roma terem nascido. Na eternidade passada, Ele viu-nos a todos nós nos nossos pecados e determinou pagar o preço da nossa redenção.
Vamos citar aqui algumas das muitas passagens em que Paulo declara que temos "a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça", baseadas no sangue derramado de Cristo.
Romanos 3:24: "Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus."
Efésios 2:13: "Vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto".
Efésios 2:16: "E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades".
Colossenses 1:20: "Havendo por ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz."
Colossenses 1:21-22: "A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou. No corpo da Sua carne, pela morte, para perante Ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis".
Observe bem que todas estas passagens falam do derramamento do sangue de Cristo, do esvaziamento da Sua vida na cruz do Calvário. Não foi por Ele ter sangue de rei a circular nas Suas veias que Ele nos pôde salvar. Foi porque Ele derramou o Seu sangue e morreu por nós, pagando no nosso lugar a justa punição dos nossos pecados (veja Rm.6:23).
À luz do que foi explicado acima, será estranho que os crentes cantem sobre o sangue de Cristo, derramado em benefício deles? Será estranho que eles se regozijem na verdade de Hebreus 2:14-15?
"E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;
"E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão".
Que música aos ouvidos do pecador convicto! Este escritor lembra-se bem de quão terrivelmente amedrontado ele estava em relação à morte, mas graças a Deus isto já não acontece mais. E, amado Cristão amigo, quer através de enfermidade física ou por falta de fé você ou eu ficarmos com receio quando chegar o momento de deixarmos este corpo, o facto permanece que nós não precisamos de temer a morte, pois para nós "partir, e estar com Cristo... é ainda muito melhor", diz o apóstolo Paulo em Filipenses 1:23 – de longe melhor não apenas que os problemas e tristezas da terra, mas muito melhor, inclusive, do que os tesouros e alegrias mais preciosos.



