Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (LXXVIII)

crstam.jpgO EVANGELHO DA RECONCILIAÇÃO

     A mensagem da reconciliação, como a da incircuncisão, foi confiada em primeiro lugar ao apóstolo Paulo.  A mensagem leva-nos atrás, para antes de David, Abraão, Abrão, a Adão, o pai da raça humana, o “um homem” por quem o  “pecado entrou no mundo”, e explica porque é que Deus estava agora a tratar com Judeus e Gentios na mesma base.

     O Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, não proclamou a mensagem da reconciliação.  Tanto quanto o registo das Escrituras revela, Ele apenas usou a palavra reconciliar uma única vez, e isto em referência à reconciliação de dois irmãos.  As apóstolos, em Pentecostes, também não proclamaram a reconciliação, muito menos a reconciliação de Judeus e Gentios com Deus num só corpo.

     De modo análogo, não encontramos o Senhor na terra ou os doze em Pentecostes irem atrás a Adão na sua pregação.  Eles falam repetidas vezes das promessas feitas a David e a Abraão, nunca porém mencionam sequer o nome Adão.  O Senhor referiu-se uma vez a Adão, sem que tivesse mencionado o seu nome, porém neste caso Ele estava a tratar da questão do casamento e do divórcio e declarou simplesmente: “Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez”.

     A mensagem da reconciliação não podia ser pregada a todo o mundo antes da nação de Israel ser posta de parte, pela simples razão de que os amigos não têm necessidade de ser reconciliados, e Israel, no princípio dos Actos, ainda era o povo favorecido.  Por conseguinte lemos:

     “PORQUE SE A SUA (DE ISRAEL) REJEIÇÃO É A RECONCILIAÇÃO DO MUNDO, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Rom. 11:15).

     A reconciliação exige necessariamente alienação; assim, não foi antes de Deus ter posto de parte a nação de Israel que Ele principiou a oferecer a reconciliação por meio de Paulo.  De facto, foi quando Israel se uniu aos Gentios em rebelião contra Deus e o Seu Cristo que a alienação natural do homem de Deus ficou plenamente demonstrada.  Foi por esta razão que Paulo, na mensagem da reconciliação, nos leva atrás, não a David e Abraão, com quem foram efectuados os concertos, mas a Adão, por quem toda a humanidade foi alienada de Deus.

     “... POR UM HOMEM ENTROU O PECADO NO MUNDO, E PELO PECADO A MORTE, ASSIM TAMBÉM A MORTE PASSOU A TODOS OS HOMENS POR ISSO QUE TODOS PECARAM” (Rom. 5:12).

     A queda de Israel foi natural, pois os filhos de Israel também eram filhos de Adão decaído.  Deus colocou uma diferença entre Israel e os Gentios, entre outras razões, simplesmente para mostrar que basicamente, essencialmente, “não há diferença” 9 .

     Isto era o que Deus estava agora a ensinar ao pôr de parte Israel e ao oferecer a reconciliação a Judeus e Gentios numa mesma base de igualdade.  Esta oferta graciosa não se encontra baseada nas promessas concertuais, mas nos factos da alienação do homem de Deus, da sua necessidade desesperada e do infinito amor e misericórdia de Deus.

     Graças a Deus, a mensagem da reconciliação não diz respeito exclusivamente ao “um só homem” por quem o pecado entrou no mundo.  Na verdade, diz principalmente respeito ao “segundo Homem”, “o último Adão”, o “um só Mediador entre Deus e os homens, o Homem Cristo Jesus” (I Cor. 15:45, 47; I Tim. 2:5).

     “POIS ASSIM COMO POR UMA SÓ OFENSA VEIO O JUÍZO SOBRE TODOS OS HOMENS PARA CONDENAÇÃO, ASSIM TAMBÉM POR UM SÓ ACTO DE JUSTIÇA VEIO A GRAÇA SOBRE TODOS OS HOMENS PARA JUSTIFICAÇÃO DE VIDA.

     “PORQUE, COMO PELA DESOBEDIÊNCIA DE UM SÓ HOMEM, MUITOS FORAM FEITOS PECADORES, ASSIM PELA OBEDIÊNCIA DE UM MUITOS SERÃO FEITOS JUSTOS” (Rom. 5:18-19).

     É por este outro “um só Homem” e a Sua morte no Calvário, que os pecadores - tanto Judeus como Gentios - podem ser reconciliados com um Deus santo.  Em Col. 1:21-22 o apóstolo da reconciliação declara:

     “A vós também que noutro tempo éreis ESTRANHOS (ou, ALIENADOS), E INIMIGOS no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos RECONCILIOU NO CORPO DA SUA CARNE, PELA MORTE, PARA PERANTE ELE VOS APRESENTAR SANTOS, E IRREPREENSÍVEIS, E INCULPÁVEIS”.

     Assim, “sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho” (Rom. 5:10 e cf. Ef. 2:11-18).

     Como vimos, a proclamação desta mensagem gloriosa é a nossa grande comissão, como nos é claramente dito em II Cor. 5:18-19.  Citamos aqui a passagem com mais do seu contexto a fim do leitor poder compreendê-la e apreciá-la mais plenamente:

     “ASSIM QUE DAQUI POR DIANTE A NINGUÉM CONHECEMOS SEGUNDO A CARNE, E, AINDA QUE TAMBÉM TENHAMOS CONHECIDO CRISTO SEGUNDO A CARNE, CONTUDO AGORA JÁ O NÃO CONHECEMOS DESTE MODO.   ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ EM CRISTO, NOVA CRIATURA É; AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM; EIS QUE TUDO SE FEZ NOVO.  E TUDO ISSO PROVÉM DE DEUS, QUE NOS RECONCILIOU CONSIGO MESMO POR JESUS CRISTO, E NOS DEU O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO;  ISTO É, DEUS ESTAVA EM CRISTO RECONCILIANDO CONSIGO O MUNDO, NÃO LHES IMPUTANDO OS SEUS PECADOS; E PÔS EM NÓS A PALAVRA DA RECONCILIAÇÃO.   DE SORTE QUE SOMOS EMBAIXADORES DA PARTE DE CRISTO, COMO SE DEUS POR NÓS ROGASSE.  ROGAMO-VOS POIS DA PARTE DE CRISTO QUE VOS RECONCILIEIS COM DEUS.   ÀQUELE QUE NÃO CONHECEU PECADO, O FEZ PECADO POR NÓS; PARA QUE NELE FOSSEMOS FEITO JUSTIÇA DE DEUS.”  II Cor. 5:16-21).

     É esta a nossa grande comissão; cumpramo-la fielmente!

     Contudo insistimos que se trata de uma oferta e não duma promessa de reconciliação universal.  O apóstolo não roga aos homens para estes se reconciliarem nesta vida meramente para escaparem a um curto período de disciplina.  Neste clamor não há nenhum indício de que todos serão eventualmente reconciliados a despeito da sua resposta a esta oferta.  Pelo contrário, ele insta com eles para que se reconciliem agora, uma vez que “agora é o tempo aceitável”; ele roga-lhes que se reconciliem antes que seja demasiado tarde, de modo a que não tenham recebido “em vão” a graciosa oferta (leiamos cuidadosamente os versículos que se seguem: II Cor. 6:1-2).  De facto, é verdade que ao nome de Jesus um dia se dobrará todo o joelho, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e que toda a língua confessará que Jesus é Senhor (Fil. 2:10-11), mas isso é subjugação universal, e não reconciliação.  Esta subjugação final de todas as coisas - celestial, terrestre e infernal - a Cristo não será resultado da presente oferta:

     “A SABER; SE COM A TUA BOCA CONFESSARES AO SENHOR JESUS, E EM TEU CORAÇÃO CRERES QUE DEUS O RESSUSCITOU DOS MORTOS, SERÁS SALVO”  (Rom. 10:9).

     Não devemos confundir a predição da subjugação universal com o propósito de Deus em “reconciliar Consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão NA TERRA como as que estão NO CÉU”  10  (Col.1:20).

     Respeitantemente à nossa responsabilidade de proclamarmos a oferta de reconciliação de Deus aos perdidos, uma coisa é certa:  Se quisermos levar fielmente a cabo a nossa grande comissão, temos de o fazer constrangidos pelo amor de Cristo (II Cor. 5:14) para que, ainda que os homens nos julguem “loucos” (Ver. 13), vivamos para Aquele que morreu por nós (Ver. 15), “rogando” aos homens e “orando” por eles, no lugar de Cristo, para que se reconciliem com Deus (Ver. 20), sabendo que “AGORA é o tempo aceitável” e “AGORA é o dia da salvação” (6:2).


9 Há uns anos aconteceu um episódio interessante com um Judeu, tratador de papel, a quem comprávamos papel em lotes para a publicação da revista Berean Searchlight.  Um dia, quando “discutíamos” o preço duma resma de papel, ele exclamou: “Se me levar a baixar mais o preço eu vou à bancarrota!”.  Humoristicamente, repliquei que se alguma vez acontecesse eu poder levar a melhor no negócio a um filho de Abraão considerar-me-ia um bom negociante, acrescentando:  “Diz lá, Sam, achas que entre ti e mim existe alguma ligação de sangue?”  Ele pareceu ficar surpreendido com a pergunta, mas replicou num abrir e fechar de olhos:  “Não, eu sou filho de Abraão!”  Perante a sua reacção insisti mais, dizendo-lhe:  “Eu sei, mas diz-me, tens alguma ligação com Adão?”  Aqui ele abaixou a cabeça e ficou sem resposta.  Ele conhecia bastante bem o Velho Testamento.  E depois disse ainda: “Desta vez apanhou-me!”  Ele sabia que éramos ambos filhos de Adão.

10 Nota: “As coisas que estão debaixo da terra” são aqui excluídas.

CORNELIUS  R.  STAM
 
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