Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (LXXVII)

crstam.jpgO EVANGELHO DA INCIRCUNCISÃO

     Enquanto os Evangelhos do reino e da circuncisão foram proclamados por nosso Senhor na terra e pelos doze apóstolos, o Evangelho da incircunsição foi confiado a Paulo - e os doze reconheciam isso, pois em Gál. 2:7 Paulo diz que os seus líderes “viram que o Evangelho da incircuncisão (lhe) estava confiado”.

     No Evangelho da incircuncisão tudo é por graça e por meio da fé.  Estas boas novas não se baseiam em qualquer concerto,  7  pois o Apóstolo Paulo, ao proclamá-las, leva-nos atrás, para antes de David e de Abraão, a Abrão, o pagão ímpio que recebeu plena justificação apenas pela fé muito tempo antes de ter sido circuncidado.

     Provando com o caso do próprio Abraão que Deus não era obrigado a justificar apenas os circuncisos, ou a enviar salvação aos pagãos por seu intermédio, ele salienta que Deus justificou o próprio pai da nação Hebraica por graça, por meio da fé, totalmente à parte da circuncisão, e que ele recebeu a circuncisão anos mais tarde como sinal da justiça que já tinha recebido pela fé:

     “Vem pois esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente, ou também sobre a incircunsição?  Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão.  COMO LHE FOI POIS IMPUTADA?  ESTANDO NA CIRCUNCISÃO OU NA INCIRCUNCISÃO? NÃO NA CIRCUNCISÃO, MAS NA INCIRCUNCISÃO.   E RECEBEU O SINAL DA CIRCUNCISÃO, SELO DA JUSTIÇA DA FÉ QUANDO ESTAVA NA INCIRCUNCISÃO, PARA QUE FOSSE PAI DE TODOS OS QUE CRÊEM, ESTANDO ELES TAMBÉM NA INCIRCUNCISÃO, A FIM DE QUE TAMBÉM A JUSTIÇA LHES SEJA IMPUTADA” (Rom. 4:9-11).

     O apóstolo demonstrou assim que só porque Deus escolheu a semente de Abraão com o canal por meio do qual abençoaria todas as nações, eles não deveriam presumir que Ele não os podia abençoar doutra forma qualquer; muito menos que Ele apenas pretendia abençoar e salvar Israel, pois Deus justificara o seu próprio pai Abraão por meio da fé, totalmente à parte da circuncisão.  Porque é que Ele não poderia agora fazer o mesmo?

     Nós não devemos perder de vista o facto de que enquanto “o Evangelho da circuncisão” é exclusivo, “o Evangelho da incircuncisão” é inclusivo, abrangendo todos os crentes, quer Judeus quer Gentios, pois a força do argumento de Paulo em Romanos 4 é que a fé foi imputada a Abraão como justiça antes dele ter sido circuncidado “para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão”.   Assim, “o Evangelho da incircuncisão” abrange tanto Judeus como Gentios.  Na realidade, é significantíssimo que em face da rejeição de Cristo por parte de Israel, Deus envie agora Paulo a salientar isto e a oferecer a salvação apenas pela fé tanto a Judeus como a Gentios.

     Sob “o Evangelho do reino” os doze tinham sido explicitamente mandados a não irem aos Gentios e aos Samaritanos, mas apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 10:5-6).  Sob “o Evangelho da circuncisão” os mesmos apóstolos foram explicitamente instruídos a irem primeiro a Israel (Lucas 24:47; Actos 1:8).  Em ambos os casos a razão foi que Deus tinha prometido abençoar as nações por meio da nação de Israel.

     Porém agora, com a recusa de Israel em se tornar o canal de bênção, Deus suspende temporariamente o cumprimento dos concertos, ergue um outro apóstolo, e envia-o com o glorioso “Evangelho da incircuncisão”, no qual:

     “NÃO HÁ DIFERENÇA  ENTRE JUDEU E GREGO: PORQUE UM MESMO É O SENHOR DE TODOS, RICO PARA COM TODOS OS QUE O INVOCAM.  PORQUE TODO AQUELE QUE INVOCAR O NOME DO SENHOR SERÁ SALVO” (Rom. 10:12-13).

     Deverá ser cuidadosamente notado que o ministério de Paulo aos Gentios com “o Evangelho da incircuncisão” substituiu o ministério terreno do Senhor e o ministério Pentecostal dos doze.  Isso é enfaticamente declarado em duas passagens em Romanos e Gálatas.  A primeira, em Romanos 15, mostra como o ministério de Paulo substituiu o de Cristo na terra:

     “Digo pois que Jesus Cristo FOI ministro da circuncisão (a nação Hebraica), por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais;  E para que os Gentios glorifiquem a Deus pela Sua misericórdia, como está escrito ...” (Rom. 15:8-9).

     Isto estava de harmonia com o programa profético.  Cristo confirmou as promessas feitas aos pais.  Se Israel tivesse aceitado Cristo em Pentecostes, estas promessas (da sua bênção futura) ter-se-iam cumprido e os Gentios teriam glorificado a Deus pela Sua misericórdia (com o farão um dia).

     Mas apesar destas promessas terem sido tão conclusivamente confirmadas, Israel rejeitou Cristo e agora Paulo, por inspiração, escreve aos crentes Romanos:

     “Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada;  QUE SEJA MINISTRO DE JESUS CRISTO ENTRE OS GENTIOS, MINISTRANDO O EVANGELHO DE DEUS, PARA QUE SEJA AGRADÁVEL A OFERTA DOS GENTIOS, SANTIFICADA PELO ESPÍRITO SANTO (Rom. 15:15-16).

     A segunda passagem, em Gálatas 2, mostra como o ministério de Paulo substituiu o dos doze:

     “E subi por uma revelação, e lhes expus o Evangelho, que prego entre os Gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.”   ANTES ... QUANDO VIRAM QUE O EVANGELHO DA INCIRCUNCISÃO ME ESTAVA CONFIADO, COMO A PEDRO O DA CIRCUNCISÃO”   E CONHECENDO TIAGO, CEFAS E JOÃO, QUE ERAM CONSIDERADOS COMO AS COLUNAS, A GRAÇA QUE SE ME HAVIA DADO, DERAM-NOS AS DEXTRAS, EM COMUNHÃO COMIGO E COM BARNABÉ, PARA QUE NÓS FOSSEMOS AOS GENTIOS, E ELES À CIRCUNCISÃO” (Gál. 2:2, 7, 9).

     Notemos bem: os doze, que tinham sido primeiramente enviados a “todo o mundo” pregar “o Evangelho” a “toda a criatura” “começando por Jerusalém”, reconheciam agora que o presente cumprimento desta grande comissão tinha sido interrompido por meio da incredulidade de Israel e, reconhecendo a nova comissão dada a Paulo, os seus líderes deram as dextras da comunhão a Paulo e Barnabé num acordo solene em que ficava assente que Paulo, com Barnabé, deveria ir aos Gentios, enquanto que eles restringiriam o seu ministério a Israel.  Foi assim que Paulo pôde escrever em Rom. 11:13:

     “PORQUE CONVOSCO FALO, GENTIOS, QUE, ENQUANTO FOR APÓSTOLO DOS GENTIOS, GLORIFICAREI O MEU MINISTÉRIO”.


7 Mesmo apesar da bênção de Abraão vir agora sobre os Gentios por meio de Cristo (Gál. 3:14, 16).

8 Romanos 1:16 de modo algum contradiz isto.  A dificuldade é que alguns, tirando este versículo fora do seu contexto, supõem que Paulo ensina aqui que o evangelho ainda deveria ir primeiro aos Judeus, quando toda a passagem (Rom. 1:13-16) é uma defesa da sua ida aos Gentios, tendo o evangelho ido primeiro aos Judeus.  Uma vez as boas novas de Deus serem agora todas de graça, ninguém é primeiro.  Isto será mais discutido num capítulo mais adiante.

CORNELIUS  R.  STAM
 
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