Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (LXXII)

crstam.jpgSÓ HÁ UM EVANGELHO?

     Se, tecnicamente, é incorrecto chamar aos quatro registos, quatro Evangelhos, é igualmente incorrecto dizer, como têm dito muitas vezes, que as Escrituras só apresentam um evangelho.

     Primeiramente, a palavra Evangelho (Gr. evangelion) significa simplesmente boas novas e dizer que a Bíblia só apresenta um Evangelho é o mesmo que dizer que ao longo dos séculos Deus enviou ao homem apenas uma única notícia de boas novas.

     Segundo, Deus usa termos distintos para designar as várias notícias de boas novas: por exemplo, “o Evangelho (boas novas) do reino” (Mateus 9:35), “o Evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24), “o Evangelho da incircuncisão” (Gál. 2:7), etc.  É claro que se Deus faz distinções entre estes Evangelhos eles não podem ser exactamente o mesmo.

     Em terceiro lugar, deverá ser notado que Deus tem revelado as Suas boas novas ao homem progressivamente.  A Adão e Eva Ele proclamou o Evangelho, ou as boas novas, de que um dia a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente (Gén.3:15).  A Abraão Ele proclamou o Evangelho, ou boas novas, de que nele todas as nações seriam abençoadas (Gál. 3:8).  E ao longo de todas as Escrituras do Velho Testamento nós vemos Deus a proclamar ao homem cada vez mais boas novas.  Finalmente o Senhor enviou os Seus apóstolos a proclamarem “o Evangelho do reino” (Ver Lucas 9:1-6), e notemos bem: nessa altura eles não sabiam sequer que Cristo iria morrer.  Nesta relação leiamos cuidadosamente, Lucas 18:31-34):

     “E, tomando Consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no filho do Homem tudo o que pelos profetas foi escrito;  Pois há-de ser entregue às Gentes, e escarnecido, injuriado e cuspido;  E, havendo-O açoitado, O matarão; e ao terceiro dia ressuscitará.  E ELES NADA DISTO ENTENDIAM, E ESTA PALAVRA LHES ERA ENCOBERTA, NÃO PERCEBENDO O QUE SE LHES DIZIA” (Lucas 18:31-34).

     Notemos cuidadosamente que depois dos apóstolos terem estado a pregar “o Evangelho” durante já há algum tempo (talvez dois ou mais anos) não tinham a menor ideia de que é que o Senhor lhes estava a falar, quando Ele predisse a Sua morte.  1  É óbvio, então, que “o Evangelho” que eles pregavam não era “o Evangelho” que Paulo pregaria mais tarde, ou seja, “o Evangelho” pelo qual somos salvos (Ver I Cor. 15:1-4)-  “O evangelho” que eles pregavam era “o Evangelho do reino” (Mateus 9:35 cf. Lucas 9:2), e não “a pregação da cruz” (I Cor. 1:18).

     Isto conduz-nos ainda a um outro assunto de importância vital na consideração das boas novas de Deus para com o homem: Se um amigo chegasse ao pé do leitor e lhe dissesse: “Ouviste as boas novas?  O leitor perguntar-lhe-ia naturalmente: “Que boas novas?”  No nosso estudo das Escrituras também devemos fazer sempre esta pergunta quando o termo “o Evangelho” se nos depara, pois este termo só por si não indica, de forma alguma, as boas novas que possam ser.

     Isto é ilustrado na passagem acima referida.  Lucas 9:6 diz que os apóstolos “saindo ... percorreram todas as aldeias, anunciando o Evangelho”.  Tem sido frequentemente assumido daqui que eles tinham ido pregar a salvação por meio da cruz, como nós o fazemos.  No entanto Lucas 18:31-34 torna claro que eles não tinham sequer a menor ideia de que Cristo morreria.  E um relance ao contexto em Lucas 9 tornará tudo ainda mais claro, pois lemos no versículo 2: “E enviou-os a pregar O REINO DE DEUS”, não a Sua morte pelo pecado.

     Assim, do que tem sido salientado, torna-se evidente que neste capítulo poder-se-iam discutir muitos Evangelhos.  Contudo, limitar-nos-emos a cinco, pois neles encontramos algo da filosofia dos tratos de Deus com os homens.

     Antes de tratarmos separadamente com cada um desses Evangelhos, o leitor deverá notar cuidadosamente o seguinte:

     1.  O Evangelho do reino leva-nos atrás, a David, com quem foi feito o concerto do reino.

     2.  O Evangelho da circuncisão leva-nos atrás, para antes de David, a Abraão, com quem foi feito o concerto da circuncisão.

     3.  O Evangelho da incircuncisão leva-nos atrás, para antes de David e Abraão, a Abrão, que, como pagão incircuncidado, foi justificado pela fé.

     4.  A mensagem da reconciliação  2  leva-nos atrás, para antes de David, Abraão e Abrão, a Adão, o “um homem” por quem o mundo foi alienado de Deus.

     5.  O mistério  3  leva-nos atrás, para antes de David, Abraão, Abrão e Adão, ao próprio Deus, e ao “beneplácito da Sua vontade”.


1 Mesmo apesar dos profetas a terem predito há muito e dos apóstolos deverem ter crido neles (Lucas 24:25).

2 Ver a próxima nota.

3 Estavam ambos unidos às ordenanças e sinais.  A circuncisão era o sinal do Concerto Abraâmico (Gen. 17:11).  O baptismo na água era o sinal do Concerto Davídico (Êxo. 29:4; cf. Êxo. 19:5-6; Is. 61:6; Mat. 3:1-6).

CORNELIUS  R.  STAM
 
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