Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XLIV)

crstam.jpgPAULO NÃO UM DOS DOZE

     Os discípulos são ocasionalmente acusados de terem actuado na carne quando escolheram Matias para ocupar o lugar de Judas como décimo segundo apóstolo.  É argumentado por alguns que em primeiro lugar os discípulos não tinham nada que escolher um décimo segundo apóstolo.  Depois, argumentam mais, escolheram primeiro arbitrariamente dois candidatos e depois pediram ao Senhor que dos dois Ele escolhesse um para ocupar o lugar vago.  Os que argumentam assim dizem geralmente que Paulo, não Matias, é que foi a escolha de Deus para o lugar de Judas.

     Todavia esta acusação não se baseia numa leitura cuidadosa do registo dos Actos, nem num conhecimento cabal das Escrituras que têm a ver com o assunto.  Examinemos o registo:

     1.  Os apóstolos, tendo Pedro como seu chefe, tinham recebido autoridade para actuarem oficialmente durante a ausência de Cristo (Mateus 16:19; 18:18-19).

     2.  Encontrava-se declarado nos Salmos que devia ser apontado outro para o lugar de Judas (Salmo 109:8; Actos 1:20).

     3.  O décimo segundo apóstolo tinha de ser escolhido antes do reino poder ser oferecido em Pentecostes (Mateus 19:28).  Notemos como Pedro se ergue com os onze em Actos 2:14.

     4.  A acção deles foi literalmente permeada de oração. Eles não avançaram senão depois de muitos dias de oração unida (Lucas 24:49; cf. Actos 1:12-15), e quando encontraram dois candidatos oraram de novo e deixaram a escolha final com Deus (Actos 1:24-26).

     5.  É provável que não houvessem mais que dois (Matias e José Barsabás) que fossem elegíveis para o apostolado, pois apenas podiam ser qualificados aqueles que tinham seguido Cristo durante todo o Seu ministério terreno, “começando desde o baptismo de João até ao dia em que dentre nós foi recebido em cima ...” (Actos 1:21-22; cf. Mateus 19:28; Nota: “Vós que Me seguistes”).  De certo que não haveriam muitos.

     6.  Por esta razão Paulo não podia ser elegível.  Ele nem sequer viu Cristo, senão depois da Sua ascensão!

     7.  Paulo nem sequer se encontrava salvo nessa altura.  Na verdade, depois disso ele “perseguia a igreja de Deus e a assolava” (Gál. 1:13).

     8.  A prova final e conclusiva em como os onze actuaram segundo a vontade de Deus nesta questão vê-se claramente no facto das Escrituras declararem que  Matias “foi contado com os onze apóstolos”  (Actos 1:26) e que,

     “ELES FORAM TODOS CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO” (Actos 2:4).

     Com toda a certeza que se os discípulos se encontrassem fora da vontade de Deus em assunto tão importante, não teriam sido cheios do Espírito Santo.  Nem Matias teria sido cheio do Espírito Santo se não tivesse sido divinamente escolhido para aquela posição particular.  Um homem fora da vontade de Deus nunca é cheio do Espírito Santo.

     Certamente que isto indica que o apostolado de Paulo era separado e distinto do dos doze.  Paulo não podia ser considerado um dos doze, pois da mesma forma que onze apóstolos teriam sido poucos para os planos do reino de Deus, treze teriam sido demasiado.  No reino haverá doze tronos, além do de Cristo, e não treze.  Paulo pertencia assim a um outro programa e foi enviado a proclamar uma outra mensagem.

     Nesta relação é significante ver Paulo falar também dos doze como um corpo de apóstolos separado quando diz que o Cristo ressuscitado foi “visto ... pelos doze” (I Cor. 15:5).  Esta referência inspirada aos doze apóstolos entre a ressurreição e a ascensão, é uma prova adicional de que Matias foi considerado por Deus um dos doze desde o princípio.  Ele encontrava-se aparentemente com os apóstolos quando o Cristo ressuscitado lhes apareceu (Actos 1:21-23).

     Na verdade, Paulo fala consistentemente do seu apostolado e do dos doze como sendo distintos um do outro.  Ele diz na sua carta aos Gálatas:

     “Mas faço-vos saber, irmãos, que O EVANGELHO QUE POR MIM FOI ANUNCIADO NÃO É SEGUNDO OS HOMENS.

     “PORQUE O NÃO RECEBI, NEM APRENDI DE HOMEM ALGUM, MAS PELA REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO” (Gál. 1:11-12).

     “NEM TORNEI LOGO A JERUSALÉM A TER COM OS QUE JÁ ANTES DE MIM ERAM APÓSTOLOS, MAS PARTI PARA A ARÁBIA ...” (Gál. 1:17).

     “E SUBI POR UMA REVELAÇÃO, E LHES EXPUS O EVANGELHO, QUE PREGO ENTRE OS GENTIOS”  (Gál. 2:2).

     “E CONHECENDO TIAGO, CEFAS E JOÃO, QUE ERAM CONSIDERADOS COMO AS COLUNAS, A GRAÇA QUE SE ME HAVIA DADO, DERAM-NOS AS DEXTRAS, EM COMUNHÃO COMIGO E COM BARNABÉ, PARA QUE NÓS FOSSEMOS AOS GENTIOS, E ELES À CIRCUNCISÃO”  (Gál. 2:9).
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CORNELIUS  R.  STAM
 
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