Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XLIII)

crstam.jpgO APÓSTOLO PAULO
 
     Solicita-se ao leitor que tome tempo para comparar os parágrafos precedentes com os que se vão seguir, e compare assim o ministério de Paulo com o dos doze.

     1.  Ao contrário dos doze, Paulo foi escolhido por Cristo no céu (Actos 9:3-5; 26:16).

     2.  Ele apenas conhecia Cristo no céu, nunca O tendo visto na terra (Actos 26:16; I Cor. 15:8).

     3.  Paulo, como um único apóstolo, representa o Corpo de Cristo. 2

     Aqui, o estudante inteligente das Escrituras notará uma vez mais que enquanto o número doze nunca se encontra associado com o corpo de Cristo, o número um encontra-se consistentemente associado a ele: “Nós, que somos muitos, somos um só corpo” (Rom. 12:5), “Por um só Espírito fomos todos baptizados num só corpo” (I Cor. 12:13), “Há  um só corpo” (Ef. 4:4), etc.

     Além disso, o corpo é constituído de inimigos, reconciliados com Deus por meio da morte do Seu Filho (Col. 1:21-22).  Que exemplo perfeito foi Paulo disso!

     Mais, Paulo era tanto Hebreu como Romano.  Ele era um Hebreu nado (Fil. 3:5) e nato (Fil. 3:5-6).  Mas também era Romano, um Romano nado e nato.

     Quando os magistrados em Filipos comunicaram que Paulo e Silas seriam libertados, Paulo recusou sair, dizendo:

     “AÇOITARAM-NOS PUBLICAMENTE, E, SEM SERMOS CONDENADOS, SENDO HOMENS ROMANOS, NOS LANÇARAM NA PRISÃO, E AGORA ENCOBERTAMENTE NOS LANÇAM FORA?  NÃO SERÁ ASSIM; MAS VENHAM ELES MESMO E TIREM-NOS PARA FORA”  (Actos 16:37).

     Eles exigiram aqui uma desculpa da parte dos magistrados Romanos e, notemos bem, os magistrados “vindo, lhes dirigiram súplicas, e tiraram-nos para fora” (ver. 39).

     Mais tarde, em Jerusalém, enquanto os soldados amarravam Paulo para o açoitar, ele disse ao centurião que estava ali: “É-vos lícito açoitar um Romano, sem ser condenado? (Actos 22:25).

     Quando esta questão foi reformulada ao tribuno, que tinha ordenado os açoites, este fez-se repentinamente amigo de Paulo, explicando que lhe tinha custado muito dinheiro a obtenção da cidadania Romana.

     “E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão.  Paulo disse: MAS EU SOU-O DE NASCIMENTO” (Actos 22:28).

     E logo se apartaram dele os que o haviam de açoitar.  Eles não se queriam meter em problemas com o governo Romano devido ao seu erro.  “E até o tribuno teve temor ... porque o tinha ligado”  (Ver. 29).

     Paulo era natural de Tarso, “cidade não pouco célebre” aos olhos de Roma (Actos 21:39).  De facto, a sua posição como Romano era tão elevada, que ele tinha o direito de apelar pessoalmente para César a fim de ser julgado, como o fez.  Festo e o conselho Romano em Cesareia confirmaram o seu pedido (Actos 25:10-12).

     Porque é que o Espírito enfatiza assim a cidadania tanto Romana como Hebraica do apóstolo?  Simplesmente porque ele, conciliando na sua pessoa o Hebraico e o Romano, representa o corpo de Cristo, a Igreja desta dispensação, que é composta de Judeus e Gentios reconciliados com Deus num só corpo, pela cruz (Ef. 2:16).

     4.  Paulo foi enviado a proclamar “o Evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24; Ef. 3:1-3).  Apesar de ele ter confirmado o facto de Jesus ser o Messias de Israel, ele nunca proclamou o reino como tendo chegado nem o ofereceu para Israel o aceitar.  Até então os doze nunca proclamaram o Evangelho da graça de Deus.

     5.  Apesar de no princípio Paulo ter tido “os sinais do seu apostolado”, o seu poder para realizar milagres foi removido em relação com a sua mensagem dada por Deus (Rom.8:22-23; I Cor. 13:8-13; II Cor. 4:16; 5:1-4; 12:7-10; Fil. 2:26-27; I Tim. 5:23; II Tim. 4:20).

     6.  A mensagem de Paulo não se baseava em promessas de concertos nem em profecias, mas totalmente na graça de Deus (Rom. 3:21-28;  Ef. 1:7; 2:7).  A mensagem de Paulo era um segredo, oculto até então (Rom. 16:25;  Ef. 3:1-3), tendo-lhe sido gradualmente revelada a ele e por seu intermédio (Actos 26:16; 22:17-18;  II Cor. 12:1-7).

     7.  Na sua mensagem os Judeus e Gentios encontravam-se ao mesmo nível, diante de Deus (Rom. 3:22-23; 10:12-13).

     8.  O principal ministério de Paulo era entre os Gentios (Rom. 11:13;  Ef. 3:1-2).  Quando ele quis ministrar em Jerusalém o Senhor impediu-o, dizendo-lhe: “Vai, porque hei-de enviar-te aos Gentios de longe”.  (Actos 22:21).

     9.  Com o levantamento de Paulo a nação de Israel foi encerrada em incredulidade.  O Senhor disse a Paulo:  “ELES NÃO RECEBERÃO O TEU TESTEMUNHO ACERCA DE MIM” (Actos 22:18).

     Assim, a mensagem de Paulo, ao contrário da dos doze, baseava-se na rejeição a que Israel votou Cristo, e explicava a Sua ausência contínua (Ef. 1:18-2:6;  Fil. 2:9;  Col. 3:1-3;  Heb. 2:8-9).

     10.  Nem o baptismo na água nem os sinais miraculosos se encontravam incluídos na comissão especial de Paulo, nem nenhum deles teve algo a ver com a salvação, sob o seu ministério.  É verdade que no princípio Paulo baptizou alguns; que circuncidou pelo menos um; que tinha “os sinais dum apóstolo”, todavia isso aconteceu na economia sob a qual ele foi salvo e da qual ele emergiu gradualmente.  Além disso ele declara claramente que não pregava a circuncisão (Gál. 5:11), não fora enviado a baptizar (I Cor. 1:17) e que os poderes miraculosos que possuía desapareceriam (I Cor. 13:8-10).


2  Há outros “apóstolos” que são mencionados em relação com Paulo, porém sempre num sentido secundário.  Em Actos 14:14, por exemplo, Barnabé, companheiro de Paulo nas suas viagens, é mencionado como apóstolo juntamente com ele, mas de acordo com Gál. 2 foi Paulo que saiu “por uma revelação” e comunicou aos líderes ali o Evangelho que ele pregava entre os Gentios.  Quando eles “viram” que o Evangelho da incircuncisão tinha sido confiado a Paulo e “conheceram”  a graça que lhe havia sido dada, deram a Paulo e Barnabé as dextras da comunhão (Gál. 2:2-9).  Não existe qualquer base para a declaração de que “para o corpo havia oito apóstolos como havia doze para Israel”.  Paulo não se está a gloriar quando diz, pelo Espírito: “Eu sou o apóstolo dos Gentios; Eu magnificarei o meu ministério" (Rom. 11:13).

CORNELIUS  R.  STAM
 
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (I)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (III)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (IV)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (V)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (VI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (VII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (VIII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (IX)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (X)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XIII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XIV)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XV)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XVI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XVII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XVIII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XIX)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XX)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXIII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXIV)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXV)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXVI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXVII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXVIII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXIX)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXX)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXIII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXIV)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXV)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXVI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXVII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXVIII)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXIX)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XL)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XLI)
Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XLII)

Sermões e Estudos

Carlos Oliveira 26ABR26
Como vencer a depressão

Tema abordado por Carlos Oliveira em 26 de abril de 2026

Carlos Oliveira 24ABR26
Perigo despercebido

Tema abordado por Carlos Oliveira em 24 de abril de 2026

Fernando Quental 19ABR26
O perigo de nos tornarmos religiosos

Tema abordado por Fernando Quental em 19 de abril de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:2,3

Estudo realizado em 22 de abril de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário