Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXVIII)

crstam.jpgPEDRO E O MISTÉRIO

     Nós já vimos que Pedro não estava errado quando declarou em Pentecostes que os últimos dias tinham começado.  Eles tinham realmente principiado, mas Deus tinha um propósito secreto que consistia em dar ao mundo um período de graça antes de aniquilar a sua rebelião e de enviar Cristo para reinar.

      Todavia a interrupção do programa do reino com a dispensação da graça também derrama luz sobre algumas das últimas palavras registadas de Pedro.

     Ao na sua segunda epístola escrever respeitantemente acerca da demora do retorno de Cristo à terra e da introdução do dia do Senhor, ele diz:

     “Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que UM DIA PARA O SENHOR É COMO MIL ANOS, E MIL ANOS COMO UM DIA” (II Pedro 3:8).

     Notemos que esta não é a nossa explicação débil que damos agora para explicarmos a demora do retorno de Cristo.  Esta declaração foi feita no começo deste tempo de espera; no despontar da dispensação da graça, e indica claramente que Pedro reconhecia então que tinha ocorrido uma interrupção no programa.  Mas continuemos com a sua declaração:

     “O Senhor NÃO RETARDA a Sua promessa, ainda que alguns ainda a tenham por tardia; MAS É LONGÂNIMO para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (II Pedro 3:9).

     Assim, a demora não deve ser tida como lassidão ou negligência da parte do Senhor, mas como longanimidade.  E vejamos agora o versículo 15:

     “E tende por SALVAÇÃO  a longanimidade de nosso Senhor ...”

     Onde é que Pedro obteve tudo isto?  Como é que ele veio ao conhecimento da dispensação da graça?  Continuemos com o versículo 15:

     “COMO TAMBÉM O NOSSO IRMÃO PAULO VOS ESCREVEU, SEGUNDO A SABEDORIA QUE LHE FOI DADA”.

     Isto foi escrito mais de trinta anos depois de Pentecostes e foi por essa altura que Pedro aprendeu de Paulo acerca da dispensação da graça.

     Assim, Pedro e Paulo não operaram em propósitos cruzados, nem pregaram mensagens contraditórias.  Deus simplesmente deu a Paulo uma revelação ulterior de verdade.

     Foi algum tempo depois de Paulo ter sido enviado com “o Evangelho da graça de Deus”, que foi a Jerusalém “por revelação” e comunicou a Pedro e aos outros “o Evangelho que (ele pregava) entre os Gentios” (Gál. 2:2).  Pedro e os restantes “viram” e “compreenderam” que uma nova revelação lhe tinha sido confiada (a Paulo) e, longe de discordarem, “deram a Paulo e a Barnabé as dextras da comunhão” (Gál. 2:7-9).

     Assim, apesar dos últimos dias da profecia terem na verdade começado em Pentecostes, Pedro, na sua última epístola, indica uma demora no retorno de Cristo para julgar e reinar e reconhece isto como uma verdade revelada por meio de Paulo (II Pedro 3:3-16).

     Finalmente, tanto Pedro como Paulo ensinam que a demora se deve totalmente à graça, não havendo qualquer certeza quanto à duração da dispensação da longanimidade de Deus (II Cor. 5:20-6:2; II Pedro 3:8).

     Que efeito tudo isto deveria ter sobre a nossa conduta e serviço para Cristo!  Estamos, por assim dizer, nos tensos dias situados entre a declaração de guerra do homem a Deus e a contra declaração de Deus (Salmo 2:1-5); escassos dias de graça em que os embaixadores de Cristo são autorizados a oferecer reconciliação a quaisquer indivíduos que O recebam como Salvador e Senhor. O próximo passo no programa divino é o brado com que Ele recolherá os Seus embaixadores e declarará guerra aos que desprezaram a Sua graça.
 
CORNELIUS  R.  STAM
 
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