Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XI)
A HARMONIA ENTRE OS PRINCÍPIOS E ASDISPENSAÇÕES DE DEUS
Mas os princípios e as dispensações de Deus não se chocam? De modo algum. Em todas as dispensações os homens sempre se salvaram simplesmente por crerem em Deus e se aproximarem d’Ele da maneira por Ele requerida. Quando as obras eram requeridas para a salvação, elas não salvavam como tais, mas apenas como expressão de fé requerida. Com os santos do Velho Testamento a oferta dos sacrifícios requeridos, etc., constituía “a obediência da fé”. Connosco, o descansar na obra consumada de Cristo para a salvação é “a obediência da fé”. Ver Romanos 1:5; 6:17; 15:18; 16:26; Hebreus 5:9; 11:8.
Quando Deus diz: “Oferece um animal em sacrifício e Eu aceitar-te-ei”, o que faz a fé? Certamente que a fé oferece um animal em sacrifício. Abel fez isso e foi aceite, não porque o sangue dos animais pudesse tirar os pecados, mas porque se aproximou de Deus da forma por Ele requerida. “A obediência da fé” é isto.
No caso de Caím temos uma indicação clara de que Deus não fica satisfeito com meras obras, como tais, pois Caím ofereceu um sacrifício muito mais atraente à vista que Abel, e foi rejeitado, porque não trouxe o sacrifício que Deus requerera (Gén. 4:5).
Quando Deus diz. “Constrói uma arca e salvar-te-ei a ti e aos teus do dilúvio”, o que faz a fé? Certamente que a fé constrói uma arca. E quando Noé a construiu revelou a sua fé em Deus e “tornou-se herdeiro da justiça que é pela fé”.
Quando Deus diz: “Obedece à minha voz e serás Meu”, o que faz a fé? A fé tenta obedecer fervorosamente. Dizes tu: Mas eles não podiam obedecer perfeitamente, por isso seriam rejeitados por Deus. Nós replicamos que já provámos que, em si mesmas, as obras não podem salvar. Era somente quando os Israelitas reconheciam a lei como a Palavra de Deus para eles e por essa razão procuravam obedecer-lhe que eram salvos. Um tal esforço em guardar a lei representava “a obediência da fé”.
Quando Deus diz. “Arrependei-vos e sede baptizados para a remissão de pecados”, o que faz a fé? Somente uma única coisa: arrepender-se e ser baptizada. Nós sabemos que oceanos de água não podem lavar um único pecado, no entanto quando João Baptista e Pedro pregaram o arrependimento e o baptismo para a remissão de pecados nenhum dos seus ouvintes interpretou as palavras deles como significando: “Confiai na morte de Cristo para a vossa salvação”. Na verdade, quando Deus requeria o baptismo na água para a salvação a única maneira de se revelar fé era ser-se baptizado, e os que se recusassem a fazê-lo seriam condenados pela sua incredulidade:
“Mas os Fariseus e os doutores da lei REJEITARAM O CONSELHO DE DEUS CONTRA SI MESMOS, NÃO TENDO SIDO BAPTIZADOS POR ELE” (Lucas 7:30).
E quando Deus diz, “MAS AGORA se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus” (Rom. 3:21); “Aquele que não pratica, mas crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rom 4:5); “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rom. 3:24); “Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (Ef. 1:7); “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou” (Tito 3:5); “Não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie” (Ef. 2:8-9) - quando Deus agora diz isto, o que fará a fé? A fé diz: “Esta é a oferta mais maravilhosa jamais feita por Deus ao homem. Não posso recusá-la. Confio em Cristo como meu Salvador e aceito a salvação como Dom gratuito da graça de Deus”.
Assim as dispensações de Deus de forma alguma se chocam com os Seus princípios, pois os santos do Velho Testamento, apesar de salvos instrumentalmente 1 pelas obras, foram salvos essencialmente pela graça por meio da fé. Mas agora a justiça de Deus se há manifestado sem a lei (Rom. 3:21). Foi “testificada a seu tempo” por intermédio do Apóstolo Paulo (I Tim. 2:6-7). Ele diz que lhe foi dado a demonstrar “a Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador d’Aquele que tem fé em Jesus” (Rom. 3:26). Assim, o trazer hoje obras a Deus para a salvação seria incredulidade.
Um proeminente adversário destas verdades tem argumentado que a verdade é horizontal, e não vertical, isto é, que ela atravessa os séculos inalterável e imutável. Isso é verdade. A verdade é horizontal, mas a revelação da verdade é vertical, isto é, Deus tem revelado a verdade ao homem, não duma só vez, mas pouco a pouco, progressivamente, historicamente. Noé conhecia mais da revelação de Deus que Adão, Abraão que Noé, Moisés que Abraão, os doze que Moisés, Paulo que os doze.
Assim, também os princípios de Deus são horizontais; continuam imutáveis e inalteráveis ao longo dos séculos. Mas as dispensações são verticais e seguem-se umas após outras à medida que Deus comunica novas revelações ao homem.
No caso de Caím temos uma indicação clara de que Deus não fica satisfeito com meras obras, como tais, pois Caím ofereceu um sacrifício muito mais atraente à vista que Abel, e foi rejeitado, porque não trouxe o sacrifício que Deus requerera (Gén. 4:5).
Quando Deus diz. “Constrói uma arca e salvar-te-ei a ti e aos teus do dilúvio”, o que faz a fé? Certamente que a fé constrói uma arca. E quando Noé a construiu revelou a sua fé em Deus e “tornou-se herdeiro da justiça que é pela fé”.
Quando Deus diz: “Obedece à minha voz e serás Meu”, o que faz a fé? A fé tenta obedecer fervorosamente. Dizes tu: Mas eles não podiam obedecer perfeitamente, por isso seriam rejeitados por Deus. Nós replicamos que já provámos que, em si mesmas, as obras não podem salvar. Era somente quando os Israelitas reconheciam a lei como a Palavra de Deus para eles e por essa razão procuravam obedecer-lhe que eram salvos. Um tal esforço em guardar a lei representava “a obediência da fé”.
Quando Deus diz. “Arrependei-vos e sede baptizados para a remissão de pecados”, o que faz a fé? Somente uma única coisa: arrepender-se e ser baptizada. Nós sabemos que oceanos de água não podem lavar um único pecado, no entanto quando João Baptista e Pedro pregaram o arrependimento e o baptismo para a remissão de pecados nenhum dos seus ouvintes interpretou as palavras deles como significando: “Confiai na morte de Cristo para a vossa salvação”. Na verdade, quando Deus requeria o baptismo na água para a salvação a única maneira de se revelar fé era ser-se baptizado, e os que se recusassem a fazê-lo seriam condenados pela sua incredulidade:
“Mas os Fariseus e os doutores da lei REJEITARAM O CONSELHO DE DEUS CONTRA SI MESMOS, NÃO TENDO SIDO BAPTIZADOS POR ELE” (Lucas 7:30).
E quando Deus diz, “MAS AGORA se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus” (Rom. 3:21); “Aquele que não pratica, mas crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rom 4:5); “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rom. 3:24); “Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (Ef. 1:7); “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou” (Tito 3:5); “Não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie” (Ef. 2:8-9) - quando Deus agora diz isto, o que fará a fé? A fé diz: “Esta é a oferta mais maravilhosa jamais feita por Deus ao homem. Não posso recusá-la. Confio em Cristo como meu Salvador e aceito a salvação como Dom gratuito da graça de Deus”.
Assim as dispensações de Deus de forma alguma se chocam com os Seus princípios, pois os santos do Velho Testamento, apesar de salvos instrumentalmente 1 pelas obras, foram salvos essencialmente pela graça por meio da fé. Mas agora a justiça de Deus se há manifestado sem a lei (Rom. 3:21). Foi “testificada a seu tempo” por intermédio do Apóstolo Paulo (I Tim. 2:6-7). Ele diz que lhe foi dado a demonstrar “a Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja Justo e Justificador d’Aquele que tem fé em Jesus” (Rom. 3:26). Assim, o trazer hoje obras a Deus para a salvação seria incredulidade.
Um proeminente adversário destas verdades tem argumentado que a verdade é horizontal, e não vertical, isto é, que ela atravessa os séculos inalterável e imutável. Isso é verdade. A verdade é horizontal, mas a revelação da verdade é vertical, isto é, Deus tem revelado a verdade ao homem, não duma só vez, mas pouco a pouco, progressivamente, historicamente. Noé conhecia mais da revelação de Deus que Adão, Abraão que Noé, Moisés que Abraão, os doze que Moisés, Paulo que os doze.
Assim, também os princípios de Deus são horizontais; continuam imutáveis e inalteráveis ao longo dos séculos. Mas as dispensações são verticais e seguem-se umas após outras à medida que Deus comunica novas revelações ao homem.
1 Se eu utilizar uma chave de fendas para apertar um parafuso num pedaço de madeira, quem é que efectua a obra, a chave de fendas ou eu? Deveremos dizer que cada um de nós fez parte da obra? De modo algum. Num certo sentindo a chave de fendas fez tudo, pois eu nem sequer toquei no parafuso para efectuar a operação. Mas na realidade, a chave de fendas foi meramente o instrumento que eu utilizei, e essencialmente fui eu que fiz tudo.
Foi também assim com a salvação antes da dispensação da graça ter sido introduzida. Quando, por exemplo, Deus requeria o baptismo na água para a remissão de pecados, os homens só podiam conseguir o perdão dos seus pecados submetendo-se ao baptismo. Assim, instrumentalmente, foi o baptismo que lhes trouxe o perdão de pecados, no entanto, essencialmente, foi Deus que os salvou pela graça quando viu a fé deles.
Pode ser argumentado que num tal caso o crente exercitou fé no seu coração antes de ser baptizado, de tal forma que o baptismo não teve nada a ver com a sua salvação. A resposta é que ele creu que sendo baptizado seria aceite, e assim, no seu coração, foi já baptizado.
Esta é a resposta para os problemas onde as impossibilidades de se cumprirem os requisitos estabelecidos se encontram envolvidos.
Suponhamos, por exemplo, que um homem, que exercia fé genuína, se dispunha a oferecer um sacrifício ou a ser baptizado, quando, de repente, cai morto. Ele não seria aceite? Certamente que sim; simplesmente porque ele viera em fé cumprir o requisito. Assim o ladrão na cruz foi salvo sem o baptismo na água numa época em que o baptismo na água era requerido para a remissão de pecados, mas quem duvidará que ele se regozijaria se tivesse a oportunidade de ser baptizado, não tivesse sido crucificado a uma cruz?.
Foi também assim com a salvação antes da dispensação da graça ter sido introduzida. Quando, por exemplo, Deus requeria o baptismo na água para a remissão de pecados, os homens só podiam conseguir o perdão dos seus pecados submetendo-se ao baptismo. Assim, instrumentalmente, foi o baptismo que lhes trouxe o perdão de pecados, no entanto, essencialmente, foi Deus que os salvou pela graça quando viu a fé deles.
Pode ser argumentado que num tal caso o crente exercitou fé no seu coração antes de ser baptizado, de tal forma que o baptismo não teve nada a ver com a sua salvação. A resposta é que ele creu que sendo baptizado seria aceite, e assim, no seu coração, foi já baptizado.
Esta é a resposta para os problemas onde as impossibilidades de se cumprirem os requisitos estabelecidos se encontram envolvidos.
Suponhamos, por exemplo, que um homem, que exercia fé genuína, se dispunha a oferecer um sacrifício ou a ser baptizado, quando, de repente, cai morto. Ele não seria aceite? Certamente que sim; simplesmente porque ele viera em fé cumprir o requisito. Assim o ladrão na cruz foi salvo sem o baptismo na água numa época em que o baptismo na água era requerido para a remissão de pecados, mas quem duvidará que ele se regozijaria se tivesse a oportunidade de ser baptizado, não tivesse sido crucificado a uma cruz?.
CORNELIUS R. STAM
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