Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (IX)

crstam.jpg      Em Heb. 11:4 é-nos dito com precisão como Abel obteve testemunho divino de que era justo:

     “PELA FÉ ABEL OFERECEU A DEUS MAIOR SACRIFÍCIO DO QUE CAÍM, PELO QUAL ALCANÇOU TESTEMUNHO DE QUE ERA JUSTO; DANDO DEUS TESTEMUNHO DOS SEUS DONS, e por ele depois de morto ainda fala”
.

     Isto concorda com o registo de Gén. 4:4-5:

     “E atentou o Senhor para ABEL E para A SUA OFERTA,

     “Mas para CAIM E para A SUA OFERTA não atentou”.

     Não há aqui uma única palavra acerca da fé na morte de Cristo. Abel teve testemunho de que era justo porque trouxe o sacrifício requerido e Deus testificou, não da sua fé em Cristo, mas das suas ofertas.

     Em Heb. 11:7 é-nos dito também com exactidão como Noé se tornou herdeiro da “justiça que é pela fé”.

     “PELA FÉ NOÉ, divinamente avisado das coisas que ainda se não viam, temeu, e, para a salvação da sua família, PREPAROU A ARCA; PELA QUAL CONDENOU O MUNDO, E FOI FEITO HERDEIRO DA JUSTIÇA QUE É SEGUNDO A FÉ”.

     Poderia alguma coisa ser mais clara que isto? Como é que Noé se tornou herdeiro da justiça que é pela fé? Ao confiar na morte de Cristo que havia de vir? Não, mas ao crer no que Deus dissera acerca do dilúvio, e da edificação da arca.

     E assim até ao fim do capítulo. Cada um dos antigos obteve um bom testemunho porque creu na Palavra de Deus dirigida a si.

     Que dizer acerca de Abraão, o grande exemplo de fé da parte de Deus?  Como foi ele justificado?

     “Pois que diz a Escritura? CREU ABRAÃO A DEUS, E ISSO LHE FOI IMPUTADO COMO JUSTIÇA” (Rom. 4:3).

     Mas o que tinha Deus dito que Abraão creu? Tinha-lhe Deus falado acerca dum Cristo que havia de vir e que morreria numa cruz por ele?  Será bom lermos o registo e vermos, pois esta passagem de Romanos é uma citação de Gén. 15:5-6:

     “Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua semente.  E CREU ELE NO SENHOR, E FOI-LHE IMPUTADO ISTO POR JUSTIÇA.”

     Perguntemos de novo: poderia alguma coisa ser mais clara que isto?  Existe aqui alguma palavra a respeito da morte de Cristo? Certamente que não. Deus aqui simplesmente prometeu multiplicar a semente de Abraão e Abraão creu em Deus e confiou n’Ele guardando a Sua Palavra. Foi esta simples fé em Deus que Deus lhe contou por justiça.  Nós agora sabemos que foi na base da futura morte de Cristo que Deus podia fazer isto justamente, mas isso ainda não tinha sido revelado a Abraão.

     Mais tarde Deus deu a lei e exigiu obediência perfeita à mesma a fim de se poder ser aceite n’Ele (Êx. 19:5-6; Rom. 10:5). Certamente que Ele sabia que ninguém a poderia guardar perfeitamente, mas Ele também sabia que os verdadeiros crentes procurariam guardá-la fervorosamente e Ele honraria a fé deles n’Ele. Ele também tinha Cristo em mente para pagar a punição duma lei quebrada de modo a que a Sua justiça pudesse ser imputada àqueles que tinham tomado a sério a Sua Palavra.

     Que Ele teve sempre o plano da redenção em mente é indicado pelo facto de Ele ter de lhes pôr o concerto da lei num caixão 1  e de se encontrar com eles, por meio do seu sumo sacerdote, no propiciatório espargido com sangue; contudo Ele não lhes explicou o significado de tudo isto. Ele teve de demonstrar primeiramente a completa incapacidade da parte do homem em guardar a santa lei de Deus.

     Nós sabemos, por exemplo, que David foi realmente salvo pela graça de Deus, e não pelas suas próprias obras frágeis, mas suponhamos que ele tivesse proclamado a salvação “sem a lei” ou, como Paulo, tivesse dito: “Ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados”  (Col. 2:16)!  Ele depressa teria sido forçado a abdicar do trono e teria sido morto por desprezar a lei de Deus escrita.

     É-nos também dito com exactidão como os ouvintes de João Baptista receberam a remissão de pecados. Teria sido pela fé na morte de Cristo, que entretanto já tinha aparecido em cena? Analisemos as Escrituras e vejamos:

     “Apareceu João Baptista no deserto, e pregando O BAPTISMO DE ARREPENDIMENTO, PARA A REMISSÃO DE PECADOS” (Mar. 1:4).

     Se estas palavras não querem dizer o que dizem, então as Escrituras não servem para nada como revelação de Deus ao homem. 2 


     Suponhamos que enquanto João pregava o baptismo de arrependimento para remissão de pecados, se erguia um Israelita para dizer:

     “Àquele que não pratica, mas crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rom. 4:5)! Ele seria logo tomado e apedrejado de acordo com a lei.

     Sim, e positivamente é-nos igualmente dito como os cerca de 3000 em Pentecostes encontraram a remissão de pecados:

     “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos? E disse-lhes Pedro ...”

     O que é que ele lhes disse? Notemo-lo cuidadosamente. Será que disse: “Cristo morreu pelos vossos pecados. Confiai simplesmente n’Ele e a vida eterna será vossa”? Ele não disse isso. Procuraremos em vão em toda a sua mensagem Pentecostal uma tal declaração. Na verdade, os ouvintes de Pedro tinham-se tornado convictos porque ele os tinha acusado de culpa pela morte de Cristo. E quando eles perguntaram o que deveriam fazer, Pedro replicou:

     “ARREPENDEI-VOS, E CADA UM DE VÓS SEJA BAPTIZADO EM NOME DE JESUS CRISTO, PARA PERDÃO DOS PECADOS; E RECEBEREIS O DOM DO ESPÍRITO SANTO”  (Actos 2:37-38).

     Isto encontrava-se em perfeita conformidade com os requisitos da chamada “grande comissão” que a Igreja de hoje procura levar a cabo a meio fôlego:

     “E disse-lhes: ide por todo o mundo e pregai o Evangelho 3  a toda a criatura.  QUEM CRER E FOR BAPTIZADO SERÁ SALVO; MAS QUEM NÃO CRER  4  SERÁ CONDENADO” (Marcos 16:15-16). 

     Sabemos que alguns, para defenderem as suas próprias teorias sobre o baptismo, têm interpretado isto como significando “Quem crer e for salvo, deve ser baptizado”, mas num tal torcer das palavras claras das Escrituras não se pode senão desagradar a Deus e perverter a nossa compreensão do Seu programa.

     Tanto positiva como negativamente esperamos novamente pelo levantamento de Paulo para apreendermos “o Evangelho da graça de Deus”  (Actos 20:24), “a dispensação da graça de Deus” (Ef. 3;1-2) e “a pregação da cruz”, como boas novas a serem aceites pela fé para a salvação (I Cor. 1:18, 23; Gál. 6:14; Rom. 3:25-26).

     É então evidente que os santos dos séculos passados não eram todos salvos ao crerem nas mesmas coisas, pois Deus não lhes revelou a todos as mesmas coisas. Na realidade, até mesmo os termos declarados de salvação eram mudados de tempos a tempos
.
 
1 A arca do concerto foi realmente o caixão do concerto. A mesma palavra original é traduzida por caixão em Gén. 50:26.

2 Tivesse João compreendido tudo aquilo que agora nós vemos na sua declaração inspirada em João 1:29, e toda a sua mensagem seria diferente, contudo o tempo para tal ainda não tinha chegado.

3 Aqui muitos, antecipando revelação, supõem que os onze foram enviados a pregar “o Evangelho da graça de Deus”, o qual não é mencionado sequer antes de chegarmos a Paulo.

4 Quer seja baptizado ou não.

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