Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (V)
O princípio da lei, ou de justiça, por exemplo, tem continuado imutável ao longo dos séculos. Em qualquer dispensação, quando o erro é cometido, o sentido de justiça é ofendido. Isto pode ser demonstrado duma forma simples por três exemplos bíblicos:
Caím viveu antes da dispensação da lei dispensada por Moisés. Caím matou o seu irmão Abel. Estava isto certo ou errado? Será que ele se meteu em dificuldades devido a isso? É claro que sim, embora a lei escrita não tivesse sido ainda dada.
David viveu sob a lei de Moisés. Ele também cometeu homicídio. Estava isto certo ou errado? Errado, certamente, e ele também se meteu em dificuldades devido a isso.
Tu e eu vivemos depois da lei, sob a dispensação da graça. Suponhamos que cometíamos o acto de homicídio. Estaria isso certo ou errado? Meter-nos-iamos em dificuldades - com Deus? O facto de Cristo ter levado sobre si os nossos pecados no Calvário tornará o homicídio menos errado? Contemplará Deus esse acto como menos pecaminoso porque ocorreu sob a dispensação da graça?
Talvez digas, actualmente para o verdadeiro crente a plena condenação legal do pecado foi suportada por Cristo, e, ainda que o não soubesse, David também foi perdoado na base desse fundamento. Mas o mesmo facto de que os pecados de David e os nossos foram pagos, em vez de passados por alto não prova que os princípios da lei e da justiça permanecem fixos?
O princípio da graça é igualmente imutável. Isso pode ser demonstrado duma forma igualmente simples por meio duma passagem bíblica: Romanos 4:1-6:
Abraão viveu antes da dispensação da lei. Como foi ele justificado? “Abraão creu a Deus e isso lhe foi imputado como justiça” (Rom. 4:3).
David viveu sob a lei. Como foi ele justificado? “Assim também David declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras” (Rom. 4:6).
Tu e eu vivemos depois da lei, sob a dispensação da graça. Como somos nós justificados? “Aquele que não pratica, mas crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Rom. 4:5).
Ora nos casos de Abraão e de David, as obras eram requeridas para a salvação; enquanto que no nosso caso as obras para a salvação são claramente proibidas; ainda assim e apesar de tudo as passagens acima citadas evidenciam com clareza que Abraão, David e nós fomos todos salvos essencialmente pela graça por meio da fé e que as obras como tais nunca tiveram em si qualquer valor salvador.



