Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (III)
Simpatizamos com os que têm começado a estudar a Bíblia dispensacionalmente e têm ficado confusos. No seu início, o estudo de quase todas as coisas é confuso, mas quando há perseverança da nossa parte, começamos a compreender e a colher os frutos do nosso trabalho. Na verdade, para qualquer pessoa inteligente, as Escrituras continuam a ser confusas até que se aprenda a manejá-las ou dividi-las e a compreendê-las bem. E que gozo se pode comparar ao ter a compreensão mais plena da Palavra de Deus?
A respeito do grande reavivamento espiritual no tempo de Esdras, quando a lei foi lida e explicada ao povo de Israel, está escrito o seguinte:
“Então todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes festas; PORQUE ENTENDERAM AS PALAVRAS QUE LHES FIZERAM SABER” (Neem. 8:12).
Na manhã da ressurreição, dois discípulos iam a caminho de Emaús, cansados e com o coração partido porque o Seu Mestre tinha sido crucificado. Eles não compreendiam que segundo a Palavra profética Ele devia sofrer e morrer antes de entrar na glória. Então, sem que se desse a conhecer, o Senhor Jesus aproximou-se deles e explicou-lhes isso pelas Escrituras até eles entenderem, crerem e se regozijarem.
“E disseram um para o outro: PORVENTURA NÃO ARDIA EM NÓS O NOSSO CORAÇÃO QUANDO, PELO CAMINHO, NOS FALAVA, E QUANDO NOS ABRIA AS ESCRITURAS?” (Lucas 24:32).
O estudo dispensacional da Bíblia pode, no início, parecer confuso, mas na realidade ele dissipa toda a confusão, explica problemas difíceis, reconcilia aparentes contradições e confere poder ao ministério do crente.
Se entrássemos no interior duma moderna Repartição Postal dos Correios nos Estados Unidos, sem dúvida que parecer-nos-ia tudo bastante confuso. Porém, seria um erro sugerir a acumulação de toda a correspondência num canto e dividi-la indistinta e promiscuamente, distribuindo-a a todos os que a viessem buscar como alguns fazem com a Bíblia. Os empregados da Repartição “dividem bem” a correspondência na sua distribuição e, deste modo, cada pessoa recebe o que lhe foi dirigido a si. O que aparenta ser confuso para o principiante, não é senão uma simplificação da obra a ser feita de maneira a que cada pessoa obtenha a sua própria correspondência privada.
Embora na Bíblia, aquilo que foi dirigido aos de outras dispensações nos seja dado para nossa instrução e proveito, não devemos confundir isso com a nossa correspondência particular ou cometer o erro de tomar a peito instruções dirigidas a outros.
Enquanto eu leio a correspondência que me é dirigida a mim, um amigo meu pode pôr na minha mão, para meu interesse ou informação, a correspondência que lhe é dirigida a ele. A sua correspondência e a minha podem conjuntamente servir de informação e de proveito; todavia, devo ter cuidado em não confundir as duas, esperando receber coisas que foram prometidas apenas a ele ou tomar a peito instruções que lhe foram dirigidas.
Assim, toda a Bíblia é para nós, mas nem toda é dirigida a nós ou escrita acerca de nós, e se queremos realmente compreendê-la e gozá-la e saber como usá-la eficazmente no serviço para Cristo, devemos ter sempre o cuidado em notar quem está a escrever, a quem, o quê, quando, e porquê.



