O Silêncio de Deus

O presente silêncio do céu é o maior mistério da nossa existência.
Em vão aguçaremos o ouvido para escutar qualquer voz do trono da Majestade Divina. O longínquo céu, onde habitam e reinam a paz perfeita de Deus e a Sua glória indizíveis, está SILENCIOSO!
E quão incomensuravelmente maior é este mistério do silêncio de Deus perante os horrores das grandes atrocidades, guerras, conflitos e injustiças que têm confrontado o mundo. Todavia a questão abrange um leque maior e mais profundo, como o sofrimento dos mártires; a morte de missionários às mãos daqueles por amor de quem labutavam; as inumeráveis doenças prolongadas de santos de Deus a despeito das orações dos que os amam, e ainda outras perplexidades modernas.
Perante tudo isto, será vão qualquer esforço para ouvir qualquer voz do trono da Majestade Divina. O céu está em silêncio!
Então, ... mas, ... onde estão os poderosos actos de Deus no presente, aquelas acções Divinas portentosas do passado com que os registos sagrados me impressionaram desde criança? Será que foram perdendo a sua força vivida até descerem ao nível das lendas e velhos mitos Hebraicos?
No passado a cessação da intervenção nos afazeres humanos era tida como anormal, sendo o facto explicado pela apostasia e pecados nacionais. Então a voz de Deus era ouvida com clareza e as suas intervenções comuns bem notórias. Porém há quase vinte séculos que o céu tem estado mudo.
Ao longo da história Deus deu sobejas provas do Seu poder com os homens, mas desde os dias dos apóstolos ate à presente hora, em vão se procurará nos registos da história da Cristandade um evento público notório que leve à crença que Deus existe.
O céu está em silêncio! Sim, mas não é o silêncio da fria indiferença ou da fraqueza impotente; é o silêncio do grande descanso sabático, o silêncio duma paz absoluta e profunda; um silêncio que é a garantia e a prova pública de que o caminho para Deus está aberto para o mais culpado da humanidade; - exactamente cerne do maravilhoso Evangelho da maravilhosa graça de Deus, que Ele está a comunicar presentemente à humanidade. Tendo o Senhor Jesus Cristo consumado a obra da nossa “redenção e efectuado a purificação dos nossos pecados, uma" grande amnistia foi proclamada à humanidade, numa altura mais do que nunca ela merecia ter sido destruída por Deus, face ao pior dos pecados que cometera, a saber, a rejeição e crucificação do Salvador. O céu abriu-se em graça à terra perdida. A vida eterna foi oferecida a todos, mesmo ao mais fraco e pior dos pecadores.
Quando a fé murmura, e a incredulidade se revolta, e os homens desafiam o Supremo para que quebre este silêncio e Se declare, quão inconscientes estão do desafio que fazem! Não sabem o que pedem.
Quando este silêncio for quebrado um dia - e pode ser que esteja bem perto -, isso significará a revogação da amnistia; o fim do reino da graça; e o despontar do dia da ira predito nas Escrituras.
"Virá o nosso Deus, E NÃO SE CALARÁ; adiante d'Ele um fogo irá consumindo, e haverá grande tormenta ao redor d’Ele" (Sal. 50.3).
"Então LHES FALARÁ NA SUA IRA, e no Seu furor os confundirá" (Sal. 2.5).
Deus agora está silencioso porque disse a Sua última palavra de misericórdia e amor em Cristo. Ele está presentemente a rogar aos homens que se reconciliem Consigo (2 Cor. 5.20). Aquele a Quem foi dado todo o juízo, e que surgirá um dia como o juiz de todos, é agora o Salvador e está assentado no trono do Pai em graça. Quando o dia da ira rebentar, os exércitos celestiais serão de novo ouvidos, e proclamarão que "a soberania do mundo será do Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre" (Apoc. 11:15).
- Sir Robert Anderson



