Que Evangelho?
Um amigo pergunta-lhe: “Ouviu as boas notícias?” E o leitor responde: “Quais boas notícias?” Naturalmente! As boas notícias não são todas as mesmas. No entanto algumas pessoas seguem este procedimento quando lêem na Bíblia a frase “o Evangelho” - que significa simplesmente “boas notícias”. Tem-lhes sido ensinado que “o Evangelho é o Evangelho” e que “só há um Evangelho,” mas à luz da própria Bíblia isso simplesmente não é assim.Deus não tem proclamado apenas um só Evangelho, um só pacote de boas notícias, ao longo dos séculos, mas muitos. Ele qualificou a palavra “Evangelho” com títulos diferentes, do mesmo modo que uma mulher rotula as suas compotas para distinguir os diferentes doces que ela tem preparado para o Inverno.
O “Evangelho do reino” e o “Evangelho da graça de Deus” não são o mesmo, e certamente que o “Evangelho da circuncisão” e o “Evangelho da incircuncisão” não são o mesmo.
Quando encontramos a frase “o Evangelho” sem qualquer título qualificativo, devemos imediatamente perguntar: “Que Evangelho?” e invariavelmente o contexto providenciará a resposta. Por exemplo, Lucas 9:6 declara simplesmente que os doze discípulos andaram a “anunciar o Evangelho”, mas o versículo 2 do mesmo capítulo explica como o Senhor “enviou-os a pregar o reino de Deus” – não a cruz, mas o reino, uma vez que Ele, o Rei, estava no seu meio. Estes discípulos não se podiam ter empenhado na “pregação da cruz”, como Paulo fez mais tarde, pois não foi antes de pelo menos dois anos mais tarde que o Senhor “começou” a dizer-lhes como Ele tinha de sofrer e morrer (Mat. 16:21) e Pedro “começou a repreendê-Lo” (Ver. 22) e nenhum dos doze compreendeu sequer sobre o que é que Ele estava a falar (Luc. 18:34).
Mas enquanto que “o Evangelho do reino” foi confiado aos doze enquanto Cristo estava na terra, “a pregação da cruz” (como boas notícias) e “o Evangelho da graça de Deus” foi mais tarde confiado ao Apóstolo Paulo e a nós (1 Cor. 1:18; Act. 20:24).
Hoje nós não proclamamos os direitos reais de Cristo. Proclamamos antes “a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça” (Efé. 1:7).
Cornelius R. Stam



