Qual é a nossa Grande Comissão? (XVII)

JOÃO 20:21-23
O PODER PARA REMIR PECADOS
“Assim como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós” (Ver.21). Como é possível lerem-se estas palavras e eliminá-las da comissão que o Senhor deu aos Seus onze apóstolos nos quarenta dias decorridos entre a Sua ressurreição e ascensão? No entanto, com tudo o que se diz, que temos ouvido, acerca da “grande comissão” e da urgência do seu cumprimento “na nossa geração”, a maioria dos Protestantes Fundamentalistas tem tratado este segmento da comissão como se não existisse – exceptuando alguns hinos ou sermões devocionais que aludem às palavras, “assim Eu vos envio a vós”.
Geralmente falando, só quando têm de encarar directamente as palavras, “Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados”, é que tais irmãos se esforçam por tratar a passagem mais detalhadamente.
Deveria ser cuidadosamente observado que quando o Senhor disse, “Assim como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós”,
“… assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Ver.22).
Mais, deveria ser notado que a última frase do Ver. 22 pertence ao Ver. 23, de tal forma que no seu conjunto se lê:
“Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles e quem os retiverdes lhes são retidos” (Vers. 22,23).
Por outras palavras, ao enviá-los, o Senhor assoprou sobre eles, comunicando-lhes o Espírito Santo e autoridade divina para remir, ou perdoar pecados.
Protestantes confusos têm achado difícil aceitar esta parte da “grande comissão”, e geralmente têm tentado explicá-la, em vão. Isto, certamente, porque os clamores da Igreja Católica Romana em relação à “absolvição” se baseiam grandemente nesta passagem.
Algumas das denominações também fazem os clamores de Roma de forma modificada nos seus credos ritualísticos – mas com reservas e apologias. Outros argumentam que o Senhor aqui deu meramente ao apóstolos autoridade para declararem os termos de salvação. Outros ainda defendem que aos apóstolos foi-lhes comunicada habilidade para discernirem e declararem os pecados que eram passíveis de perdão e os que não eram. Ainda outros sustentam que o Senhor apenas visava imprimir nos Seus seguidores o facto de que por meio da sua conduta alguns aceitariam Cristo, enquanto que outros O rejeitariam. Mas todos estes argumentos violam e pervertem o significado natural e óbvio das palavras claras do Senhor. Se Ele não queria dizer o que disse, porque é que Ele não disse o que queria dizer?
Roma defende, e muito bem, que as Palavras do Senhor em João 20:23 significam exactamente o que dizem, e objectam energicamente quando os Protestantes modificam, mudam, ou de alguma forma alteram o seu significado óbvio.
Uma vez que, de acordo com a doutrina Católica Romana, a igreja de hoje é uma perpetuação da organização que Cristo instituiu quando estava na terra – e muitos Protestantes concordam – esta questão assume um enorme significado teológico.
Em Mateus 18:18 o Senhor disse aos Seus discípulos:
“Em verdade vos digo que TUDO O QUE LIGARDES NA TERRA SERÁ LIGADO NO CÉU, E TUDO O QUE DESLIGARDES NA TERRA SERÁ DESLIGADO NO CÉU”.
E a Pedro Ele disse pessoalmente:
“E EU TE DAREI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS; E TUDO O QUE LIGARES NA TERRA SERÁ LIGADO NOS CÉUS, E TUDO O QUE DESLIGARES NA TERRA SERÁ DESLIGADO NO CÉUS” (16:19).
Baseando-se nestas passagens, juntamente com a respeitante à remissão de pecados em João 20, a Igreja de Roma clama que o Senhor confiou à Igreja autoridade em assuntos espirituais, Igreja essa representada pelos doze apóstolos e personificada no apóstolo Pedro.1
E uma vez que a Igreja de hoje é uma perpetuação daquela que o Senhor fundou (segundo Roma), a autoridade espiritual reside na Igreja, com o corpo apostólico perpetuado no Colégio dos Bispos, sendo um deles, o Papa, sucessor de S. Pedro, o seu líder e o chefe supremo da Igreja na terra.
Os Protestantes podem erguer as suas mãos à cabeça horrorizados com tais clamores, mas ao lado da interpretação Católica Romana os seus argumentos são na verdade fracos.
Devemos então voltar para Roma, reconhecer os seus clamores e confiar as nossas almas a homens que tanto podem abençoar como amaldiçoar? Não, a solução para este problema é outra vez dispensacional, uma questão de se “manejar bem a Palavra da Verdade”. Jaz no facto de, com a rejeição a que Israel votou Cristo e o Seu reino, Deus ter interrompido o programa profético e por meio de Paulo, ter introduzido uma nova dispensação, “a dispensação da graça de Deus” (Efé.3:1-3).
A maioria dos crentes ainda crê, mas com muitas reservas, que o Corpo e Cristo, a Igreja de hoje, principiou sob o ministério de Pedro e os onze em Pentecostes. Porém em Pentecostes Pedro, “cheio do Espírito Santo”, não disse o que quer que fosse a respeito do Corpo de Cristo. Pelo contrário ele apontou para a profecia de Joel e disse sem hesitação: “Isto é aquilo”, ou “Isto é o que”. Assim, o problema do Protestantismo com João 20:23 é resultado dos “resíduos Romanos” que a ele vieram agarrados e que ainda persistem - resultado de se seguir Pedro em vez de Paulo.
Então, se Mat.16:19; 18:18 e João 20:23 significam o que dizem, devemos reconhecer que a autoridade divina foi conferida pelo Senhor aos apóstolos e a Pedro em particular, como chefe deles, e que esta autoridade se estendia mesmo à remissão de pecados.
O facto é que, ao operarem sob a sua “grande comissão”, os apóstolos baptizavam “para a remissão de pecados” (Actos 2:38).
A remissão de pecados teria então sido deixada nas mãos de seres humanos falíveis? Não, não se tratavam de seres humanos falíveis, pois não somente o Senhor assoprou o Espírito Santo sobre eles de forma a que eles pudessem remir pecados (João 20:22,23), como também mais tarde, em Pentecostes, todos eles foram “cheios do Espírito Santo” (Act.2:4), e com este enchimento lhes foram conferidos dons miraculosos, incluindo o dom de ciência ou conhecimento.
É aqui precisamente que jaz a resposta aos que perguntam: “Uma pessoa perspicaz e sagaz não os poderia enganar?” Será que Ananias e Safira enganaram Pedro? Eles foram fulminados pela morte!
Os apóstolos, assim, podiam representar o Senhor na Sua ausência, mesmo no perdão de pecados, e o que eles “ligassem” na terra seria “ligado” no céu. Todos os pecados que eles remissem seriam remidos, ao baptizarem “para a remissão de pecados”.
Notemos: nós não ensinamos, como alguns ensinam, que haja poder salvador no baptismo em si. De forma alguma. Mas o baptismo na água, naquele tempo, era requerido para a salvação. Assim, a submissão ao baptismo na água era a expressão natural de fé; era a aproximação a Deus segundo a forma prescrita por ele. Foi sempre isto que salvou – a aproximação a Deus segundo a forma por Ele prescrita.
Ver anteriores:
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (X)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (V)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (III)
Qual é a nossa Grande Comissão? (II)
Qual é a nossa Grande Comissão? (I)



