Qual é a nossa Grande Comissão? (XVI)

Cornelius R. Stam

     Tanto em Lucas como nos Actos temos o mandamento do Senhor aos onze para esperarem em Jerusalém até serem baptizados com o Espírito Santo. Estas passagens têm sido erroneamente interpretadas como significando que os apóstolos estavam a orar pela vinda do Espírito Santo. Muitas reuniões modernas de “espera” têm-se pautado por esta falsa noção.

     Aos apóstolos não lhes foi dito para orarem pela vinda do Espírito Santo, mas para esperarem pelo cumprimento da promessa de Deus de enviar o Espírito. A fraseologia precisa é a que se segue:

     Lucas 24:49: “E eis que sobre vós envio A PROMESSA de Meu Pai; FICAI (ou ESPERAI), porém, na cidade de Jerusalém, ATÉ QUE DO ALTO SEJAIS REVESITOS DE PODER”.

     Actos 1:4,5: “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que ESPERASSEM A PROMESA DO PAI, que (disse Ele) de Mim ouvistes.

     “Porque, na verdade, João baptizou com água, mas VÓS SEREIS BAPTIZADOS COM OS ESPÍRITO SANTO, NÃO MUITO DEPOIS DESTES DIAS”.

     E foi assim que quando “se cumpriu o dia de Pentecostes”, os apóstolos e os discípulos foram “todos cheios do Espírito Santo” (Actos 2:1,4).

     Este baptismo com o Espírito era, como vimos pela Escrituras acima transcritas, para poder, poder sobrenatural para operarem milagres grandiosos em confirmação da ressurreição de Cristo e para viverem vidas completamente sob o controlo do Espírito (Actos 2:43-47; 4:32-37).1

     Mais um detalhe – um detalhe importante - que é igualmente encontrado tanto no registo de Lucas como no dos Actos: Eles deveriam principiar o seu ministério em Jerusalém. O registo de Lucas diz simplesmente:

     “E em Seu Nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, COMEÇANDO POR JERUSALÉM” (Lucas 24:47).

     No registo dos Actos temos a ordem geográfica porque a comissão deles deveria ser levada a cabo, e de novo Jerusalém é encontrada em primeiro lugar:

     “… ser-Me-eis testemunhas, tanto em JERUSLAÉM, como em toda a JUDEIA e SAMARIA, e até AOS CONFINS DA TERRA” (Actos 1:8).

     Ensinadores Bíblicos bem intencionados mas confusos que insistem que a chamada “grande comissão” é para nossa obediência, muitas vezes, interpretam “Jerusalém” aqui como sendo todos os lugares menos Jerusalém. Recentemente, só para citar um exemplo, o autor ouviu um pastor de Chicago dizer: “ A vossa Jerusalém é Chicago. Deveis testemunhar de Cristo primeiramente aqui. Depois a vossa Judeia é Illinois, a vossa Samaria os Estados Unidos,  os vossos “confins da terra” o estrangeiro. Deveis ser missionários na vossa terra antes de poderdes ser usados no estrangeiro”.

     Nós não negamos o facto de que se um indivíduo não for uma testemunha de Cristo na sua terra, certamente que não estará preparado para o ministério noutras terras. Mas não era isso que o Senhor queria dizer na Sua comissão aos onze. Ele tinha claramente em mente algo muito diferente do testemunhar em primeiro lugar na terra onde se está.

     Ele sabia, e tinha ensinado os apóstolos, que segundo o concerto e a profecia as nações seriam abençoadas por meia da nação de Israel remida, com Ele próprio reinando como Rei em Jerusalém, a capital. Daqui, e sob tais circunstâncias, a bênção fluiria até aos confins da terra (Gén.22:17,18; Isa.2:1-4; 35:10; 60:1-3; 62:1-3; Jer.23:5-8).

     Como é que então os apóstolos, juntamente com os seus cooperadores, poderiam fazer discípulos de todas as nações se a nação, a nação escolhida de Deus, não se arrependesse e não se volvesse primeiro para Cristo? Como é que a prometida bênção poderia fluir de Jerusalém para todas as nações, se Cristo não estivesse entronizado em Jerusalém? Foi por isso que os apóstolos foram instruídos a principiarem por Jerusalém, e dali partirem por toda a Judeia, Samaria e confins da terra.

     Como isto explica perfeitamente duas pequenas passagens observadas por Pedro e por Paulo! A primeira, por Pedro, precisamente depois de Pentecostes:

     “Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.

     “Ressuscitando Deus a Seu Filho Jesus, PRIMEIRO O enviou A VÓS, para que nisso vos abençoasse, e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades” (Actos 3:25,26).

     A segunda, por Paulo aos Judeus em Antioquia da Pisídia:

     “… ERA MISTER QUE A VÓS PRIMEIRO SE VOS PREGASSE A PALAVRA DE DEUS; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os Gentios” (Actos 13:46).

     Tudo isto prova com maior clareza que Deus não introduziu a presente dispensação da graça, quer na crucificação, quer na ressurreição, quer em Pentecostes, mas mais tarde por intermédio de Paulo – depois de Israel, a quem a salvação foi primeiramente oferecida, a ter recusado.

     É verdade que a passagem em Actos acima citada se refere a um incidente local, mas o que Lucas regista aqui acerca desse incidente é típico do que estava a ocorrer numa escala nacional.

     Muito mais poderia ser dito acerca das porções da chamada “grande comissão” registada em Lucas e nos Actos, mas esperamos que o que atrás foi dito tenha sido suficiente para provar que esta comissão não é a nossa, mas pelo contrário, diz respeito ao profetizado reino de Cristo na terra.

     Se a comissão aos onze fosse para nossa obediência e nós estivéssemos a começar, precisamente agora, a levá-la a cabo, teríamos de começar por Jerusalém num esforço de ganhar a nação de Israel para Cristo. E que sucesso poderíamos então esperar? Em Israel não são sequer permitidas testemunhas de Cristo, e os escassos fiéis que estão lá a procurar “arrebatar os que perecem” têm de desenvolver um ministério camuflado, agindo como professores, técnicos, etc. Se, abertamente, organizássemos um grupo de uma centena de missionários para ir a Jerusalém, falar ao povo de Israel acerca da graça de Deus em Cristo, ser-lhes-ia negada a entrada.


1 Ver o livro do autor, Verdadeira Espiritualidade, para uma discussão da diferença entre o baptismo dos discípulos, do Senhor, no Espírito Santo em Pentecostes, e o baptismo do Espírito dos crentes em Cristo, hoje em dia.
 
C.R. Stam

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