Qual é a nossa Grande Comissão? (XV)

LUCAS 24.45-48: ACTOS 1:8
NECESSIDADE DE LUZ E DE PODER
Existem pelo menos quatro razões porque devemos considerar o registo de Lucas e dos Actos no seu conjunto, ao averiguarmos e determinarmos o que a comissão aos onze diz.
1. Ambos os livros foram escritos por Lucas. Em face disse têm naturalmente muito em comum.
2. Ambos relatam como antes da Sua ascensão o Senhor equipou os onze duma forma especial para o ministério que eles empreenderiam.
3. Ambos contêm o mandamento de “espera” ou “esperar” em Jerusalém pelo cumprimento da promessa da vinda do Espírito Santo para os capacitar com poder.
4. Ambos registam o mandamento para começarem o seu ministério em Jerusalém.
Em Lucas 24:45 a comissão do Senhor é introduzida com as seguintes palavras:
“ENTÃO ABRIU-LHES O ENTENDIMENTO PARA COMPREENDEREM AS ESCRITURAS”.
Não há necessidade de se levantar qualquer questão quanto a quais Escrituras são aqui aludidas pois o versículo precedente identifica-as como “a lei de Moisés, e … profetas, e … Salmos”. Assim, as Escrituras Hebraicas.
Significará, então, isso que estes onze homens agora compreendiam todos os detalhes de todas as passagens proféticas, sem nenhuma questão sem resposta? Decerto que não. O que significa é que agora eles possuíam uma compreensão inteligente do plano e propósito revelados por Deus como são apresentados nas Escrituras Hebraicas. Sem dúvida que a declaração do versículo 45 tem o mesmo sentido com se disséssemos que alguém tinha chegado à compreensão do mistério. Com uma tal declaração não pretenderíamos dizer que tal pessoa compreendia agora todos os detalhes deste grande corpo de verdade, mas antes que tinha agora uma compreensão inteligente do segredo de Deus, do Seu propósito eterno, do Seu plano que tinha sido “escondido de todos os séculos e gerações” até ser revelado pelo Senhor glorificado a Paulo e por seu intermédio.
No contexto do registo dos Actos encontramos um facto bastante notável, e que é geralmente negligenciado em relação à comissão aos onze. No Capítulo 1, Versículo 3, aprendemos que durante o período entre a ressurreição do Senhor e a Sua ascensão Ele passou quarenta dias com eles, “falando do que respeita ao reino de Deus”.
Meditemos nisto! Um seminário de quarenta dias, conduzido pelo Mestre Ensinador, o próprio Senhor ressuscitado! Quarenta dias de ensino, com os olhos espirituais dos Seus estudantes já sobrenaturalmente abertos para compreenderem as Escrituras!
O que é que então há-de ser dito de muitos que acusam os apóstolos, tão profundamente iluminados pelo próprio Senhor, de ignorarem o plano de Deus, de prejudicarem os Gentios, etc? Certamente que eles, e não os apóstolos, são os únicos que ignoram o plano de Deus.
Tem sido dito muitas vezes que a pergunta de Actos 1:6 se deveu à ignorância e à incredulidade. Contudo, uma vez mais, não são os onze mas os seus críticos que devem encarapuçar tal acusação. As Escrituras do Velho Testamento testemunham “os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”. (I Pedro 1:11). Será então estranho que, depois dos sofrimentos do Senhor terem passado e d’Ele ter ressuscitado de entre os mortos, os onze perguntassem: “Restaurarás Tu este tempo o reino a Israel?”? Decerto que não. Eles estavam correctíssimos ao, agora, esperarem a restauração do reino Davídico, com Cristo no trono. Compreendendo claramente o programa profético eles não tinham qualquer dúvida quanto à restauração do reino de Israel. A sua única dúvida era se isso ocorreria “neste tempo”.
A réplica do Senhor: “Não vos pertence saber”, contudo, indica que havia um grande corpo de verdade que eles não compreendiam, nem mesmo tinham conhecimento: “o mistério”. O propósito secreto de Deus a respeito desta interrupção parentética do programa profético não seria revelado antes de Israel ter rejeitado o Cristo ascendido e de Deus erguer graciosamente outro apóstolo, Paulo.
Portanto os onze compreendiam claramente o programa profético sob o qual eles agora operariam, porém a revelação do segredo de Deus, o propósito eterno respeitante ao Corpo de Cristo, a Igreja desta presente dispensação, estava reservada para o apóstolo Paulo, a quem Deus usou para introduzir “a dispensação do mistério” (Rom.16:25; Efé.3:2,3; Col.1:25,26).1
Tudo isto demonstra claramente a relação íntima entre a comissão aos onze e o programa profético de Deus como aparece resumido nas Escrituras Hebraicas. Além disso assim como uma compreensão clara do programa profético era essencial para o cumprimento do seu ministério dado por Deus, assim também uma compreensão clara do “mistério” é essencial para o cumprimento do nosso ministério dado por Deus. Daí as orações fervorosas de Paulo para que “os olhos do nosso entendimento” sejam abertos para compreendermos este grande corpo de verdade (Efé.1:15-22: 3:14-21; Col.1:9; 2:1-3).
1 Para uma comparação detalhada da profecia e do mistério ver o livro do autor, Coisas que Diferem.
Ver anteriores:
Qual é a nossa Grande Comissão? (XX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (X)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (V)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (III)
Qual é a nossa Grande Comissão? (II)
Qual é a nossa Grande Comissão? (I)



