A Parábola Tripla (VI)

Agora que procurámos interpretar correctamente as palavras do Senhor, que lições poderemos nós extrair delas, e como é que a parábola tripla pode ser aplicada a nós? A resposta é: deixando as coisas precisamente onde pertencem.
A parábola do Senhor retrata os Seus tratos com Israel. As epístolas de Paulo resumem o propósito de Deus a respeito do Corpo de Cristo. Comparemos, então, ambas e vejamos se temos perdido ou ganho, ao reconhecermos a distinção.
Como já salientámos, Deus nunca olhou para os Gentios como Suas ovelhas, nem de forma alguma Ele é obrigado a vigiá-los como Pastor, ou a guardá-los, pois “como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso …” (Rom. 1:28). Pelo contrário, os Gentios são vistos como cães (Mat. 15:26) e separados e estranhos (Efé. 2:12). Na realidade, os Judeus agora também se encontram separados (Ver Rom. 11:15; Efé. 2:16,17).
Apesar disso Deus agora tomou-nos a nós, crentes Judeus e Gentios desta dispensação, e deu-nos um lugar muito acima do lugar que a nação de Israel ocupará no futuro. No fim de contas, Israel é o povo de Deus terreno. A sua chamada e esperança são terrenas. Quando convertidos, habitarão na sua terra tendo Cristo como seu Rei, em Jerusalém. Mas nós que confiámos em Cristo neste século da Sua rejeição, fomos feitos um com Ele por meio de um baptismo sobrenatural e foi-nos dado um lugar à mão direita de Deus, abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais, em Cristo (Gál. 3:26,27; Efé. 1:3). Que graça!
E qual era o valor dos Gentios no plano profético de Deus? Nenhum.1 Deus não pretendia trazer a bênção ao mundo por meio de algum Gentio, fosse ele quem fosse. A adopção, a glória, os concertos, a lei, o templo, as promessas, pertencia tudo a Israel (Rom. 9:4). Nós, Gentios, estávamos sem Cristo, separados da comunidade de Israel, estranhos aos concertos da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo (Efé. 2:12). E até Israel, na sua presente condição, não tem qualquer valor para o mundo. Apesar disso, Deus tomou-nos a nós, Judeus e Gentios separados, e tornou-nos um com Seu Filho, de quem depende a esperança do mundo. Ele tornou-nos obra-prima da Sua graça:
“PARA MOSTRAR NOS SÉCULOS VINDOUROS AS ABUNDANTES RIQUEZAS DA SUA GRAÇA, PELA SUA BENIGNIDADE PARA CONNOSCO EM CRISTO JESUS” (Efé. 2:7).
Uma vez mais, os Gentios, nas Escrituras, não são chamados filhos de Deus. Pelo contrário, somos vistos como separados e inimigos (Col. 1:21). Na realidade, até Israel é agora Lo-ami: “Não Meu povo” (Oséias 1:9). No entanto Deus deu aos crentes Judeus e Gentios hoje, um lugar de filiação muito mais elevado do que o da nação de Israel. Israel era filho de Deus por meio de um concerto. Nós somos filhos de Deus em Cristo, Seu Filho Unigénito.
“E, PORQUE SOIS FILHOS, DEUS ENVIOU AOS NOSSOS CORAÇÕES O ESPÍRITO DE SEU FILHO, QUE CLAMA ABBA PAI.
“ASSIM QUE JÁ NÃO ÉS MAIS SERVO, MAS FILHO; E, SE ÉS FILHO ÉS TAMBÉM HERDEIRO DE DEUS POR CRISTO” (Gál. 4:6,7).
Dizemos uma vez mais: Que graça infinita, incomparável, maravilhosa!
Decida o leitor: Será que perdemos por termos reconhecido que o Senhor na Sua parábola tripla não se referiu aos Gentios ou à salvação nesta presente dispensação? Não ganhamos incomensuravelmente mais na nossa compreensão e gozo da Palavra de Deus ao deixarmos a parábola precisamente onde pertence e depois examinarmo-la à luz da revelação Paulina?
1 Apesar de cada indivíduo ser certamente de valor infindo para si e para Deus.
Cornelius R. Stam



