Os sinais de Israel
Com a nação de Israel posta de parte, Deus deixou o Seu programa de “sinais”, e introduziu a presente dispensação da graça, que é uma dispensação “sem sinais”. Enquanto a mensagem esteve a ser proclamada a Israel, como nação, os sinais estiveram em evidência, “Porque os judeus pedem sinal” ( 1 Coríntios 1:22). Eles requeriam sinais porque as suas Escrituras do Velho Testamento tinham predito o facto de que quando o Messias viesse e o reino fosse estabelecido, sinais, visões, etc., seriam a ordem do dia. Ver Isaías 35:5,6 e Joel 2:28-31. Os milagres de Cristo foram assim credenciais para Israel, como foi declarado por Pedro no dia de Pentecostes: “Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por Ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis” (Actos 2:22).
Durante o Livro dos Actos é dada aos Judeus uma outra oportunidade para se arrependerem e receberem a bênção de Deus. É verdade que há um gradual afastamento de Israel, os apóstolos da circuncisão dando lugar ao apóstolo dos Gentios, no entanto durante todo este período, e em todo o lugar, ainda é concedida aos Judeus prioridade na oferta da bênção. Paulo disse, “Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a Palavra de Deus” (Actos 13:46), e não é antes de a bênção ser desprezada e rejeitada pelos Judeus por toda a parte, desde Jerusalém a Roma, que as palavras solenes de Actos 28:28 são dirigidas à nação outrora grandemente favorecida: “Seja-vos pois notório que esta salvação de Deus é enviada aos Gentios, e eles a ouvirão.”
Durante o tempo em que Israel foi primeiro, os milagres, sinais, curas e visões eram a ordem comum das coisas … Contudo, após a nação de Israel ser posta de parte, e depois do pronúncio solene de Actos 28:28, procurar-se-á em vão nas Escrituras o registo de um único milagre.
O seguinte depoimento, tão claro, é da pena de Sir Robert Anderson:
“O propósito dos milagres era acreditar o Messias perante Israel, e não, como geralmente se supõe, acreditar o Cristianismo perante os pagãos, e portanto, como as Escrituras afirmam claramente, os milagres continuaram enquanto o testemunho foi dado aos Judeus, mas cessaram quando, sendo os Judeus postos de parte, o Evangelho foi para o mundo Gentílico.”
Sir Anderson também escreveu:
“Nós devemos estar preparados para descobrir que enquanto o reino estava a ser pregado aos Judeus, os milagres abundavam, mas quando o Evangelho clamava aos pagãos, os milagres perderam a sua proeminência, e pouco depois cessaram inteiramente.”
Houve três períodos na história de Israel que foram caracterizados por milagres; os dias de Moisés e Josué, os dias de Elias e Eliseu, e os dias de Cristo e os apóstolos.
Cada um destes períodos também foi caracterizado por grande apostasia da parte do povo de Deus. A vez seguinte em que os milagres voltarão a estar em evidência será durante os dias da maior apostasia de todas, quando o homem do pecado for revelado, “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira” (2 Tessalonicenses 2:9) …
Durante este este presente século “o justo viverá da fé” (Gálatas 3:11). “Pois andamos por fé, e não por vista” (2 Coríntios 5:7). Nós não devemos procurar sinais, mas tão-somente andar por fé na Palavra escrita de Deus. O Senhor repreendeu os dos Seus dias, e disse, “Se não virdes sinais e milagres, não crereis” (João 8:48). Mais tarde Ele disse, “bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29).
(1906 – 2005)



