Dispensacionalismo - Um Painel de Debate

     No dia 14 de Novembro de 1957, foi realizado um painel de debate no Wheaton College, Wheaton, Illinois, sobre Dispensacionalismo. Os participantes foram: o Dr. A. Holmes, o Dr. B. Mickelsen, o Dr. J. R. Rice e  o Sr. C. R. Stam, sob a presidência do Dr. M. C. Tenney. Apresentaremos aqui a declaração de abertura feita pelo Pastor Stam, seguida do debate entre os membros do painel.

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 Dr. John R. Rice  Cornelius R. Stam

CORNELIUS R. STAM:  

     Ao começar com o ponto de vista dispensacional “extremo”, gostava de me referir ao modo como vejo a definição da palavra algumas vezes traduzida por dispensação no nosso Novo Testamento. Nós não cremos que uma dispensação seja um período de tempo. Na realidade escrevi fortemente contra este ponto de vista no meu livro, Os Fundamentos do Dispensacionalismo. É claro que, tecnicamente, a palavra significa simplesmente o “governo de uma casa”. Todavia, no uso corrente, diria que funciona muito como a nossa palavra “dispensação”, sendo aquilo que é administrado ou dispensado, ou o acto de administrar ou dispensar.    

     Ora nós cremos que os princípios de Deus são eternos e imutáveis. Não podem mudar. Deus não pode mudar os Seus padrões; os homens sempre foram, e sempre serão, salvos essencialmente apenas pela graça por meio da fé, só o podendo ser na base da obra consumada do Senhor Jesus Cristo. Os sacrifícios que eram exigidos para a expiação no Velho Testamento não salvavam em si mesmos: “É impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”. Eles apenas serviam como expressão da fé dos indivíduos que os traziam. Se Deus dizia: “Traz um sacrifício”, a fé trazia um sacrifício. Se Deus dizia: “Guardai a Lei e sereis Meu povo”, a fé faria o seu melhor para guardar a Lei. Se Deus dizia: “Arrependei-vos e sede baptizados para a remissão de pecados”, a fé arrependia-se, sujeitava-se ao baptismo e tinha os seus pecados remidos. Se Deus diz: “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus”, e ainda: “Mas, àquele que não pratica, mas crê n’Aquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”, a fé diz: “Senhor, isto é melhor do que o que já alguma vez tivemos”, e aceita com gratidão a provisão feita por Deus.  

     Agora, como é que isto nos afecta? Se olharmos para a Bíblia a fim de obtermos uma visão panorâmica da mesma, Deus põe de parte os Gentios no capítulo 11 de Génesis. Depois faz um concerto com Abraão que diz respeito a uma terra e a uma nação. Séculos depois faz um outro concerto com Israel por meio de Moisés, no qual Ele dá as leis que devem governar a nação na terra. Ainda depois faz um concerto com David a respeito de um reino e de um Rei, que administrará as leis da nação na terra. Um tempo depois disto vemos os profetas descreverem este reino:

     - Uma mudança na forma de vida na terra.
     - A guerra e o derramamento de sangue abolidos.
     - Tremendas mudanças nas condições físicas do homem, e um Rei a reinar com equidade e justiça.

     Por fim, aparece em cena João Baptista que, por exemplo, diz em Marcos 1:15: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo”, E o Senhor Jesus eleva o clamor, “O reino de Deus [ou, o reino dos céus] está próximo”. Os doze Apóstolos são enviados a pregar o reino dos Céus, ou o reino de Deus, que está próximo.  

     Ora, que reino é que eles poderiam estar a proclamar como próximo, senão aquele que o enquadramento atrás referido nos revela? Temos de nos lembrar do seu enquadramento, amados, quando tratamos com o “Evangelho” nos Evangelhos. Em Isaías, por exemplo, lemos no capítulo 11 e versículo 9: “a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar”. Em Jeremias 23:5 lemos: “um ... rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra”. No nascimento de Cristo encontramos a mesma ideia claramente: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens”. No Sermão do Monte: “Os mansos herdarão a terra”. E no chamado Pai Nosso: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.  

     Parece-me que na proclamação do reino temos a proclamação de um modo de vida transformador. Os maravilhosos milagres que o nosso Senhor operou também indicavam mudanças que ocorrerão quando o reino for estabelecido. Por isso digo que o reino foi proclamado por nosso Senhor Jesus Cristo na terra (eu sei que há aspectos escatológicos e não-escatológicos do reino), mas Ele estava a proclamar o estabelecimento terreno do reino de Deus. E agora, isto é importante: A situação não mudou depois da cruz, nem em Pentecostes. Não mudou, de forma alguma. Eles ainda continuavam debaixo da Lei. Pedro ofereceu-lhes o retorno de Cristo e o estabelecimento do Seu reino na terra. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, e envie Ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado”.  

     Por isso digo que os que hoje estão a procurar servir Deus sob a chamada Grande Comissão operam sob a comissão errada e uma comissão que, na verdade, Deus tornou totalmente impossível de se obedecer.  

     Agora chegamos ao Apóstolo Paulo, um outro apóstolo. Haviam doze apóstolos para se assentarem sobre doze tronos, mas Deus levantou um outro apóstolo, o Apóstolo Paulo, que pergunta se “tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como me foi este mistério [ou, segredo] manifestado pela revelação”. Só ele diz, “convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério”. (Este tema é fabuloso, mas eu gostaria de concluir com o que ele escreve aos Gálatas).  

     Nos primeiros dois capítulos de Gálatas ele torna claro que o seu apostolado não tem nenhuma relação com o apostolado dos Doze. Ele diz: “apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum” (como o apostolado de Matias era). Eles tinham sido guiados pelo Espírito Santo na sua escolha e estavam todos cheios do Espírito Santo. No versículo 11 do mesmo capítulo ele diz: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo”. No capítulo dois, no segundo versículo, ele diz: “E subi por uma revelação [a Jerusalém], e lhes expus o Evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão”. Portanto, a ideia de que o Apóstolo Paulo simplesmente subiu para confirmar junto dos líderes dos Doze que estava a pregar a mesma coisa, é aqui contradita. Ele diz: “subi por uma revelação, e lhes expus o Evangelho, que prego entre os gentios”. Ele diz: “nada me comunicaram [ou, acrescentaram]; antes, pelo contrário”. Ele é que lhes acrescentou a eles. Quando eles viram, quando perceberam (leio-vos o versículo nove): “E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fossemos aos Gentios, e eles à Circuncisão”.  

     Ora nós temos de tomar em consideração tudo o que isto envolve. Os Doze tinham sido enviados a todo o mundo. Tinham sido enviados para fazer discípulos em todas as nações: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”. E agora, sob a guia do Espírito Santo, eles concordam solenemente limitar o seu ministério a Israel enquanto Paulo, tendo Barnabé como seu cooperador, torna-se no Apóstolo dos Gentios. Não indicará isto que o Evangelho do Reino não produziu os resultados desejados, isto do ponto de vista humano? Não indicará que este reino, o reino que teria sido estabelecido na terra, e será, foi rejeitado, e agora Deus levantou um outro apóstolo com uma outra mensagem? Apenas ele fala de “o meu Evangelho”. Paulo pronuncia uma maldição sobre os que pregam um evangelho diferente do que ele tem pregado. Ele diz (e notareis que se trata de linguagem forte, pois repete-o): “Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes ...”, e no versículo anterior, “além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. Evidentemente isto não significa ficar perdido. Os Cristãos podem colher, tanto a maldição como a bênção. E eu creio que a Igreja tem colhido a maldição na confusão e divisão que a tem afectado durante estes séculos. Obrigado.


DEBATE FEITO PELOS MEMBROS DO PAINEL  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam pelo Dr. Mickelsen:

No seu livro, Os Fundamentos do Dispensacionalismo, há uma metáfora muito interessante. Pega na figura do nosso sistema de correio postal e salienta que apesar de muitos de nós podermos ler o correio do nosso companheiro de quarto enviado pelo seu pai e que diz: “Envio-te, junto, um cheque de € 500.00”, não pensamos que o pai dele nos está a enviar a nós o cheque visto que a carta não nos é dirigida. Podemos desfrutar dela lendo-a, mas só quando o nosso pai nos enviar € 500.00 ficaremos esperançados. Quer dizer-nos no que realmente crê ser o nosso correio?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
As epístolas de Paulo. Creio que a Palavra de Deus ensina que as Epístolas de Paulo são o nosso “correio privado”. Não é Lucas, nem Tiago, nem João, nem Pedro, ou outro qualquer, mas o Apóstolo Paulo que diz: “Porque convosco falo, Gentios, que, enquanto for Apóstolo dos Gentios, exalto o meu ministério”. 

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam pelo Dr. Mickelsen:
Mais uma questão: Há exactamente cinco exemplos onde Mateus, que usa o termo reino dos céus, usa o termo reino de Deus em seu lugar. Penso que pode ser mostrado em cada um dos cinco exemplos que ele o faz puramente com propósitos literários devido ao estilo de linguagem, pois ficaria desajeitado de outra forma. Regressando a Efésios 3, a respeito desta frase: “revelado pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas”, como a compreende, Sr. Stam?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:

Ele diz: “agora tem sido revelado pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas”. Ora, ele subiu por uma revelação, como diz em Gálatas 2: “E subi por uma revelação, e lhes expus o Evangelho, que prego entre os Gentios”. O versículo 7 diz que eles “viram”.  O versículo 9 diz que conheceram. Ora como é que eles podiam compreender esta verdade? Só “pelo Espírito”. Ele recebeu-a por revelação directa do Senhor Jesus Cristo, depois comunicou-a a eles, e eles viram-na com a ajuda do Espírito.  

DEPOIMENTO do Dr. Rice:
Parece-me que estamos a perder uma definição em Efésios 3. Parece que os nossos irmãos têm como dado adquirido o mistério como sendo a Igreja; infelizmente não é isso que dizem as Escrituras. Segundo Efésios 3:3-6, o que é o mistério? “A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo”. Na mesma passagem ele diz: “separados da comunidade de Israel”. Não há dúvida que tem havido povo de Deus desde sempre. O mistério era que os Gentios seriam incluídos nesse Corpo.  

DEPOIMENTO do Sr. Stam:
Concordo parcialmente. Não creio que o mistério fosse a Igreja. Penso que o Dr. Scofield falhou quando ele tentou revelar contrastes entre Israel e a Igreja. Deus teve sempre a Sua “ecclesia”, o Seu “povo chamado para fora”. Mas nós estamos a falar de um Corpo unido, Não se estará a contradizer no que acabou de dizer, a saber, que o Seu Corpo existiu desde sempre? Ele está aqui a falar de um Corpo unido e diz: “Agora a parede de separação está derrubada”.  


QUESTÕES   

PERGUNTA dirigida ao Dr. Mickelsen:

Quais, na sua opinião, são as linhas de distinção nas Escrituras?  

RESPOSTA pelo Dr. Mickelsen:
Eu diria sobre a questão das linhas que elas estão desenhadas: Primeiro de tudo, tenho de dizer quais as linhas que estão inscritas explicitamente pelas Escrituras, linhas que vejo desenhadas cuidadosamente nas Escrituras. A linha que vejo é o Primeiro Concerto e o Segundo Concerto. Ora qual a natureza dessa linha? É uma barreira, ou qual a sua natureza? Não é uma barreira. Agora, dentro do Segundo Concerto, não temos estas linhas explícitas desenhadas. Dentro do concerto temos várias acções de Deus por que Ele Se responsabiliza. No meu próprio sistema não desenharia nenhuma linha vincada. Olharia para o Velho Concerto como um período de preparação. Nestas diferentes épocas Deus actuou de várias formas, mas não vejo razão alguma para, a este respeito, se desenhar mais do que uma linha tracejada. O Novo Concerto é o concerto da consumação. Eu sou premilenista. Por conseguinte creio que Deus actuará  directamente nos afazeres dos homens de um modo que não actuou antes. Mas para mim isso é uma parte do Novo Concerto, e é uma parte do clímax que começou nos últimos dias de Hebreus 1:1.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam:
A respeito deste versículo em Efésios 3 que diz que “agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas”, quando é o “agora”? Quando é que o “agora” começou?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Com Paulo.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam:
Bem, então, quem pensa que são os “apóstolos e profetas”?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Os “apóstolos” eram os doze, a quem ele o comunicou, e os “profetas” eram os profetas do Novo Testamento.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam pelo Dr. Mickelsen:
Bem, nesse caso depois de eles terem recebido isto de Paulo, se eles ainda não tinham escrito nenhum livro nessa altura, porque é que todos os livros que eles escreveram depois de então ainda não são nosso “correio”?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Porque eles escreveram por inspiração para o tempo quando o Corpo de Cristo já terá sido arrebatado e quando as epístolas Cristãs Hebraicas virão ao seu próprio lugar, bem como o Apocalipse, que é o último, se ajustar muito naturalmente.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam pelo Dr. Holmes:
João 3:16 é “nosso correio”?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Não, mas isso não significa que eu não creia que toda a Palavra de Deus é para nós. Não foi toda dirigida a nós; não está toda escrita acerca de nós, mas é toda para nós. João 3:16 foi pronunciado por nosso Senhor a um príncipe dos Judeus. Mas é maravilhoso para nós porque embora a nação de Israel tivesse rejeitado a oferta para ser uma fonte de bênção, sob Deus, para o mundo, Deus enviou graça e bênção ao mundo a despeito da sua recusa, por meio da obra consumada do Senhor Jesus Cristo.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam:
Segundo o ponto de vista dispensacional, no período de tempo entre a conversão de Paulo e a viagem a Jerusalém, há duas dispensações em simultâneo?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Sim, uma desvanecia-se enquanto a outra entrava. Isso é muito natural. Os tijolos da parede de separação foram caindo um a um. Foi um processo.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam pelo Dr. Rice:
João 3:16 foi um dos velhos tijolos da tradição Judaica que caiu?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Não. De facto, não. Esse é um dos propósitos imutáveis de Deus – abençoar todo o mundo. Israel rejeitou Cristo e comprometeu o propósito de O levar ao mundo através da sua exaltação como nação. Deus interveio levantando o principal dos pecadores, salvo pela graça, garantindo que o mundo não deixasse de ser abençoado. O mundo agora é abençoado pela queda de Israel. Deus continua a amar o mundo segundo João 3:16.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam:
Assumo que aceita a ética de Paulo expressa na Lei do amor como sendo a base da ética da Igreja. O que faz com o Sermão do Monte? Qual a razão para não o aplicar à Igreja?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Eu não diria por um momento que não aceito a ética do Sermão do Monte. No Sermão do Monte, tudo o que for compatível com a revelação dada a Paulo certamente que aceito, e é claro que aceito a ética moral. Mas quando o Sermão do Monte diz: “Deixa ali diante do altar a tua oferta”, eu não aceito, porque a Bíblia diz que agora os sacrifícios foram abolidos em Cristo.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam:
Interrogo-me se haveria alguma diferença entre o conceito das condições da salvação no Velho Testamento e o que Paulo expressa em Gálatas 5:6. Em Cristo Jesus o que conta é a fé, mas uma certa espécie de fé; uma fé que opera por amor. Por outras palavras, não fé e obras e não apenas fé, mas esta qualidade de fé distinta, uma fé que produzirá inevitavelmente obras. Ora não seria esta espécie de fé que era a condição de salvação no Velho Testamento?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Creio que sim. É aí que entra a frase, “a obediência da fé” em relação às obras e também em relação à sua própria mensagem.  

PERGUNTA dirigida ao Dr. Mickelsen  e Sr. Stam:
Cavalheiros, poderão, os dois, comentar a seguinte passagem? Em Actos 10 Pedro fala a Cornélio numa linguagem muito semelhante à de Paulo no capítulo dois da carta aos Efésios. Pedro define esta mensagem e diz: “A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo”. Por outras palavras a mensagem de Jesus foi de proclamação de paz ou de evangelização de paz. Em Efésios 2:17 Paulo descreve a mensagem de Jesus e diz que Jesus “veio e evangelizou a paz”, as mesmas palavras no Grego. Entre Paulo e Pedro parece haver aqui uma semelhança e não uma divergência.  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Bem, sim, Cristo era o Príncipe da paz. Ali, é claro, há uma semelhança, mas o notável é que quando Israel se uniu aos Gentios em inimizade contra Deus e Lhe declarou guerra a Ele e ao Seu Filho, Ele ainda pregou a paz. E o ponto aqui é que ele não estava só a pregar a paz aos que estavam longe, mas aos que “estavam perto” mas agora tinham ficado longe.  

RESPOSTA pelo Dr. Mickelsen:
Eu diria que a mesma mensagem foi dada e isso indica que as pessoas que criam na mensagem uniam-se à mesma igreja. Por outras palavras, eu não defendo que haja uma igreja Judaica em Actos 1 e uma igreja Gentia em Actos 9. A mesma mensagem que foi pregada a Cornélio foi também proclamada mais tarde por Paulo, e quando Pedro, que era um dos apóstolos, foi e pregou aos Gentios, pregou o mesmo evangelho que Paulo pregou.  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
É verdade que Cornélio foi salvo depois da conversão de Paulo. Pedro foi àqueles Gentios contra o que ele pensava ser o seu melhor entendimento. Ele não queria ir, mas o Senhor disse-lhe: “Tu vais”, e ele começa a pregar-lhes sobre Jesus de Nazaré na terra dos Judeus. E quando ele chega à parte em que diz: “A Este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que n’Ele crêem receberão o perdão dos pecados pelo Seu nome”, Deus interrompeu-o, “e, dizendo Pedro ainda estas palavras”, o Espírito Santo caiu sobre eles. Mas o que eu gostaria de saber é se pensa que em Pentecostes Pedro pregou a mesma mensagem que Paulo pregou.  

RESPOSTA pelo Dr. Mickelsen:
Eu diria que ainda que não tenhamos uma teologia completamente sistemática temos a proclamação de que este homem é o Messias de quem os profetas dão testemunho. E parece-me que a mensagem que é proclamada em Pentecostes é a mensagem da Igreja Cristã. Mas eu não disse isso.  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Suponha que alguém aparecia e dizia: “O que devo fazer para ser salvo?” e nós não lhe falávamos sobre a obra consumada de Cristo. Estaríamos a pregar a salvação? Se pregássemos que Jesus era o Messias, estaríamos a pregar o plano de salvação para hoje?  

RESPOSTA pelo Dr. Mickelsen:
Se as pessoas são oriundas do Judaísmo e aguardam o Messias como um líder vindouro e se fosse tornado muito claro que este Messais foi morto e que Deus O ressuscitou dos mortos, penso com certeza que se estaria a pregar o evangelho da salvação.  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Mesmo que não se lhes dissesse que tinha sido por eles que Ele morreu e ressuscitou? Pedro culpa-os da morte de Cristo; ele não lhes diz: “Ele morreu por vós”. Ele diz: “Prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”, e quando eles disseram: “Que faremos?” ele disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados”.  

RESPOSTA pelo Dr. Mickelsen:
Ele também disse: “A promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos”.  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Sim, a promessa foi feita a eles e seus filhos; não a nós.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam pelo Dr. Holmes:
Quanto da expiação substitutiva em forma doutrinal tem de ser compreendida para se ser salvo?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Que Cristo foi punido pelo nosso pecado é certamente básico. Descobrir que Cristo é o Messias não dá, decerto, qualquer alívio à convicção do pecado.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam pelo Dr. Holmes:
Mas os Judeus não sabiam isso, se conheciam as suas predições do Velho Testamento?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Não. Isaías 53 é talvez a mais clara de todas as profecias do Velho Testamento a respeito da morte de Cristo e nem sequer diz que Ele vai morrer. Embora Deus quisesse dizer isso, a linguagem é velada.  

RESPOSTA pelo dr. Holmes:
A interpretação Judaica aplicou sempre isto ao Messias.  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Eu sigo o que a Bíblia diz. Não sou nenhuma autoridade sobre isso, e não abro mão daquilo. Eu sei que eles agora não concordam que isto se refira ao Messias.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam:
Wesley tinha uma espécie de dispensacionalismo geográfico. Interrogo-me se o seu dispensacionalismo não será igualmente algo temporal ou geográfico.  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Creio que o Evangelho da graça de Deus não tem barreiras geográficas. Ele é igualmente aplicável a todas as culturas.  

PERGUNTA dirigida ao Sr. Stam:
1 Pedro 1:11 parece indicar que eles sabiam o que estavam a profetizar?  

RESPOSTA pelo Sr. Stam:
Não. Se o irmão ler o contexto, este mostrar-lhe-á que eles não sabiam. “Inquiriram e trataram diligentemente”; investigaram não apenas sobre o tempo em que estas coisas ocorreriam, mas o que o Espírito significava quando testificava de antemão os sofrimentos de Cristo e a glória que se lhes seguiria. Eles não o podiam ter compreendido, porque os Doze tinham estado a cooperar em sintonia com o Senhor, e depois de terem pregado o que é chamado “o Evangelho” por pelo menos dois anos, Ele começou a dizer-lhes como Ele deveria sofrer e morrer, e diz em Lucas 18:31-34 que Ele tomou os Doze que tinham estado a pregar com Ele e disse-lhes como Ele seria morto, e três vezes, enfaticamente, num só versículo, diz: “E eles nada disto entendiam”. Não. Eles não sabiam.   


ENCERRAMENTO PELO DR. TENNEY
Lamento, mas temos de encerrar. Porém em conclusão quero fazer uma ou duas observações. Uma das falácias em que o povo Cristão pode muito facilmente cair é julgar alguém pelo exagero da sua posição. É muito fácil exagerar as diferenças de uma pessoa em relação a nós, formando uma espécie de caricatura que dizemos ser a sua posição mas que pode não ser exactamente assim. Penso que esta noite tivemos a vantagem de termos tido diferentes posições representadas pelos seus próprios advogados com a oportunidade de clarificar as diferenças e de tornar claro essas mesmas posições.

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