Graça I - A Dispensação da Graça - Mistério ou Profecia?
Nós temos insistido muitas vezes que apesar dos profetas terem “anteriormente [testificado] os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”, eles nada sabiam do presente período da graça que se situa entre os sofrimentos do nosso Senhor e a glória do Seu reino. “A dispensação da graça de Deus,” acerca da qual lemos em Efésios 3, era “um mistério” tornado conhecido apenas “por revelação” a Paulo, uns anos depois do Cristo rejeitado ter voltado para o céu. No versículo 5 ele diz que “noutros séculos não foi manifestado”. No versículo 9 ele denomina-a de “o mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus”. Em Romanos 16:25 ele diz “que desde tempos eternos esteve oculto”. Em Colossenses 1:26 ele insiste de novo “que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações.”
No entanto ainda há milhares de crentes sinceros que não vêem isto. Eles pensam que os profetas prenunciaram o reino da graça do mesmo modo que prenunciaram o reino de Cristo. Deste modo perdem algo da alegria dessa grande surpresa de graça que Deus planeou, para pecadores, “antes dos tempos dos séculos” (II Tim. 1:9), e “que desde tempos eternos esteve oculto” (Rom. 16:25).
Uma das passagens das Escrituras que os dificulta mais é I Pedro 1:10: “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada.” Eles dizem que isto prova conclusivamente que a dispensação da Graça foi profetizada anteriormente e que ela não era de modo algum um mistério.
Mas aqui, uma vez mais, temos de distinguir entre a graça numa dispensação e a dispensação da Graça. Pedro não está aqui a falar do reino da graça, mas da graça que prevalecerá durante o reino de Cristo. Isto é claro no versículo 13, onde ele exorta os seus irmãos Judaico-Cristãos, “[esperar] inteiramente na graça que se [lhes] ofereceu na revelação de Jesus Cristo”.
Lembremo-nos que como Cristo na terra, Pedro foi ministro “da Circuncisão” (Rom. 15:8; Gál. 2:7). A sua mensagem aos Judeus crentes tinha em vista o reino terreno de Cristo.
Os profetas tinham predito claramente que Deus julgaria o mundo por rejeitar o Seu Filho e que Ele entronizaria Cristo a despeito deles. Contudo Ele não fez isto imediatamente. Em incomparável misericórdia, Ele adiou o juízo e ofereceu a salvação a todos os que a recebem como uma dádiva gratuita através dos méritos de Cristo. E assim, apesar de Cristo ainda não estar a reinar, a graça reina. “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse” (Rom. 5:21).
Uma graça superabundante é a característica proeminente da forma de Deus tratar o homem neste “presente século mau.”
Quando Saulo de Tarso se tornou no líder de uma rebelião organizada contra Cristo, Deus, em amor, alcançou-o para o salvar, escolhendo-o como o próprio agente através de quem Ele proclamaria graça a um mundo perdido.
Escutemos o seu testemunho e a sua mensagem:
"A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e opressor; mas ... a graça de nosso Senhor superabundou” (I Tim. 1:13,14).
"Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é dum só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos (Rom. 5:15).
"Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça" (Rom. 5:20).
"Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça, que Ele fez abundar para connosco em toda a sabedoria e prudência (Efé. 1:7,8).
"Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rom. 3:24).
"E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra” (II Cor. 9:8).
"Porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a acção de graças para glória de Deus” (II Cor. 4:15).
O leitor interroga-se sobre a razão de dizermos que uma graça superabundante é a característica proeminente da forma de Deus tratar o homem neste “presente século mau”? Não há dúvida que a graça reina. De outra forma os trovões do juízo de Deus soariam e Ele introduziria o reino de Cristo.
Apesar de, na sua primeira epístola, Pedro ter dito aos crentes Judeus para “[esperarem] inteiramente na graça que se [lhes] ofereceu na revelação de Jesus Cristo”, ele mais tarde aprendeu algo dessa graça maior que Ele manifestaria ao adiar o juízo das nações e o reino de Cristo, e, como veremos, ele aprendeu isso de Paulo.
Quando Israel recusou arrepender-se e Cristo não voltou, alguns começaram a reclamar, “Onde está a promessa da Sua vinda?” (II Ped. 3:4).
Pedro responde agora a isto magnificamente. Ele diz, “amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.” E notemos que esta não é uma explicação pouco convincente oferecida hoje no término da era da Graça. Esta declaração foi feita no despontar da era.
Pedro prossegue, “O Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (II Ped. 3:8,9 cf. I Tim. 1:16 "toda a Sua longanimidade"). Por conseguinte o retardamento não deve ser tomado como tardio da parte de Deus, mas como longanimidade, e uma vez que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia,” este adiamento poderia continuar por qualquer medida de tempo, mesmo apesar dos sinais dos últimos dias já terem começado a aparecer (Actos 2:16,17).
Como é que Pedro sabia isto? De certeza que não foi através da profecia.
Antes de citarmos as palavras de encerramento significativas da sua epístola lembremo-nos do que Paulo disse em Efésios 3:1-3. “Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado pela revelação ...”
Como isto se harmoniza maravilhosamente com as palavras de encerramento da segunda epístola de Pedro! Ele diz-lhes para não terem o retardamento como tardio, mas como “... longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada” (II Ped. 3:15). Não é de admirar que ele diga no último versículo, “crescei na graça!”
Pedro aprendeu porque é que “a revelação de Jesus Cristo” está a ser retardada. Aprendamos também nós que Deus está à espera por causa do “Seu grande amor,” porque Ele detesta julgar.
Não podemos dizer por quanto mais tempo Ele continuará a esperar. Só podemos dizer aos perdidos, “E nós, cooperando também com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão; (Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação: eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.)” (II Cor. 6:1,2). E aos salvos, “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Efé. 5:15,16).
No entanto ainda há milhares de crentes sinceros que não vêem isto. Eles pensam que os profetas prenunciaram o reino da graça do mesmo modo que prenunciaram o reino de Cristo. Deste modo perdem algo da alegria dessa grande surpresa de graça que Deus planeou, para pecadores, “antes dos tempos dos séculos” (II Tim. 1:9), e “que desde tempos eternos esteve oculto” (Rom. 16:25).
Uma das passagens das Escrituras que os dificulta mais é I Pedro 1:10: “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada.” Eles dizem que isto prova conclusivamente que a dispensação da Graça foi profetizada anteriormente e que ela não era de modo algum um mistério.
Mas aqui, uma vez mais, temos de distinguir entre a graça numa dispensação e a dispensação da Graça. Pedro não está aqui a falar do reino da graça, mas da graça que prevalecerá durante o reino de Cristo. Isto é claro no versículo 13, onde ele exorta os seus irmãos Judaico-Cristãos, “[esperar] inteiramente na graça que se [lhes] ofereceu na revelação de Jesus Cristo”.
Lembremo-nos que como Cristo na terra, Pedro foi ministro “da Circuncisão” (Rom. 15:8; Gál. 2:7). A sua mensagem aos Judeus crentes tinha em vista o reino terreno de Cristo.
Os profetas tinham predito claramente que Deus julgaria o mundo por rejeitar o Seu Filho e que Ele entronizaria Cristo a despeito deles. Contudo Ele não fez isto imediatamente. Em incomparável misericórdia, Ele adiou o juízo e ofereceu a salvação a todos os que a recebem como uma dádiva gratuita através dos méritos de Cristo. E assim, apesar de Cristo ainda não estar a reinar, a graça reina. “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse” (Rom. 5:21).
Uma graça superabundante é a característica proeminente da forma de Deus tratar o homem neste “presente século mau.”
Quando Saulo de Tarso se tornou no líder de uma rebelião organizada contra Cristo, Deus, em amor, alcançou-o para o salvar, escolhendo-o como o próprio agente através de quem Ele proclamaria graça a um mundo perdido.
Escutemos o seu testemunho e a sua mensagem:
"A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e opressor; mas ... a graça de nosso Senhor superabundou” (I Tim. 1:13,14).
"Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é dum só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos (Rom. 5:15).
"Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça" (Rom. 5:20).
"Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da Sua graça, que Ele fez abundar para connosco em toda a sabedoria e prudência (Efé. 1:7,8).
"Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rom. 3:24).
"E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra” (II Cor. 9:8).
"Porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a acção de graças para glória de Deus” (II Cor. 4:15).
O leitor interroga-se sobre a razão de dizermos que uma graça superabundante é a característica proeminente da forma de Deus tratar o homem neste “presente século mau”? Não há dúvida que a graça reina. De outra forma os trovões do juízo de Deus soariam e Ele introduziria o reino de Cristo.
Apesar de, na sua primeira epístola, Pedro ter dito aos crentes Judeus para “[esperarem] inteiramente na graça que se [lhes] ofereceu na revelação de Jesus Cristo”, ele mais tarde aprendeu algo dessa graça maior que Ele manifestaria ao adiar o juízo das nações e o reino de Cristo, e, como veremos, ele aprendeu isso de Paulo.
Quando Israel recusou arrepender-se e Cristo não voltou, alguns começaram a reclamar, “Onde está a promessa da Sua vinda?” (II Ped. 3:4).
Pedro responde agora a isto magnificamente. Ele diz, “amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.” E notemos que esta não é uma explicação pouco convincente oferecida hoje no término da era da Graça. Esta declaração foi feita no despontar da era.
Pedro prossegue, “O Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (II Ped. 3:8,9 cf. I Tim. 1:16 "toda a Sua longanimidade"). Por conseguinte o retardamento não deve ser tomado como tardio da parte de Deus, mas como longanimidade, e uma vez que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia,” este adiamento poderia continuar por qualquer medida de tempo, mesmo apesar dos sinais dos últimos dias já terem começado a aparecer (Actos 2:16,17).
Como é que Pedro sabia isto? De certeza que não foi através da profecia.
Antes de citarmos as palavras de encerramento significativas da sua epístola lembremo-nos do que Paulo disse em Efésios 3:1-3. “Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado pela revelação ...”
Como isto se harmoniza maravilhosamente com as palavras de encerramento da segunda epístola de Pedro! Ele diz-lhes para não terem o retardamento como tardio, mas como “... longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada” (II Ped. 3:15). Não é de admirar que ele diga no último versículo, “crescei na graça!”
Pedro aprendeu porque é que “a revelação de Jesus Cristo” está a ser retardada. Aprendamos também nós que Deus está à espera por causa do “Seu grande amor,” porque Ele detesta julgar.
Não podemos dizer por quanto mais tempo Ele continuará a esperar. Só podemos dizer aos perdidos, “E nós, cooperando também com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão; (Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação: eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.)” (II Cor. 6:1,2). E aos salvos, “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Efé. 5:15,16).
(Continua)
- Cornelius R. Stam
- Cornelius R. Stam
Graça I - A Dispensação da Graça - Mistério ou Profecia?
Graça I - A Dispensação da Graça - Mistério ou Profecia? (Continuação)
Graça II - O Desvendar e Refulgir da Graça
Graça III - O que é a Graça?



