Ser Dispensacionalista

Carlos M. Oliveira     Todo o Cristão é dispensacionalista em algum grau. 

     Se hoje não oferecemos sacrifícios de animais no templo, em Jerusalém (por pensarmos que isso hoje não está em vigor) somos dispensacionalistas, pois reconhecemos que esses sacrifícios não estão em vigor nos nossos dias.
 
     Portanto, os Cristãos são todos dispensacionalistas. 

     A única diferença entre os dispensacionalistas é onde efetuam a divisão das Escrituras, e traçam a linha que divide o que nos diz respeito, como igreja, do que diz respeito a Israel. 

     A crença mais popular é a divisão entre  Novo Testamento e Velho Testamento. Tal divisão é um erro, como já mostrámos noutras ocasiões.

     Dizer que a dispensação da graça começou em Pentecostes é outro erro, pois o dia de Pentecostes era uma festa Judaica (Atos 2:1, 5,9,10, 14,22). Os Gentios não são ali contemplados e o reino ainda está a ser oferecido no cap. 3 dos Actos (3:12,19). 

     A dispensação da graça não podia começar antes de Israel ser posta de parte. A reconciliação só podia ser oferecida havendo inimizade, e Israel ainda não estava em inimizade. A teologia tradicional diz que Israel foi posta de parte na cruz. Mas o que dizem as Escrituras?

     Lucas 13.6: «E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, não o achando».

     Quem é que procurou fruto em Israel durante 3 anos?

     A teologia tradicional termina no ver. 7 — «E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inutilmente?» -  e diz Amém. Pensam que Israel foi cortada, como nação, ali.

     Mas notemos o que diz o ver. 8: «E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque». O livro dos Actos mostra que o Senhor deu mais uma oportunidade a Israel. O «ano» terminou em Atos 7:51-60. 

     O que carateriza verdadeiramente um dispensacionalista não é o número de dispensações, mas  

     1. A distinção entre Israel e a Igreja;

     2. A interpretação literal das Escrituras;

     3. A compreensão de que a salvação não é o fim, mas o meio para o fim – glorificar a Deus (Efé. 1.6,12,14). 

     A história sagrada pode ser dividida em várias dispensações, mas as duas grandes divisões são a Profecia e o  Mistério (Atos 3:21 e Rom. 16:25). Sobre isto já nos debruçámos anteriormente. 

     O facto de que pode haver sub-divisões é visto por exemplo em Rom. 5. Paulo fala ali de todo o período decorrido entre a queda e a dádiva da lei como uma dispensação – “Desde Adão até Moisés a morte reinou” (Rom. 5:12-14). 

     No entanto sabemos que houve desenvolvimentos dispensacionais durante esse período. (Efé. 1:16,17 e Fil. 1:9,10). 

     Basicamente as Escrituras desdobram-se em 7 dispensações. Parecem-nos as divisões mais básicas e naturais. Mas não temos qualquer objeção a quem veja outras divisões dispensacionais. 

     Cada uma das dispensações termina com juízo divino devido à desobediência do homem. Depois da queda cada dispensação começa com uma narrativa que indica que o homem fracassaria de novo. Vemos assim que não só terminam em fracasso como começaram com fracasso. 

     Que o Senhor nos ajude a manejar bem a Palavra da verdade (2 Tim. 2.15)! 

- C.M.O.

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