Vinte anos no movimento pentecostal

No verão de 1910, eu estava comprometido no trabalho missionário. Eu estava encarregado da Missão Sunshine, em Dundee, na Escócia. Estávamos muito felizes na nossa atividade porque as almas estavam a ser salvas e os obreiros desfrutavam de uma comunhão abençoada. Não lutávamos por diferenças doutrinárias, mas operávamos conjuntamente pela salvação de almas preciosas.
Nesse tempo começou o “movimento das línguas” na nossa cidade. Foi então que me disseram que a menos que eu recebesse “o batismo do Espírito” e “falasse em línguas”, eu não seria arrebatado quando o Senhor voltasse para o Seu Corpo.
Acabei por combinar com o pastor daquela assembleia pentecostal para participar numa das reuniões chamadas de espera. Eu tinha ouvido falar de todas as coisas maravilhosas que estavam a ser feitas e das manifestações espirituais. Portanto, fui ali na expectativa de receber algumas verdadeiras bênçãos espirituais.
Na noite em que fui à igreja, com um amigo, só vinte e cinco minutos depois de ter chegado é que recebi, o que eles chamavam do meu “batismo do Espírito”, tendo passado a falar em “outra língua”.
Eu realmente tive uma experiência; mas para mim parecia que às vezes eu estava a flutuar no ar. Várias vezes entrei em transe e eles disseram-me que eu estava “sob poder”. Eu estava. Mas não sob o poder divino. Era um poder bem diferente. Não demorou muito para que eu tivesse muitas dúvidas em relação àquelas manifestações. Eu tinha a certeza de que a experiência não era bíblica, mas tinha receio de dizer que não era de Deus, por medo de ser achado a falar contra o Espírito Santo. Milhares hoje estão a ser mantidos no movimento antibíblico por esse medo. Então continuei no movimento pentecostal, ministrando durante doze anos como pregador pentecostal no Canadá e nos Estados Unidos. Muitas vezes, quando estava só, sentia-me convicto e ansiava por ser liberto do pentecostalismo. Comecei a ler artigos contra o movimento, escritos por muitos dos principais ensinadores da Bíblia. E queria ouvir algum pregador famoso falar, mas estes condenavam e criticavam e não ofereciam nenhum corretivo bíblico sólido. Eu queria provas bíblicas da nossa ilusão, mas não recebi nenhuma. Eles eram capazes de provar que alguns dos líderes do movimento não faziam jus ao seu testemunho. Mas sei que o mesmo pode ser comprovado em relação aos líderes de outros movimentos. Por ter ficado completamente desgostoso com algumas das coisas que havia testemunhado, senti-me levado a renunciar ao movimento. Posso dizer que encontrei algumas das melhores pessoas de Deus falando em “línguas”. Mas eu tinha a certeza de que o Espírito de Deus não faria com que as pessoas se comportassem como muitos deles se comportavam, estando, como diziam, sob o poder do Espírito. O Espírito certamente não era responsável por tais declarações e confusão. Mesmo separado da Conferência, continuei como pastor numa Igreja Pentecostal, em busca de luz.
Um dia fui chamado a visitar um homem muito doente. Levei comigo o meu azeite da unção, esperando que me pedissem para orar por ele, de acordo com Tiago 5:14. Mas ele nunca mo pediu. Esse foi o início de muitas horas maravilhosas de oração com aquele santo de Deus. Ele pediu-me para esperar e almoçar com ele, para que eu pudesse ouvir uma mensagem radiofónica que ele queria muito que eu ouvisse. Eu esperei. Pela primeira vez ouvi o ensinador da Bíblia J. C. O’Hair dar uma das suas mensagens. Naquele dia ele estava a falar sobre a Epístola aos Gálatas. Eu escutei atentamente e pela primeira vez ouvi a mensagem que foi o meio que Deus usou para me libertar da ilusão pentecostal. Jamais esquecerei estes versículos – Gálatas 2:7 a 9: “Antes, pelo contrário, quando viram que o Evangelho da Incircuncisão me [a Paulo] estava confiado, como a Pedro o [Evangelho] da Circuncisão (Porque aquele que operou eficazmente em Pedro, para o apostolado da Circuncisão, esse operou, também, em mim, com eficácia, para com os Gentios).”
Eu nunca tinha notado estas palavras em Gálatas. Achei que ele estava a ler outra Bíblia. Se o que aquele homem está a dizer é verdade, eu tenho estado a pregar “outro evangelho”. Oh, que todos os pentecostais, bem como outros que afirmam ser fundamentalistas, simplesmente de forma diligente e em oração leiam e entendam Gálatas 2:7 a 9. Ao voltar para casa, peguei na Palavra de Deus; procurei as passagens e vi-as na minha própria Bíblia. Veio luz à minha alma. Fui libertado. Estudei a maravilhosa mensagem da Graça. Vi que tinha andado a pregar o Evangelho do Reino. Que mistura eu estava a fazer, esperando que sinais se seguissem. Que livramento, que alegria abençoada poder manejar bem a Palavra da verdade e pregar as riquezas incompreensíveis de Cristo, e a gloriosa mensagem de redenção sem as restrições da religião de Israel ou das tradições da Cristandade. Há apenas uma cura para todos estes movimentos - “Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Tim. 2:15).
O nosso programa atual não é o programa do reino de Mateus 10:5 a 8 nem o de Marcos 16:14 a 18. Nem é o programa de Pedro e os Onze, no Livro dos Atos. Eles eram Ministros da Circuncisão, com o Evangelho da Circuncisão. A nossa mensagem é o Evangelho da Graça, o Evangelho de Paulo (Atos 20:24; Efésios 3:2,3; Rom. 2:16; 16:25; 2 Tim. 2:8).
por Thomas W. Wellard



