A autoridade apostólica dos doze

A AUTORIDADE APOSTÓLICA DOS DOZE
“E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” — Mat. 16:19
“Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.” — Mat. 18:18.
“Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.” — João 20:23.
Esses três versículos das Escrituras são, é claro, muito significativos e importantes aos olhos dos Católicos Romanos. Que comungante da Igreja de Roma não os conhece? E como muitas vezes os católicos os têm usado para silenciar os protestantes!
Roma baseia as suas reivindicações de autoridade em assuntos espirituais nestas palavras do nosso Senhor.
REIVINDICAÇÕES DE ROMA
A Igreja Católica Romana argumenta:
1. Que aquelas palavras significam (querem dizer) o que dizem.
Roma opõe-se veementemente quando os protestantes modificam, qualificam ou de qualquer forma alteram o significado óbvio daquelas palavras. A Igreja Católica Romana insiste que sobre um grupo chamado (ekklesia, igreja) o nosso Senhor conferiu plena autoridade para agir oficialmente em Seu nome, até mesmo para a remissão dos pecados, e que tais atos oficiais seriam vinculativos no Céu.
Este é um argumento forte. A posição de uma pessoa é sempre fortalecida quando esta pode recorrer às Escrituras e afirma: “Isto é o que a Bíblia diz”.
2. A segunda grande afirmação de Roma é que a autoridade da Igreja estava centralizada nos doze apóstolos, sobre os quais Cristo colocou um deles, São Pedro, como chefe.
Esta afirmação é baseada no facto de que enquanto João 20:23 pode ter sido dito a muitos dos discípulos de Jesus, Mat. 18:18 foi aparentemente dirigido aos doze apóstolos, e é claro que Mateus 16:19 foi dirigido somente a Pedro.
Assim, é afirmado que a autoridade em assuntos espirituais foi dada à Igreja, representada pelos doze apóstolos e personificada no apóstolo Pedro.
3. A sua conclusão é que sendo a Igreja de hoje (segundo a doutrina católica) uma perpetuação da organização que Cristo instituiu e investiu com autoridade divina, deve necessariamente haver sucessão apostólica.
Sustentam que o corpo apostólico se perpetua no Colégio dos Bispos e que um deles, o Papa ou Bispo de Roma, sucede a São Pedro como seu chefe e chefe supremo da Igreja na terra - essa autoridade espiritual hoje ainda é investida na Igreja, representada pelo Colégio dos Bispos e personificada no próprio Papa.
Os protestantes podem levantar as mãos horrorizados com tais alegações, mas os argumentos protestantes contra a interpretação feita pelos católicos romanos são tão fracos quanto fios de algodão.
INTERPRETAÇÕES PROTESTANTES
1. A interpretação católica em forma modificada é encontrada nos credos ritualísticos de muitos denominações protestantes. Estas apresentam as reivindicações de Roma – com reservas e apologias.
2. Alguns protestantes argumentam que nestas palavras o nosso Senhor meramente deu aos apóstolos autoridade para declarar os termos da salvação.
3. Outros defendem que os apóstolos receberam a capacidade de discernir e declarar quais os pecados perdoados e quais os não perdoados. Isto é, eles poderiam declarar os pecados perdoados, não por qualquer autoridade que lhes tivesse sido dada, mas por causa dos poderes que Deus lhes teria dado para discernir o verdadeiro estado espiritual daqueles a quem eles ministravam.
4. Ainda outros afirmam que o nosso Senhor pretendia impressionar os Seus seguidores com a sua grande responsabilidade e avisá-los de que, por meio do seu comportamento, alguns O aceitariam enquanto outros O rejeitariam; alguns teriam os seus pecados remidos, enquanto outros teriam os seus pecados retidos.
Porém, todos esses argumentos esvaziam o significado natural e óbvio das palavras claras do nosso Senhor.
Mais, se Ele não quis dizer o que disse, quem tem o direito de nos dizer o que Ele quis dizer?
O que fazer então? Devemos voltar para Roma, admitir as suas reivindicações e entregar as nossas almas a homens …, homens que nos podem abençoar ou amaldiçoar de acordo com a sua vontade - homens que não sabem tanto de nós como nós mesmos?
A SOLUÇÃO
A solução para este problema é novamente dispensacional. Está no facto de Deus mudar, de tempos em tempos, o Seu modo de tratar com os homens - uma premissa que tem que ser reconhecida pelos Romanistas se de facto o nosso Senhor conferiu tais poderes aos Seus discípulos depois de vários milhares anos de história humana se terem passado.
OFICIAIS DO REINO
Consideremos João 20:23 à luz do seu contexto:
“Disse-lhes, pois, Jesus, outra vez: Paz seja convosco; ASSIM COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO A VÓS. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: RECEBEI O ESPÍRITO SANTO. ÀQUELES A QUEM PERDOARDES OS PECADOS, LHES SÃO PERDOADOS; E ÀQUELES A QUEM OS RETIVERDES LHES SÃO RETIDOS.” (João 20:21-23)
“Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”.
À luz dessas palavras, não é estranho ver o nosso Senhor conceder poderes oficiais. Estas palavras devem ser comparadas com Suas palavras aos doze em Lucas 22:28-30:
“E vós sois os que tendes permanecido Comigo nas Minhas tentações. E EU VOS DESTINO O REINO, COMO MEU PAI MO DESTINOU; para que comais e bebais à Minha mesa, no Meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel.”
Em Mat. 19:28 a questão dos tronos é declarada ainda mais definitivamente: “TAMBÉM VOS ASSENTAREIS SOBRE DOZE TRONOS, PARA JULGAR AS DOZE TRIBOS DE ISRAEL.”
Em Marcos 2:7 os escribas criticam Cristo, dizendo: “POR QUE DIZ ESTE ASSIM BLASFÉMIAS? QUEM PODE PERDOAR PECADOS, SENÃO DEUS?”
Será que seremos propensos a concordar totalmente com estes escribas? Não nos devemos esquecer que o nosso próprio Senhor disse: “E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo ... E deu-lhe o poder de exercer o juízo, PORQUE É O FILHO DO HOMEM.” (João 5:22, 27).
O Senhor Jesus certamente tinha autoridade para admitir homens no reino ou vedar-lhes a entrada. Certamente que Ele poderia perdoar pecados, e o que Ele fazia na Terra certamente que era vinculativo no Céu.
E agora Ele dá esses poderes aos Seus discípulos.
“ASSIM COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO A VÓS.”
“E EU VOS DESTINO O REINO, COMO MEU PAI MO DESTINOU.”
Os doze apóstolos seriam os oficias do reino e o que é um oficial sem autoridade?
PEDRO E OS ONZE
Mat. 21:43 deixa claro que o reino seria TIRADO dos principais sacerdotes e anciãos em Israel.
“PORTANTO, EU VOS DIGO QUE O REINO DE DEUS VOS SERÁ TIRADO, E SERÁ DADO A UMA NAÇÃO QUE DÊ OS SEUS FRUTOS.”1
Lucas 12:32 deixa claro que o reino seria DADO AO “pequeno rebanho”.
“NÃO TEMAS, Ó PEQUENO REBANHO, PORQUE A VOSSO PAI AGRADOU DAR-VOS O REINO.”
Matt. 19:28 deixa claro que a autoridade neste reino seria centralizada nos doze apóstolos.
“E JESUS DISSE-LHES: EM VERDADE VOS DIGO QUE VÓS, QUE ME SEGUISTES, QUANDO, NA REGENERAÇÃO, O FILHO DO HOMEM SE ASSENTAR NO TRONO DA SUA GLÓRIA, TAMBÉM VOS ASSENTAREIS SOBRE DOZE TRONOS, PARA JULGAR AS DOZE TRIBOS DE ISRAEL.”
Em Matt. 16:19 Pedro é apontado como chefe dos doze quando nosso Senhor diz:
“E EU TE DAREI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS”.
Nós encontramos repetidamente Pedro destacado como seu líder.
Em ligação com a escolha de Matias como sucessor de Judas, lemos:
“E naqueles dias, LEVANTANDO-SE PEDRO NO MEIO DOS DISCÍPULOS …” (Atos 1:15).
O registo do grande discurso pentecostal começa com estas palavras:
“PEDRO, PORÉM, PONDO-SE EM PÉ, COM OS ONZE, LEVANTOU A SUA VOZ…” (Atos 2:14).
A respeito dos que foram levados à convicção em Pentecostes, lemos:
“E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a PEDRO E AOS DEMAIS APÓSTOLOS: Que faremos, varões irmãos?” (Atos 2:37).
Assim, a autoridade divina foi dada ao “pequeno rebanho” representado pelos doze apóstolos e, pessoalmente, ao próprio Pedro. Essa autoridade estendia-se até à remissão de pecados.
A remissão de pecados foi, então, deixada nas mãos de homens falhos? Não, não homens falhos, pois enquanto a grande autoridade lhes fosse confiada a eles, não havia espaço para falhar. Consideremos isso mais plenamente.
OS ATOS OFICIAIS DOS APÓSTOLOS
É significativo que o primeiro ato oficial do “pequeno rebanho” tenha sido a nomeação do sucessor de Judas.
Alguns supõem que a designação de Matias foi um erro; que Paulo é que deveria ter sido o décimo segundo apóstolo. Mas não houve erro.
Os discípulos estavam a obedecer às Escrituras que diziam claramente: “… outro tome o seu ofício, ou, tome outro o seu bispado”. (Cf. Salmo 109:8 e Atos 1:20).
Além disso, a escolha do sucessor de Judas era de primordial importância e urgência, pois teria que haver doze apóstolos para ocuparem os doze tronos antes que o reino pudesse ser oferecido a Israel, e Saulo de Tarso não foi salvo senão algum tempo depois.
Além disso, Paulo não poderia ser qualificado, pois para ser contado com os onze era necessário ter estado com o Senhor continuamente “Começando desde o batismo de João, até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima …” (Veja Atos 1:21-22 e cf. Lucas 22:28-30).
A objeção de que Matias não é mencionado depois disso não faz sentido, pois isso também pode ser dito de alguns dos outros. O facto é que o próprio Espírito Santo numerou Matias com os onze e concedeu a todos os doze poderes miraculosos que eram as credenciais do seu apostolado.
Em adição a tudo isto, temos as palavras do nosso Senhor dirigidas aos que nomearam Matias, a saber: “TUDO O QUE LIGARDES NA TERRA SERÁ LIGADO NO CÉU”. Isto deve ser conclusivo.
Chegando agora ao próprio cenário Pentecostal, encontramos os apóstolos a exercerem plenamente a sua autoridade.
Pedro diz aos seus ouvintes convictos:
“… ARREPENDEI-VOS, E CADA UM DE VÓS SEJA BATIZADO EM NOME DE JESUS CRISTO, PARA PERDÃO DOS PECADOS; E RECEBEREIS O DOM DO ESPÍRITO SANTO” (Atos 2:38).
Observe cuidadosamente que o batismo na água era essencial para a salvação. Os apóstolos batizaram-nos “PARA PERDÃO DOS PECADOS.” Compare isso com as palavras do nosso Senhor, “ÀQUELES A QUEM PERDOARDES OS PECADOS, LHES SÃO PERDOADOS”, e “TUDO O QUE LIGARDES NA TERRA SERÁ LIGADO NO CÉU.” Há aqui uma perfeita harmonia.
Mas não poderia alguma pessoa perspicaz, arguta, ter enganado os apóstolos? Ananias enganou-os? Ele caiu morto!
Mas não poderia haver engano? Não, pois “TODOS FORAM CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO.” (Atos 2:4) e receberam poderes miraculosos especiais, incluindo o “dom de ciência, ou conhecimento.”
Prossigamos, avançando para o décimo capítulo do livro dos Atos.
Pedro não estava fora da vontade de Deus quando hesitou em ir aos Gentios. Ele conhecia bem o programa profético, a saber, que as nações seriam abençoadas através do LEVANTAMENTO, ou ASCENSÃO, de Israel. (Is 60:1-3).
Não tinha ele próprio citado aos “varões israelitas” o grande concerto abraâmico: “E NA TUA SEMENTE SERÃO BENDITAS TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA”?
Ele entendeu que, de acordo com esse programa, seria ilegal ele ir a uma outra nação antes de Israel aceitar a Cristo e se tornar na nação sacerdotal de Deus. Ele estava de acordo com a vontade do seu Mestre, pois o próprio Senhor dissera: “DEIXA PRIMEIRO SACIAR OS FILHOS”. (Marcos 7:27) Mesmo de acordo com a “grande comissão”, os apóstolos deveriam começar o seu ministério em Jerusalém. (Veja Lucas 24:47 e Atos 1:8). A nação de Israel teria que ser primeiro trazida aos pés do Messias.
Mas eis Pedro no terraço de Jope, “tendo fome”.Ele está com fome de quê? Carne de porco e outra comida “impura”? Fisicamente, talvez, mas o Espírito Santo interpreta a visão para nós e descobrimos que uma fome maior enche o seu coração. Oh, que Israel possa, como nação, receber o Messias e que as boas notícias possam ser espalhadas por todo o mundo! A carne impura falava dos gentios, que seriam recebidos logo que a “grande comissão” principiasse – mas Israel estava a impedir que tal acontecesse.
Foi a esta fome que o nosso Senhor respondeu por uma comissão especial a Pedro para ir à casa gentia de Cornélio, “não duvidando”. Ele não conseguia entender, mas foi e antes do assunto ficar resolvido, ele teve que comparecer perante os outros apóstolos para explicar a sua ação, e eles, por sua vez, “glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade, até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida.” (Atos 11:18)
Sem diminuir o aspecto do reino deste cenário, notemos que quando Pedro foi a casa de Cornélio, foi definitivamente não de acordo com o programa profético. Não foi porque a nação de Israel havia recebido a Cristo. Foi apesar do facto de Israel ter rejeitado a Cristo. Mas o que Pedro fez na Terra foi ligado no Céu.
Este incidente ocorre significativamente após o apedrejamento de Estêvão e a salvação de Saulo, e coloca o fundamento para o ministério subsequente de Paulo, que tinha a ver com a bênção do Gentios através da QUEDA de Israel. A experiência de Pedro foi absolutamente única. Nós nunca voltamos a encontrá-lo a ministrar aos Gentios. Mas foi na experiência de Pedro que o grande argumento para o ministério posterior de Paulo se baseou e que fez com que os doze o reconhecessem. Ninguém poderia negar que era agora propósito de Deus enviar bênção aos Gentios a despeito de Israel.
O palco estava agora montado para o ministério de Paulo. Haveria uma mudança no programa. O programa profético seria suspenso suspenso enquanto o mistério do propósito secreto e eterno de Deus se desenrolasse. Os doze desaparecerem de cena e o apóstolo Paulo tomaria o seu lugar.
OS DOZE APÓSTOLOS E PAULO
“E SUBI POR UMA REVELAÇÃO, E LHES EXPUS O EVANGELHO, QUE PREGO ENTRE OS GENTIOS, E PARTICULARMENTE AOS QUE ESTAVAM EM ESTIMA, PARA QUE, DE MANEIRA ALGUMA, NÃO CORRESSE OU NÃO TIVESSE CORRIDO EM VÃO … E CONHECENDO TIAGO, CEFAS E JOÃO, QUE ERAM CONSIDERADOS COMO AS COLUNAS, A GRAÇA QUE SE ME HAVIA DADO, DERAM-NOS AS DEXTRAS, EM COMUNHÃO COMIGO E COM BARNABÉ, PARA QUE NÓS FÔSSEMOS AOS GENTIOS, E ELES À CIRCUNCISÃO” (Gál. 2:2, 9).
Aqui, por acordo solene, Pedro, Tiago e João prometem circunscrever, limitar, o seu ministério a Israel enquanto Paulo vai aos Gentios. Isso é impressionante face ao facto de os doze, não Paulo, terem sido originalmente enviados a todo o mundo.
Estariam todos fora da vontade de Deus ao fazerem este acordo? De jeito nenhum! A subsequente revelação prova que todos eles estavam muito na vontade de Deus e que a rejeição de Israel de Cristo provocou uma mudança no programa.
O que os apóstolos ligaram na Terra foi ligado no Céu e também o que eles desligaram na Terra foi desligado no Céu.
À luz deste textos das Escrituras é difícil entender como alguém pode argumentar que o ministério de Paulo foi meramente uma perpetuação do dos doze ou que o reino dos céus e o corpo de Cristo são idênticos.
Foi provavelmente neste mesmo concílio que Paulo defendeu tão vigorosamente defendeu a liberdade dos crentes Gentios. Seja como for, é interessante notar o que foi decidido no concílio referido em Atos 15.
Não foi decidido ali que os crentes deveriam ser livres da Lei, mas que os crentes Gentios fossem livres da mesma. Nada foi dito sobre o estatuto dos crentes Judeus. Aparentemente nem sequer foi deduzido que eles também podiam ser livres. Foi assumido que eles ainda permaneceriam debaixo da lei. Os plenos efeitos do Calvário ainda não haviam sido proclamados.
A direção do Espírito Santo é claramente vista aqui. A liberdade ainda não podia ser proclamada aos crentes Judeus
Em primeiro lugar, por causa da limitação humana. Deus só pode ensinar aos homens um pouco de cada vez.
Em segundo lugar, uma mudança tão drástica tenderia a alienar ainda mais Israel do seu Messias, justamente quando era o propósito de Deus estender as Suas mãos em misericórdia a um povo desobediente e contraditório.
Portanto Deus superintendeu a tudo. Os apóstolos estavam controlados pelo Espírito Santo. Os Gentios seriam livres da Lei, mas nada foi dito quanto aos Judeus. O que os apóstolos desligaram na Terra foi desligado no Céu e o que eles não haviam desligado permaneceu ligado.
É interessante notar a declaração dos apóstolos a Paulo quando ele visitou Jerusalém novamente uns anos depois:
Atos 21:20, 25: “… BEM VÊS, IRMÃO, QUANTOS MILHARES DE JUDEUS HÁ QUE CREEM, E TODOS SÃO ZELADORES DA LEI.”
“TODAVIA, QUANTO AOS QUE CREEM DOS GENTIOS, JÁ NÓS HAVEMOS ESCRITO, E ACHADO POR BEM, QUE NADA DISTO OBSERVEM…”
Repetimos que à luz de tudo isto é difícil entender como alguém pode negar o caráter único do ministério de Paulo. Ele dedica quase dois capítulos na sua carta aos Gálatas para o facto de que ele não recebeu a sua mensagem dos doze, mas comunicou a sua mensagem aos doze, e em particular aos líderes, para que a sua missão não fosse em vão.
Ele enfatiza o facto de que aqueles que primeiro tinham sido enviados a todas as nações, começando por Jerusalém, agora concordavam em entregar a ele seu ministério gentio,para que ele pudesse proclamar “o Evangelho da graça de Deus.”
LIGADO NO CÉU - DESLIGADO NO CÉU
Voltemos agora às palavras do nosso Senhor dirigidas a Pedro, aos doze e ao “pequeno rebanho”.
Nestas palavras, o protestantismo está dividido como de costume, e pela mesma razão de sempre.
O protestantismo ainda está a tentar a operar sob a chamada “Grande Comissão”. Aquele considera a Igreja atual uma perpetuação da igreja daqueles dias.Não conseguiu reconhecer o caráter único do ministério de Paulo. Como pode esperar responder a Roma?
Todo o crente na Bíblia deve reconhecer que o nosso Senhor quis dizer o que disse quando conferiu autoridade oficial ao grupo que Ele estava em vias de deixar para trás. Mas todo o Cristão também deve reconhecer que por essa mesma autoridade os apóstolos entregaram o seu ministério gentio a Paulo. É esta a resposta às reivindicações de Roma.
Paulo não precisava que eles o designassem Apóstolo dos Gentios, pois o seu apostolado “não [era] da parte dos homens, nem por homem algum”. Mas eles precisavam de reconhecer o seu apostolado. Eles reconheceram-no, oficialmente, e o que eles ligaram na Terra foi ligado no Céu. Pelo mesmo ato oficial eles eles próprios foram desligados da comissão anterior que os mandava ir a todo o mundo, pelo que o que eles desligaram na Terra foi desligado também no Céu. Foi por isso que Paulo pôde declarar mais tarde,
“PORQUE CONVOSCO FALO, GENTIOS, QUE, ENQUANTO FOR APÓSTOLO DOS GENTIOS, GLORIFICAREI O MEU MINISTÉRIO” (Romanos 11:13).
AUTORIDADE APOSTÓLICA E SUCESSÃO APOSTÓLICA
Não muito depois de os doze terem entregue seu ministério gentio a Paulo, Deus pôs de parte a nação de Israel. Vê o que aconteceu ao ministério dos doze? Vê o que acontece ao argumento para a sucessão apostólica?
O programa profético foi interrompido com rejeição de Cristo por parte de Israel. O estabelecimento do Reino foi suspenso. O Rei encontra-Se num exílio real. A profecia deu lugar ao “mistério”, o propósito secreto e eterno da graça.
Pode ter a certeza de que o nosso Senhor virá novamente “Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus.” Ele não Se esqueceu da Sua promessa de dar aos doze apóstolos doze tronos no reino. Não pode haver sucessores para Pedro e os onze, pois eles mesmos reinarão com Cristo na glória. O que está a acontecer agora é um parêntese no programa de Deus.
Protelando o julgamento de Israel e das nações, Deus escolheu outro apóstolo para trazer uma mensagem de graça a este mundo que rejeita a Cristo. Quão grande é a Sua misericórdia e amor!
E como os homens são salvos hoje? Como é que os seus pecados são remidos? Eles têm que vir a alguma autoridade reconhecida e serem “batizados para a remissão dos pecados?” Roma, ainda seguindo Pedro, diz “Sim”. Mas vejamos o que o apóstolo Paulo tem a dizer sobre isso.
“… PELA GRAÇA SOIS SALVOS, POR MEIO DA FÉ, E ISTO NÃO VEM DE VÓS, É DOM DE DEUS; NÃO VEM DAS OBRAS, PARA QUE NINGUÉM SE GLORIE.” (Efésios 2:8,9).
Em contraste com o “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado … para perdão dos pecados” de Pedro, leia estas palavras escritas pela pena de Paulo:
“SENDO JUSTIFICADOS GRATUITAMENTE, PELA SUA GRAÇA, PELA REDENÇÃO QUE HÁ EM CRISTO JESUS,
“Ao qual Deus propôs para propiciação, pela fé no seu sangue, para demonstrar A SUA JUSTIÇA PELA REMISSÃO DOS PECADOS … PARA DEMONSTRAÇÃO DA SUA JUSTIÇA, NESTE TEMPO PRESENTE, PARA QUE ELE SEJA JUSTO, E JUSTIFICADOR DAQUELE QUE TEM FÉ EM JESUS.” (Romanos 3:24-27)
“SENDO, POIS, JUSTIFICADOS PELA FÉ, TEMOS PAZ COM DEUS, POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO” (Romanos 5:1)
Não está isto de acordo com o que o Senhor o mandou anunciar, completamente diferente do que o Senhor tinha mandado os doze anunciar? Leiamos:
“ … Gentios, a quem agora te envio,
“Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus, a fim de que RECEBAM A REMISSÃO DOS PECADOS e um lugar entre os santificados PELA FÉ EM MIM.” (Atos 26:17:18).
Que mensagem gloriosa!
E o reino? Algum homem na terra tem as chaves? Porque é que, tanto o Rei quanto o Seu reino estão no exílio! Eis porque Deus é honrado quando nós, pela fé, tomamos Cristo como nosso 141414Salvador. Quando o fazemos, somos “[transportados] para o reino do Filho do Seu amor” (Col.1:13), “AGRADÁVEIS, ACEITES, NO AMADO.” (Efésios 1:6).
E os crentes não são apenas transportados para o Reino do querido Filho de Deus, mas são batizados pelo Espírito Santo no próprio Cristo e tornados membros do Seu glorioso Corpo, ficando eterna e inseparavelmente unidos a Ele. (1 Cor. 12:12, 13, 27; Gál. 3:26-28).
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1 Observe cuidadosamente aqui que o reino seria dado a “uma nação”, não “às nações”. Além disso, essa “nação” produziria os frutos que Israel, sob os líderes de então, tinham falhado em produzir.
Por Cornelius R. Stam



