Mãos ao ar!
“Quero, pois, que os homens orem, em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda.” (I Timóteo 2:8).
Muitas vezes perguntam-me se Paulo quis dizer que, ao orar, devemos levantar literalmente as mãos. Visto que era assim que David orava (Salmos 141:2), sabemos que não há nada de errado em fazê-lo, contanto que entendamos o que Paulo quis dizer quando estipulou que as mãos que se levantam em oração devem ser “santas”.
Digo isso porque alguns pensam que Paulo está a referir-se à Lei, onde Deus disse que não ouviria o Seu povo se as mãos que eles levantavam em oração não fossem santas:
“Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os Meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1:15 cf. Sl 66:18)
Mas isso não pode ser o que Paulo tinha em mente aqui, pois nós “não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rom. 6:15). O pecado é perdoado na dispensação da graça, mas todos os que amam o Senhor terão o cuidado de não abusar da graça de Deus continuando no pecado para que a graça abunde (Rom. 6:1,2).
Portanto, isto significa que deve haver algum outro motivo pelo qual o apóstolo fala em levantar mãos santas, e há. Note, no contexto, que Paulo acabou de nos instruir a orar “pelos reis e por todos os que estão em eminência [ou, têm autoridade]” (I Tim. 2:1,2). Paulo está realmente a dizer que as mãos levantadas em oração para orar pelos nossos governantes no governo não devem estar envolvidas em quaisquer atividades precaminosas subversivas contra os mesmos, por quem devemos orar, a quem Deus diz que devemos estar sujeitos (Tito 3:1) sem resistir (Rom. 13:1-7).
É também por isso que Paulo diz que os homens devem orar “sem ira nem contenda” (I Tim. 2: 8). Alguns ligariam as suas palavras aqui ao programa do reino, onde o Senhor disse aos judeus a quem ministrou, (veja Mateus 15:24 e Romanos 15:8). “E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém …” (Marcos 11:25). Certamente não havia lugar para ira numa instrução como aquela! Também lhes foi dito,
“Porque, em verdade vos digo que, qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis” (Marcos 11:23,24).
Mas todo crente que já orou sem duvidar, simplesmente para não receber tudo o que orou, sabe que não estamos debaixo do programa do reino de Deus para Israel, bem como não estamos debaixo da Lei que Ele lhes deu. Portanto, essas referências à ira e à contenda sob o programa do reino não podem ser o que Paulo tinha em mente quando disse para orar “sem ira nem contenda”.
Em vez disso, no contexto, Paulo está a direcionar-nos para orar pelos nossos líderes no governo sem ira contra eles, que provavelmente era tão comum entre o povo de Deus nos dias de Paulo, que o apóstolo teve que falar sobre isso. Mesmo hoje, os crentes estão continuamente revoltados, irados, com os nossos líderes e sempre a contender contra eles. Portanto, a instrução de Paulo de que devemos orar por eles “sem ira nem contenda” é tão necessária hoje como nos dias em que essas palavras foram escritas pela sua pena. Portanto, em vez de criticarmos os nossos líderes, amados, oremos por eles.
por Ricky Kurth



