Coisas que diferem nos termos: fé, perdão, anciãos, batismo, ressurreição, reino de Deus, filhos de Deus, Evangelho e Igreja

Carlos M. Oliveira

 

     Na carta aos Filipenses, e a nós, vemos Paulo orar, no capítulo 1:9,10, para que o nosso amor como crentes abunde cada vez mais em conhecimento, mais especificamente, em todo o conhecimento, para podermos distinguir as coisas que diferem, e assim experimentarmos a excelência.

     De facto, há um conhecimento mais elevado e profundo, todo o conhecimento, que permite ver diferença em coisas aparentemente iguais. Quando o crente alcança este conhecimento entra na senda da excelência.

     A versão portuguesa de João Ferreira de Almeida diz no ver. 10 de Filipenses 1, “aproveis as coisas excelentes”. A versão de tradução literal em língua inglesa, Young’s Literal Translation,  diz “distingais as coisas que diferem” (Fil. 1.10).  Efetivamente, a palavra no Grego é diaphero, que quer dizer coisas excelentes que diferem. A versão inglesa, Living Bible diz, “para ver claramente a diferença entre o certo e o errado”.

     A Bíblia está cheia de exemplos de coisas que aparentemente parecem iguais, mas são diferentes. Esta foi uma das razões, porventura a principal, porque Paulo orou para que os crentes tivessem “espírito de revelação” (Efé. 1:17), que quer dizer capacidade de distinguir coisas que diferem.

     A falta desta capacidade pode conduzir a erros perigosos e graves. Por exemplo, em Jó 1:16 lemos de um mensageiro que não teve a capacidade de distinguir coisas aparentemente iguais, mas que eram diferentes. Ele disse: “Fogo de Deus caiu do céu”. Ora, nós sabemos pelo capítulo seguinte que o fogo que caiu do céu não era de Deus, mas de Satanás.

     Este assunto é, de facto, importante, vasto e mui digno e necessário de ser estudado. Eis alguns exemplos de coisas aparentemente iguais, mas que diferem, requerendo um estudo cuidadoso para que as diferenças se vejam, e conheçamos o gozo da excelência.

     . Quando lemos a palavra nas Escrituras, precisamos de saber e compreender que esta  nem sempre se refere a confiança, ou crer no que Deus diz. A Bíblia fala de 3 tipos de fé diferentes – a fé confiança (Gál. 2:16; 3:22,26), a fé dignidade de confiança (Gál. 2:20; 2 Tes. 3:2) e a fé corpo de doutrina (Rom. 1:8; 13:11; Gál. 1:23; 3:23; Fil. 1:27; 1 Tim. 4:6); 2 Tim. 4:7).

     Perdão. Na Bíblia, são revelados dois tipos de perdão – perdão judicial (Efé. 4:32) e perdão parental (1 João 1:9).

     Anciãos. Nas Escrituras esta palavra nem sempre se refere a idosos (1 Tim. 5:1; 1 Ped. 5:5). Também refere-se a pastores, bispos, ou presbíteros (Atos 15:2; 20:17,28; Tito 1:5,7).

     Batismo. Na Bíblia, esta palavra não se refere sempre a batismo na água. Várias ocorrências da palavra referem-se a diversos batismos espirituais, diferentes por sua vez entre si.

     Ressurreição. No texto sagrado esta palavra não se refere sempre à ressurreição física, e mesmo em relação a esta há várias ressurreições diferentes. A Bíblia também fala de ressurreição espiritual.

     Reino de Deus. Esta expressão, nas Escrituras, não se refere sempre ao reino espiritual, que não é comida nem bebida (Rom. 14:17). Também se refere ao reino físico e material, o reino dos céus (Mar. 14:25; cf. Luc. 13:29; 14:15; Mar. 14:25; Mat. 8:11) que envolve comida e bebida.

     Filhos de Deus. Esta expressão, na Palavra de Deus, não se refere sempre a seres humanos que creem em Jesus como seu Salvador (Gál. 3:26). Também se refere a anjos (Jó 1:6; 38:7).

     Evangelho. Nas Escrituras a palavra Evangelho não quer dizer sempre Evangelho da Graça de Deus (Atos 20:24). Pode querer dizer Evangelho do Reino (Mat. 4:23; 24:14), Evangelho Eterno (Apoc. 14:6), ou “Outro Evangelho” (Gál. 1:6,8).

     Por último, mas não menos importante, temos o termo Igreja.

     Igreja. Na Bíblia, a palavra Igreja (Gr. ekklesia, conjunto de pessoas chamados para fora a fim de se reunirem), não se refere sempre à Igreja da atual dispensação da graça de Deus, conhecida como a Igreja, o Corpo de Cristo (Efé. 5:23; Col. 1:18, 24). Refere-se também à Igreja no deserto e em todo o período do chamado Velho Testamento (Atos 7:38; Neemias 3:1), igualmente à Igreja existente durante o tempo em que o Senhor Jesus Cristo, quando estava na Terra, e Se reunia com os Seus discípulos (Mateus 18:17), e à futura Igreja Messiânica que Ele disse que edificará no futuro, quando vier à Terra (Mateus 16:16 a 19).

     Convém aqui lembrar e sublinhar bem que esta futura igreja de Mateus 16 não é a Igreja o Corpo de Cristo, pois esta era um mistério ignorado por todos, em todas a gerações, até ser revelado ao Apóstolo Paulo pelo Senhor quando já estava na glória, não antes. Esta Igreja Messiânica, será fundada sobre a confissão que Pedro fez do Senhor como “o Cristo”, o Messias, sendo edificada pelo Senhor quando Ele vier à Terra e enviar os Seus anjos para chamar para fora e reunir “os Seus escolhidos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade dos céus” (Marcos 13:27; Mateus 24:31).

     Infelizmente por falta de conhecimento, quando muitos leem a palavra Igreja nas Escrituras, pensam que se refere sempre à Igreja, o Corpo de Cristo. Ora, ao logo dos tempos, Deus teve sempre a sua Igreja. Quando Ele chamou os Israelitas para fora do Egito e os reuniu no deserto, Ele chamou-os de Igreja.  É assim que em Atos 7:38 lemos sobre uma “ekklesia no deserto”. Na nossa versão a palavra ekklesia, raiz da palavra igreja, foi traduzida por congregação – congregação no deserto. Portanto, vemos que Deus tinha uma “Igreja” muito antes de Cristo dizer: “Sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja”. Mateus 16:16 a 19.

     Mais de 25 vezes, no Segundo Livro das Crónicas, Deus referiu-se às reuniões do Seu povo terreno como "a ekklesia". Na Septuaginta Grega a palavra é “ekklesia”, a mesma palavra grega encontrada 116 vezes nas Escrituras do chamado Novo Testamento. Em Neemias 13:1, lemos sobre a “ekklesia de Deus” (ou, Congregação de Deus); e neste livro de Neemias aprendemos que os inimigos de Deus perseguiram "a ekklesia de Deus". Portanto, o apóstolo Paulo não foi o primeiro homem a perseguir "a Igreja de Deus" (Gálatas 1:13).

     Pensar que porque lemos que Paulo “perseguia a igreja de Deus e a assolava” (Gál. 1:13), ele estaria a perseguir a Igreja o Corpo de Cristo, é um equívoco tão grande quanto pensar que os que perseguiam a ekklesia de Deus no tempo de Neemias também perseguiam a Igreja, o Corpo de Cristo, que ainda estava bem longe de ser revelada, pois a Igreja, o Corpo de Cristo, só se começou a formar após a conversão do Apóstolo Paulo. O Apóstolo Paulo perseguia a igreja que temos em Mateus 18:17.

     Uma lição muito simples, mas importante para aprendermos, é que “o Corpo de Cristo” é “a Igreja de Deus”; mas “a Igreja de Deus” não é necessariamente “o Corpo de Cristo.”

     Sim, que o nosso amor como crentes abunde cada vez mais em conhecimento, mais especificamente, em todo o conhecimento, para podermos distinguir as coisas que diferem, e assim experimentarmos a excelência.

- C.M.O.

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