Cobardia ou Ousadia?

“Orando … por todos os santos,
“E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o Mistério do Evangelho,
“Pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar” (Efésios 6:18-20).
O tema principal da epístola aos Efésios é sem dúvida a verdade de “O Mistério”, também denominada “Dispensação da Graça de Deus”.
“SE É QUE TENDES OUVIDO A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS, que para convosco me foi dada;
“Como me foi ESTE MISTÉRIO manifestado pela revelação …” (Efésios 3:2,3).
Vê-se claramente nestas palavras que o Apóstolo Paulo estava preocupado com a ignorância da verdade de ”O Mistério”– uma ignorância que é incrível como continua a existir nos nossos dias, decorridos cerca de 2.000 anos.
O Apóstolo Paulo começa por referir esta verdade logo no capítulo 1, mostrando como se tratava de uma vontade que Deus mantivera em segredo até então:
“Descobrindo-nos o Mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si mesmo,
“De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na Dispensação da Plenitude dos Tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Efésios 1:9,10).
Como exemplos do teor deste segredo até então escondido, portanto, não revelado, destacam-se nesta sua carta:
- A nossa porção em Cristo “ANTES da fundação do mundo” (Efésios 1:3), em vez de “DESDE a fundação do mundo” (Mateus 25:34; Apocalipse 17:8).
- A receção do Espírito mediante o simples OUVIR “a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação” e CRER no Senhor Jesus Cristo (Efésios 1:13), em vez da receção do Espírito mediante o ARREPENDIMENTO e BATISMO NA ÁGUA (Atos 2:38).
- A obtenção da salvação só pela graça, sem quaisquer obras, portanto, apesar do IMÉRITO e INDIGNIDADE do pecador (Efésios 2:8,9), em vez da obtenção da salvação por MÉRITO e DIGNIDADE do pecador (Mateus 10:11-14, 22, 32, 33; 5:20).
- A abrangência da salvação ser total, incluindo Gentios (Efésios 2:11-19), em pé de igualdade, sem qualquer diferença (Efésios 3:6), em vez de com discriminação (Mateus 10:5,6) e parcialidade (Mateus 15:22-28; Lucas 24:47).
- O recebermos “UM SÓ batismo” (Efésios 4:5; 1 Coríntios 12:13; 1:17), em vez de VÁRIOS batismos (Mateus 3:11; 28:19; Marcos 1:8; 16:16).
- O perdoarmos PORQUE já fomos perdoados (Efésios 4:32) e NÃO PARA sermos perdoados (Mateus 6:14,15).
- O sermos cheios do Espírito VOLUNTARIAMENTE (Efésios 5:18), em vez se o sermos INVOLUNTARIAMENTE (Atos 2:1-4; 4:31).
- O conhecermos o nosso Senhor Jesus Cristo como “Salvador DO CORPO” (Efésios 5:23), e não como “Salvador D’ISRAEL” (Atos 13:23).
Depois, no capítulo 3, dá a saber como Deus revelou esta verdade de “O Mistério”, a ele e a nós por seu intermédio, e como os crentes têm a obrigação de a conhecer.
“SE É QUE TENDES OUVIDO A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS, que para convosco me foi dada;
“Como me foi ESTE MISTÉRIO manifestado pela revelação …” (Efésios 3:2,3).
No capítulo 5, para combater a ignorância e facilitar o entendimento e a compreensão da verdade de “O Mistério”, o apóstolo ilustra-a com a realidade do casamento, ou matrimónio:
“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.
“Grande é este Mistério: digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja” (Efésios 5:32).
E termina a carta revelando no último capítulo (6), que Satanás é uma das principais razões do estado de ignorância dos crentes em geral relativamente à verdade de “O Mistério”. O próprio apóstolo revela a sua própria experiência pessoal da oposição diabólica relativamente à divulgação desta verdade, dando a saber que a sua prisão em Roma resultava disso. No combate constante “contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade”, ele inclui a simples e poderosa arma da oração, pedindo aos crentes a usassem a seu favor, como preso pela verdade de “O Mistério”:
“… o Mistério do Evangelho,
“Pelo qual sou embaixador em cadeias …” (Efésios 69,20).
“… Mistério de Cristo, pelo qual estou também preso” (Colossenses 4:3).
Sim, o diabo é um acérrimo opositor à pregação e divulgação da verdade de “O Mistério”, usando muitos instrumentos, diabólicos, como já vimos, porém também humanos, para a neutralizar e aniquilar, como vemos, a título de exemplo, nos seguintes textos:
“… homens … traidores, obstinados, orgulhosos, … que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes RESISTEM À VERDADE, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos [ou, reprovados] quanto à fé” (2 Timóteo 3:1-8).
“Como te roguei, quando parti para a Macedónia, que ficasses em Éfeso, para ADVERTIRES A ALGUNS, QUE NÃO ENSINEM OUTRA DOUTRINA” (1 Timóteo 1:3).
“Instruindo com mansidão os que RESISTEM, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade” (2 Timóteo 2:25).
“… NÃO SOFRERÃO A SÃ DOUTRINA; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências e DESVIARÃO OS OUVIDOS DA VERDADE, voltando às fábulas” (2 Timóteo 4:3,4).
“Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males … porque RESISTIU MUITO às nossas palavras” (2 Timóteo 4:14,15).
Face a esta onda de oposição, Paulo pediu aos crentes que orassem por ele assim:
1. “… me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança …” (ou seja, com ousadia, não me deixe intimidar);
2. “… fazer notório o Mistério do Evangelho” (ou seja, apresentar esta verdade de forma clara e compreensível);
3. “… que possa falar dele livremente …”, ou seja, desimpedidamente;
4. “… como me convém falar”, ou seja, plenamente.
Ora, nós que compreendemos a verdade de “O Mistério”, não podemos pensar, perante um quadro atual tão semelhante ao dos dias de Paulo, que podemos ter uma atitude e postura diferente.
Precisamos de comunicar esta verdade plenamente, desimpedidamente, compreensivelmente e ousadamente.
Se nós não falarmos e espalharmos esta verdade, podemos estar certos de que os promotores do erro não deixarão de o matraquear até à exaustão. Os nossos filhos abraçarão o erro por não lhes darmos a possibilidade de conhecerem a verdade, ou por eles verem que esta não é importante para nós. O resultado será trágico - perda irreparável para nós e para as próximas gerações.
Paulo foi ousado, e por isso esta verdade chegou a nós.
“Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais OUSADAMENTE, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada;
“Que seja ministro de Jesus Cristo entre os gentios, ministrando o Evangelho de Deus …” (Romanos 15:15,16).
“Mas, havendo primeiro padecido, e sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos OUSADOS em nosso Deus, para vos falar o Evangelho de Deus com grande combate” (1 Tessalonicenses 2:2).
Tu só tens duas opções: de cobardia ou de ousadia. O que vais escolher?
- C. M. O.



