O Evangelho de Paulo e a praça de Atenas do primeiro século

Carlos M. Oliveira

 

Quando o Evangelho de Paulo é pregado, é fácil vê-lo transformar as praças do nosso tempo na praça de Atenas do primeiro século. Tal só não acontece se aquele não for pregado.

Quando se faz eco à verdade do Evangelho nos nossos dias, como embaixadores de Jesus Cristo a que devemos fazer jus, é maravilhoso testemunhar como até o palco da Internet parece transformar-se na praça de Atenas do primeiro século,

O Apóstolo Paulo tinha por costume debater sobre as Escrituras. A disputa sobre as Escrituras era uma prática muito usada pelo Apóstolo Paulo, como se vê no seguinte texto narrado por Lucas.

Atos 17

2  E PAULO, COMO TINHA POR COSTUME, foi ter com eles; e por três sábados DISPUTOU COM ELES SOBRE AS ESCRITURAS,

3  EXPONDO E DEMONSTRANDO que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo.

4  E ALGUNS DELES CRERAM, E AJUNTARAM-SE COM PAULO E SILAS.

Alguns acham ser inglório tal esforço, mas erram não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus (Mateus 22:29)1. Como vemos aqui, há sempre quem se converta. As pessoas só não se convertem, se não ouvirem, e só os realmente Cristãos lhes podem falar.

Olhando mais adiante neste texto, vemos na experiência do apóstolo Paulo em Atenas que o debate faz parte da natureza proclamadora do Evangelho. Neste mundo há somente duas posições: a de Deus e o resto. E o verdadeiro crente deve assumir a posição de Deus, como Paulo fez em Atenas, ao pregar o Evangelho.

O Evangelho continua incisivo, não perdendo a sua acutilância, quando o crente resolve ser, ousadamente, seu intérprete e arauto.

A apologética (no Grego: ἀπολογία, "defesa verbal, discurso em defesa") é, em suma, tratando-se da verdade do Evangelho, a defesa cristã do Cristianismo contra as objeções que os “epicureus” e “estoicos” do nosso tempo lhe fazem (Atos 17:18).

Um bom exemplo de apologética cristã é a pregação de Paulo registada em Atos 17:22-34.

Há muitas coisas que como crentes precisamos de aprender com o apóstolo Paulo, e uma delas é que ele foi um evangelista modelo (1 Cor 9:19-23) que deve, por nós, ser seguido.

Uma das áreas em que Paulo se destaca como exemplo é no domínio da apologética. Quase imediatamente após a sua conversão, Paulo (Saulo) pregou aos judeus em Damasco “provando que [Jesus] era o Cristo” (At 9:22). Da mesma forma, lemos  que Paulo passou três dias de sábado em Tessalónica disputando, expondo e demonstrando que Jesus era o Messias tão esperado (Atos 17:1-3).

Embora a capacidade de Paulo de raciocinar e persuadir os seus compatriotas judeus fosse admirável, a sua interação com os filósofos gregos do seu tempo é o que queremos destacar aqui. A situação de Paulo em Atenas, em Atos 17:22-34, é muito semelhante, de várias formas, ao nosso cenário hoje para a apologética. Exatamente como acontece com as pessoas com quem hoje debatemos no discurso apologético, os filósofos do Areópago não acreditavam no Deus monoteísta nem nas Escrituras. Olhando para a abordagem que Paulo fez em Atenas, nós podemos aprender como abordar melhor os céticos e os incrédulos do nosso tempo.

A primeira lição apologética que podemos e devemos extrair do discurso de Paulo no Areópago é que, como ele, devemos procurar as plataformas com maior oportunidade para discussão e debate. Aprendemos isso com ele em Atos 17 de duas maneiras. Primeiro, Paulo procurou os que estavam dispostos a falar sobre o assunto. Depois, Paulo aproveitou as oportunidades quando se deparou com as mesmas. Ele sabia bem que “como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes, pela loucura da pregação” (1 Coríntios 1:21). Não obstante a sua pregação ser considerada pela audiência loucura, ele não deixou de a fazer.

Antes do apóstolo Paulo chegar ao Areópago, ele debatia todos os dias no mercado com as pessoas que estavam ali (Atos 17:17). Isto pode parecer um detalhe fortuito, mas a “praça” (“mercado”) em Atenas era muito mais do que uma mercearia ou supermercado. A praça era o centro da vida ateniense. Paulo não estava na praça para bombardear as pessoas com as provas da ressurreição de Jesus enquanto elas procuravam comprar comida ou roupa. Ele procurava falar de Cristo no lugar que fosse mais oportuno e eficaz. A praça era o centro da vida social e onde as ideias eram compartilhadas e debatidas. Assim, na praça, Paulo conseguiu conversar com alguns filósofos epicuristas e estóicos (Atos 17:18).

Qual será, hoje, o lugar equivalente à praça? Não é difícil de descortinar. Pode-se dizer, talvez, que a praça moderna seja a Internet ou as redes sociais (Facebook, Instagram ou WhatsApp). Talvez seja a escola ou a universidade, ou qualquer outro lugar público. Mas qualquer que seja a vida de cada um de nós, nos dias de hoje, como de sempre, nós conseguiremos sempre uma praça na nossa experiência pessoal, se estivermos imbuídos do mesmo espírito de pregação do Evangelho como embaixadores de Jesus Cristo. Precisamos de nos fazer presentes nas praças deste mundo para falarmos de  Cristo. Nós conseguimos encontrar sempre a nossa praça onde podemos tentar iniciar uma conversa sobre o Cristianismo com pessoas que demonstrem estar interessadas. Precisamos aprender com o Apóstolo Paulo e aproveitar esses lugares nas nossas vidas, quaisquer que eles sejam. O foco de Paulo estava em ser o mais eficaz possível, aproveitando bem as oportunidades.  A praça permitiu que Paulo falasse em público, a uma grande audiência. A oportunidade era boa demais para que ele a deixasse escapar. Façamos o mesmo, pois podemos alcançar, mesmo, milhares de pessoas, pela graça de Deus.

Paulo não apenas procurou o lugar mais eficaz para falar de Cristo, como esse desejo e esforço inicial o conduziu depois a uma oportunidade ainda maior que ele conseguiu aproveitar muito bem. A narrativa de Atos diz que, por causa da conversa de Paulo na praça, ele foi convidado a falar seguidamente no Areópago, onde “todos os atenienses e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade” (Atos 17:21). Paulo tinha acertado em cheio no local para aumentar as suas oportunidades de ser apologético. Ele conseguiu proclamar a verdade do Evangelho às pessoas que estavam interessadas em ouvir o que ele tinha a dizer.

Façamos o mesmo, pois continua a haver muitos curiosos. O Senhor nos ajudará.

Não nos preocupemos com o resultado, mas em sermos fiéis (1 Cor. 4:1,2).

No caso desta experiência de Paulo é curioso vermos que sobre os seus interlocutores diretos, lemos eles terem-lhe dito:

“Acerca disso te ouviremos outra vez” (Atos 17:32). 

No entanto, e isto é muito importante, pois tinham sido muitos os que o ouviram, lemos:

“Todavia, chegando alguns varões a ele, creram, entre os quais foi Dionísio, areopagita, e uma mulher, por nome Damaris, e com eles outros” (Ver. 34).

- C.M.O.

__________________________________
1  Alguns até chegam a usar incorretamente versículos das Escrituras, não manejando bem a Palavra da verdade, procurando desencorajar a obra evangelística hoje. Chegam a citar passagens como Mateus 7:6 - Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés, e, voltando-se, vos despedacem -, que se enquadra com Mateus 10:13,14 - E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz. E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Ora, estas instruções são para a pregação do Evangelho do Reino, não para  hoje, em que se deve pregar o Evangelho da Graça. Hoje é dia de graça, de manifestação de pura graça. O Evangelho da Graça, tal como a palavra graça indica, é endereçado a pessoas indignas. As instruções de Paulo à Igreja, o Corpo de Cristo, são muito claras em Tito 1:9: Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.  A ordem hoje é convencer os contradizentes; não é voltar-lhes as costas, sacudindo os pés, e abandoná-los, como acontecia na dispensação anterior.

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor (1 Coríntios 15:58).

 

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