Porquê casar e não ajuntar – ou o argumento bíblico para o casamento

Signing marriage license on a picnic table at Chatfield Botanic Gardens in Colorado

 

     O casamento é transdispensacional. Não há um casamento no Éden, antes do pecado, diferente do casamento nos vários períodos pós-Éden e hoje, na dispensação da Graça de Deus.

     O casamento é claramente uma instituição divina definida e realizada por Deus.

Mateus 19
4 Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez,

5 E disse: Portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?

6 Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto O QUE DEUS AJUNTOU não o separe o homem.

O casamento é uma união de um homem e uma mulher COM DEUS – uma união, portanto, a três.

Em Génesis 2 vemos o início do casamento e a confirmação da instituição divina que é.

22 E da costela que O SENHOR DEUS tomou do homem, formou uma mulher: e TROUXE-A A ADÃO.

23 E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne: esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.

24 Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne

Ambas as passagens (Mateus 19 e Génesis 2) estão unidas pelos versículos 5 e 24 respetivamente, e em ambas vemos que É DEUS QUE UNE O CASAL.

Ademais, em Génesis 1 vemos que Deus quis abençoar o casal unido pelos laços do matrimónio, dando com isso indicação do que o quer continuar a fazer em todos os matrimónios.

27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.

28 E DEUS OS ABENÇOOU, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

Em Hebreus 13 lemos que pode haver prostituição fora do matrimónio.

4 Venerado seja entre todos o matrimónio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará.

O que define o matrimónio?

Não é o mero ajuntamento de um homem e uma mulher, formando uma só carne, que define o casamento, pois no ajuntamento de um homem com uma mulher (meretriz) os dois também se tornam numa só carne e isso não é casamento. Porquê? Porque Deus está fora desse relacionamento. Lembremo-nos que o casamento é uma união de um homem e uma mulher COM DEUS.

1 Coríntios 6:16
Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne.

Por conseguinte aprendemos nas Escrituras que quem define o casamento, E O ESTABELECE, é Deus, o terceiro elemento chave indispensável no matrimónio. NÃO HÁ CASAMENTO SEM DEUS.

O Senhor Jesus Cristo mostrou em João 4:17,18 que um homem viver com uma mulher em união sexual não constitui um relacionamento "marido e mulher".

17 A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;

18 Porque tiveste cinco maridos, e O QUE AGORA TENS NÃO É TEU MARIDO; isto disseste com verdade

Portanto, dizer que um casal está casado aos olhos de Deus quando a união física é consumada por meio de relações sexuais não tem fundamento nas Escrituras.

Malaquias 2 mostra que o casamento é um concerto com a participação de Deus:

14 E dizeis: Por quê? porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal sendo ela a tua companheira, e a mulher do teu concerto.

Isto demonstra que na Bíblia o casamento era mais do que uma mera união física e emocional. Era também um compromisso moral e legal assinado em concerto.

Alguns dizem, “É o nosso amor e compromisso pessoal um com o outro que importa, não um pedaço de papel." Quem é que disse que um pedaço de papel não fará qualquer diferença? Não é isso que vemos nas Escrituras.

Podemos inventar centenas de desculpas para não obedecer a Deus, mas uma vida de bênção requer um coração de obediência ao nosso Senhor. “E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus” (Deut. 28:2).

No costume judaico, o povo de Deus, obedecendo a este texto de Malaquias, assinava um acordo escrito no momento do casamento para selar o pacto tendo em consciência a presença de Deus, exatamente como acontece hoje. Tratava-se, portanto, de uma demonstração pública do compromisso desse casal perante Deus e os homens.

Esse concerto, pacto ou aliança, era assinado por duas testemunhas e considerado um acordo legalmente vinculativo. É proibido aos casais judeus viverem juntos sem este documento. Para os judeus, o pacto do casamento representa simbolicamente o pacto entre Deus e o Seu povo, Israel. E para nós cristãos, o casamento também vai muito para além do pacto terreno, tratando-se de uma figura divina do relacionamento existente entre Cristo e a Igreja (Efé. 5:32). É um acontecimento tão sério que se trata de uma representação espiritual do nosso relacionamento com Deus.

O Apóstolo Paulo, ao escrever aos Romanos, diz que as autoridades “foram ordenadas por Deus” (13:1), que a autoridade é “ministro de Deus” (13:4). O exercício das autoridades verifica-se a vários níveis, e um deles é a oficialização do casamento. Assim qualquer casal que se una pelos laços do matrimónio apenas civilmente, está casado realmente aos olhos dos homens e aos olhos de Deus, pois o casamento efetuado por estes ministros de Deus é biblicamente vinculativo. É claro em Romanos 13 que como filhos de Deus temos a obrigação de honrar e obedecer às leis dos nossos governantes terrestres, que também são autoridades divinamente estabelecidas. Um casal está casado aos olhos de Deus quando está legalmente casado.

     O casamento civil trata-se de um contrato lavrado na presença de testemunhas e com a autoridade delegada pelo estado na pessoa do Conservador, que declara: "De acordo com a vontade de ambos, que acabais de pronunciar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados". Isso muda dependendo do país ou da época, mas temos exemplos de contratos assim firmados na Bíblia. Um é o de Boaz e Rute, celebrado "à porta da cidade", que era o equivalente ao fórum da época, e na presença das autoridades e testemunhas:

     "Então Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: Sois hoje testemunhas de que tomei tudo quanto foi de Elimeleque, e de Quiliom, e de Malom, da mão de Noemi, e de que também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herança, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar; disto sois hoje testemunhas. E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas; o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e porta-te valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém. E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar deu à luz a Judá), pela descendência que o Senhor te der desta moça. Assim tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher; e ele a possuiu, e o Senhor lhe fez conceber, e deu à luz um filho." (Rt 4:9-13).

     É evidente que o casal crente não se contenta apenas com este mero vínculo bíblico. Ele busca a bênção do Senhor para a sua nova vida, concretizando tal desejo através de um ato singelo simples junto dos seus irmãos na fé e perante Deus e a Sua Palavra, em oração.

     Um bom exemplo deste procedimento é visto no casamento das bodas de Caná.

     “… foi também convidado Jesus e os Seus discípulos … (João 2:2).

- C.M.O.

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