As crianças que morrem antes de atingirem a idade da razão salvam-se ou não?
A idade da razão
As Escrituras ensinam claramente que a idade da razão é um facto. Contudo isto não significa que um bebé não seja pecador ou que esteja "salvo" e depois se "perca" posteriormente. Se tal fosse verdade, em que sentido teria sido "salvo"? Não, as Escrituras indicam que embora as crianças possuam uma natureza pecaminosa desde a concepção (Cf. Sal. 51.5) Deus não as responsabiliza pelos seus pecados antes de atingirem o ponto da escolha pessoal.
Uma importante passagem nesta relação é Romanos 5.12-14.
"Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
"Porque ate à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.
"No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura d'Aquele que havia de vir".
Embora toda a humanidade esteja "em Adão" e seja assim claramente toda ela pecadora por natureza e descendência, notemos que Paulo diz-nos que "o pecado não é imputado, não havendo lei" - isto é, quando não existe "conhecimento de pecado", pois "pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rom. 3.20). O apóstolo diz mais tarde nesta mesma epístola:
"... eu não conheci o pecado senão pela lei ...
"E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri" (Rom. 7.7,9).
É muito claro o facto de Deus não responsabilizar moralmente os que não chegam ao "conhecimento do pecado" - os que "não pecaram à semelhança da transgressão de Adão"; isto é, os que não violaram com conhecimento de causa um mandamento específico como fez Adão.
Até o Velho Testamento derrama luz sobre este ponto, pois também ensina claramente que Deus reconhece que alguns não são moralmente responsáveis.
Consideremos as seguintes passagens:
"E não hei-de Eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, (evidentemente crianças) e também muitos animais" (Jonas 4.11) .
"Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra de que te enfadas será desamparada dos seus dois reis" (Isa. 7.16).
"E vossos meninos de que dissestes: Por presa serão: e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem, eles ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão" (Deu. 1.39).
Em Números 14.29 aprendemos que os "meninos" referidos em Deu. 1.39 tinham 19 anos de idade! Hoje considerá-los-íamos bastante velhos. Contudo, deve ser lembrado que a idade de 12 anos geralmente tida como a idade limite da razão é um conceito baseado numa leitura errada pela tradição religiosa de Luc. 2.42. Não há nada nas Escrituras que suporte tal conceito.
Parece simplesmente muito melhor reconhecer que a idade da razão varia de indivíduo para indivíduo e especialmente de sociedade para sociedade. Contudo permanece o facto de que as Escrituras ensinam claramente que Deus reconhece uma idade para a idade da razão. Quando uma criança atinge o ponto na sua vida em que passa a possuir o "conhecimento do bem e do mal" atinge a idade da razão. É por isso que é extremamente importante manter sempre o evangelho do amor e da graça de Deus sempre diante das crianças de modo a que quando elas percebam que o pecado é pecado conheçam a maravilhosa provisão de Deus a favor dos pecadores.
A morte dos "MENINOS"
E que diremos dos meninos que morrem antes de chegarem ao ponto da idade da razão pessoal? O Velho Testamento é de novo ajudador neste caso. David disse a respeito do seu bebé que tinha acabado de morrer, "Eu irei a ele, porém ele não voltará a mim" (2 Sam. 12.23). Isto não implicará que David possuía uma fé implícita de que o seu filhito, tal como ele próprio, estava salvo?
Numa outra dispensação o Senhor disse, "Não é da vontade do vosso Pai que está no céu que algum destes pequeninos se perca" (Mat. 18.14).
As crianças são salvas se morrerem antes de se tornarem moralmente responsáveis. Salvas - não por serem inocentes, nem devido a qualquer cerimónia religiosa (Lembremo-nos que o bebé de David não viveu o tempo suficiente para ser circuncidado); elas são salvas porque Cristo morreu pelos pecadores - por elas, e porque não é da vontade de Deus que alguma delas pereça.
Deuteronómio 1.39 é aqui de novo ajudador, pois indica que Deus pode dar dons aos que ainda não atingiram a ida de da razão - e que Ele pode dar esses dons à parte da sua escolha pessoal. Assim Ele é perfeitamente livre de salvar todos os que morrem sem atingirem a idade da razão e pelas Escrituras torna-se evidente que Ele o faz. Ele sabia de antemão que os pequeninos morreriam e escolheu salvá-los. Que Ele é livre de o fazer é incontestável, visto que "Deus estava em Cristo, reconciliando Consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados" (2 Cor. 5.19).
O baptismo de crianças
Um ponto mais a lembrar: certamente que não há nada na Bíblia - nem mesmo metade dum versículo - que diga que os bebés devam ser baptizados, muito menos que o baptismo na água os pudesse salvar. Marcos 16.15, Actos 2.38 e muitas outras passagens das Escrituras tornam muito claro que a pessoa baptizada tinha que previamente crer e arrepender-se .
É claro que tudo isto era assim enquanto o baptismo estava em vigor, pois quando Deus levantou Paulo, o tal outro apostolo, ele afirma claramente que "Cristo não me enviou a baptizar" e informa-nos que agora "nós fomos baptizados pelo Espírito num só corpo" (l Cor. 1.17; 12.13).
A responsabilidade dos pais
Provérbios 22.6 é um princípio importante para todos os que como pais têm crianças ou jovens como filhos:
"Instrui ao menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele".
Esta razão só por si basta para que desenvolvamos todos os esforços no conhecimento e compreensão da Palavra de Deus bem manejada, pois doutra forma como podemos instruir o menino "no caminho em que deve andar"? Os pais têm a tremenda responsabilidade de fazer com que desde o princípio os seus filhos sejam rodeados de influências, exemplos e instruções que os prepare para que recebam Cristo logo que tenham capacidade dessa escolha.
Para qualquer leitor que tenha experimentado a dor da perca pela morte dum precioso bebé ou menino, o seguinte epitáfio que se encontra num cemitério em Edinborough expressa claramente a verdade das Escrituras e a confiança dos nossos corações:
"OH INFAME INFIDELIDADE
EMPALIDECE E MORRE DE VERDADE!
SOB ESTA PEDRA DE MUDANÇA
JAZ O CORPO DUMA CRIANÇA.
DIZ, TRANSEUNTE DE SAÍDA,
ELA ESTÁ SALVA OU PERDIDA?
SE A MORTE É PELO PECADO, PECOU,
POIS O SEU CORPO AQUI FICOU.
SE O CÉU É PELAS OBRAS CONSEGUIDO
P’RÓ CÉU NÃO PODE TER SEGUIDO.
AH, RAZÃO, DE DEUS SEPARADA,
COMO ÉS DEPRAVADA!
REVERENCIA A BÍBLIA SAGRADA!
EIS A LUZ PARA O TEU BREU:
ELA VIVE PORQUE JESUS MORREU!
- Richard Jordan



