Fé e obras

william_macdonald.jpg     “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” (Tia. 2:14).

     No versículo de hoje Tiago não diz que o homem tem fé. O próprio homem é que diz ter fé, mas se realmente ele tivesse a fé salvadora, também teria obras. A sua fé é meramente matéria de palavras, e essa espécie de fé não pode salvar ninguém. As palavras sem obras são mortas.

     A salvação não acontece pelas obras. Nem pela fé mais obras. Pelo contrário, acontece pela espécie de fé que resulta em boas obras.

     Porque é que então Tiago diz no versículo 24 que o homem é justificado pelas obras? Isso não é uma clara contradição do ensino de Paulo que diz que somos justificados pela fé? De facto não há contradição. Ambas as coisas são verdadeiras. O facto é que há seis diferentes aspectos da justificação no Novo Testamento, como apresentamos a seguir:

     Nós somos justificados por Deus (Rom. 8:33) – é Ele que nos reconhece justos.

     Nós somos justificados pela graça (Rom. 3:24) –Deus dá-nos a justificação como uma oferta gratuita, imerecida.

     Nós somos justificados pela fé (Rom. 5:1) – nós recebemos esta oferta crendo no Senhor Jesus Cristo.

     Nós somos justificados pelo sangue (Rom. 5:9) – o precioso sangue de Cristo foi o preço pago pela nossa justificação.

     Nós somos justificados pelo poder (Rom. 4:25) – o poder que ressuscitou Jesus, nosso Senhor, dos mortos é o poder que torna a nossa justificação possível.

     Nós somos justificados pelas obras (Tia. 2:24) – as boas obras são a evidência exterior para todos de que fomos verdadeiramente justificados.

     Não basta testemunharmos uma experiência de conversão. Temos de o demonstrar pelas boas obras que inevitavelmente se seguem ao novo nascimento.

     A fé é invisível. É uma transacção invisível que ocorre entre a alma e Deus. As pessoas não podem ver a nossa fé. Mas podem ver as boas obras que são o fruto da fé salvadora. Elas têm razão para duvidar da nossa fé enquanto não virem as obras.

     A boa obra de Abraão foi a sua vontade de imolar o seu filho como uma oferta a Deus (Tiago 2:21). A boa obra de Raabe foi ser desleal ao seu país (Tiago 2:25). A razão porque eram "boas" obras foi porque demonstraram fé em Jeová. De outro modo, teriam sido más obras, ou seja, homicídio e traição.

     O corpo separado do espírito está morto. É isso que a morte é - a separação do espírito do corpo. Assim também a fé sem obras é morta. É inerte, impotente e inoperante.

     Um corpo vivo demonstra que um espírito invisível habita no seu interior. Assim, as boas obras são o sinal seguro de que existe fé salvadora, invisível como é, a habitar no interior da pessoa.


William MacDonald
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