A coroa de glória da transfiguração

william_macdonald.jpg     “Moisés não sabia que a pele do seu rosto resplandecia, depois que falara com Ele” (Êx. 34:29).

     Quando Moisés desceu do Monte Sinai com as tábuas de pedra contendo os Dez Mandamentos, havia duas características notáveis. Em primeiro lugar, o seu rosto resplandecia. Ele tinha estado na presença do Senhor, que Se revelou numa nuvem resplandecente de glória resplendorosa conhecida como a Shekinah. O resplendor no rosto de Moisés era um resplendor emprestado. Depois de falar com Deus, o legislador levou consigo algum do esplendor e resplendor da glória. Foi uma experiência transfiguradora.

     A segunda característica notável foi que Moisés não sabia que tinha o rosto resplandecente. Ele estava totalmente inconsciente do cosmético exclusivo que tinha trazido da comunhão com o Senhor. F. B. Meyer comenta que isso era a coroa de glória daquela transfiguração – o facto de Moisés não ter consciência dela.

     Num certo sentido a experiência de Moisés pode ser nossa. Quando passamos tempo na presença do Senhor, isso manifesta-se. Pode realmente manifestar-se nos nossos rostos, pois há uma estreita ligação entre o espiritual e o físico. Porém não destaco o físico, porque alguns seguidores de seitas frequentemente apresentam rostos muito bondosos. O ponto importante é que a comunhão com Deus transfigura uma pessoa moral e espiritualmente. É isso que Paulo ensina em 2 Coríntios 3:18: "Mas todos nós, com cara descoberta, reflectindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor".

     Porém a coroa de glória dessa transfiguração é nós mesmos não estarmos conscientes disso. Outros podem dizê-lo. Eles tomam conhecimento de que temos estado com Jesus. Porém a mudança está oculta aos nossos próprios olhos.

     Como é que estamos felizmente inconscientes da pele do nosso rosto estar a brilhar? A razão é esta: Quanto mais perto estamos do Senhor, mais estamos conscientes da nossa pecaminosidade, da nossa indignidade, da nossa miserabilidade. Na glória da Sua presença, somos levados à repugnância do ego e a profundo arrependimento.

     Se estivéssemos conscientes do nosso próprio resplendor, isso conduziria ao orgulho e o resplendor seria imediatamente substituído por repugnância, pois o orgulho é repugnante.

     Por isso, é uma bendita circunstância o facto daqueles que foram ao monte com o Senhor e que levaram consigo resplendor emprestado não terem consciência da pele do seu rosto resplandecer.   

William MacDonald
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