O perigo dos bens materiais

william_macdonald.jpg     “Guarda-te para que te não esqueças do Senhor teu Deus … [quando] se multiplicar tudo quanto tens” (Deut. 8:11, 13).

     Como regra geral, o povo de Deus não consegue manter o nível espiritual na prosperidade material. Floresce muito melhor com a adversidade. Na sua canção de despedida, Moisés predisse que a prosperidade de Israel arruiná-los-ia espiritualmente: "E, engordando-se Jesurum, deu coices; engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste: e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha de sua salvação"(Dt 32:15).

     A profecia cumpriu-se nos dias de Jeremias, quando o Senhor se queixou, "... depois de Eu os ter fartado, adulteraram, e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos" (Jeremias 5:7).

     Além disso lemos em Oseias 13:6, "Depois eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se o seu coração, por isso se esqueceram de Mim".

     Após retornarem do exílio, os levitas confessaram que Israel não tinha respondido adequadamente a tudo o que o Senhor havia feito por eles: "... e comeram e se fartaram e engordaram, e viveram em delícias, pela Tua grande bondade. Porém se obstinaram, e se revoltaram contra Ti, e lançaram a Tua lei para trás das suas costas, e mataram os Teus profetas, que protestavam contra eles, para que voltassem para Ti; assim fizeram grandes abominações"(Neemias 9:25b, 26).

     Nós tendemos a olhar para a prosperidade material como uma evidência inegável da aprovação do Senhor sobre o que somos e fazemos. Quando os lucros do nosso negócio se elevam, dizemos, "O Senhor está realmente a abençoar-me." Talvez fosse mais correcto olhar para os lucros como um teste. O Senhor está na expectativa vendo o que vamos fazer com eles. Será que vamos gastá-los em auto-indulgência? Ou será que agimos como mordomos fiéis, utilizando-os para enviarmos a boa notícia até aos confins da terra? Será que ajuntamos num esforço de amontoar uma fortuna? Ou vamos investi-los em Cristo e na Sua causa?

     F. B. Meyer disse: "Se fosse feito um debate sobre qual seria o teste mais rigoroso para o carácter, se a luz do sol ou a tempestade, o sucesso ou a privação, o mais astuto observador da natureza humana, provavelmente, responderia que nada mostra com tanta clareza a verdadeira substância de que somos feitos como a prosperidade pois, de todos os testes, este é o mais rigoroso."

     José teria concordado. Ele disse: "… Deus me fez crescer na terra da minha aflição" (Gn 41:52). Ele tirou mais proveito das adversidades do que da prosperidade, embora ele se tivesse comportado aprovadamente em ambas as circunstâncias.   

William MacDonald
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