O sábio e os loucos

william_macdonald.jpg  “O sábio ouvirá ...” (Prov. 1:5, BRP).

     A diferença essencial entre o sábio e o louco no livro de Provérbios é que o homem sábio ouvirá e o tolo não.

     Não se trata do louco não ter capacidade mental. De facto ele pode ter capacidade intelectual rara. Mas simplesmente não se lhe pode dizer nada. Ele trabalha sob a ilusão fatal que o seu conhecimento é infinito e os seus juízos são infalíveis. Se os seus amigos tentam aconselhá-lo, recebem desprezo dos seus esforços. Eles vêem-no tentar escapar do resultado inevitável de actos pecaminosos e estúpidos, mas ele é impotente para evitar o desastre. E assim ele continua de crise em crise. Ora as suas finanças são um desastre. Ora a sua vida pessoal está em frangalhos. Ora o seu negócio titubeia à beira do caos. Porém ele racionaliza dizendo que a vida lhe está a ser madrasta. Nunca lhe ocorre que ele é o seu próprio pior inimigo. Ele é generoso na prestação de conselhos aos outros, não reconhecendo incapacidade pessoal para administrar a sua própria vida. Sendo um palrador compulsivo, fala longamente com a confiança de um oráculo.

     O homem sábio é feito de melhor material. Ele tem consciência que os filamentos mentais de toda a gente têm sido curto-circuitados com a queda. Ele sabe que às vezes os outros podem ver aspectos de um problema que lhe tenha falhado observar. Ele está disposto a reconhecer que a sua memória pode, por vezes, falhar. Ele é dócil, recebendo qualquer contributo que o ajude a tomar decisões correctas. Na verdade, ele solicita o conselho dos outros, porque sabe que “ na multidão de conselheiros há segurança" (Pv 11:14). Como todo mundo, ele às vezes erra. Porém tem aquela virtude salvadora que aprende com os erros e faz com que cada fracasso seja um trampolim para o sucesso. Ele agradece uma merecida repreensão e está disposto a dizer: "Eu errei. Desculpe." As crianças sábias submetem-se à disciplina parental; as loucas rebelam-se. Os jovens sábios obedecem aos preceitos bíblicos sobre pureza moral; os loucos fazem a sua própria vontade. Os adultos sábios julgam tudo por se é agradável ao Senhor; os tolos agem de acordo com o que lhes agrada.

     E é assim que o sábio cresce tornando-se mais sábio, e os loucos se atêm à rotina da sua própria loucura.    

 
William MacDonald
One Day at a Time

 

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