Charles Spurgeon, por Tiago Fonseca
O legado da pregação do envagelho
Hoje já é o último dia do EJC 2014. É impressão minha ou passou demasiado depressa? Mas vamos aproveitar este último dia ao máximo. Como sabem, começámos ontem a estudar o legado na igreja, e hoje continuaremos. Hoje gostaria de falar-vos de um homem que também deixou um grande legado na igreja.
O homem de que falo converteu-se com 15 anos, e com 17 anos foi convidado e assumiu o pastorado de uma igreja. Falo de Charles Spurgeon.
Spurgeon pregou enquanto pastor numa igreja batista em Londres, de 1854 a 1891. O conjunto de todos os seus sermões enchem 63 volumes, equivalentes aos 27 volumes da 9º edição da British Encyclopedia, permanecendo como o maior conjunto de livros escrito pelo mesmo autor, na história do Cristianismo. Spurgeon lia cerca de 6 livros por semana. Leu O Peregrino de John Bunyan mais de 100 vezes.
Era capaz de olhar para uma congregação de 5000 pessoas e lembrar-se do nome de cada uma delas. As suas pregações duravam cerca de 40 minutos, a uma média de 140 palavras por minuto, usando uma pequena folha de papel que ele preparava na véspera. Mais de 25 mil cópias dos seus sermões eram vendidas todas as semanas, em cerca de 20 idiomas. Cada semana havia alguém que entregava a sua vida a Cristo por meio dos seus sermões escritos. Fundou um orfanato, editou uma revista, produziu mais de 140 livros, respondia a 500 cartas por semana e chegava a pregar 10 vezes por semana. Apesar de fazer tudo isto, Spurgeon era um homem doente. Morreu em 1892, com 57 anos. Mas qual foi o resultado de tudo isto?
Spurgeon deixou um legado. Um legado na Igreja. Ainda hoje os seus sermões inspiram a vida de crentes por todo o mundo. A sua vida serve de exemplo e encorajamento a muitos.
Gostaria de terminar com um texto acerca de Spurgeon, escrito por um escritor de nome Walter Thornbury: Uma congregação composta por 10.000 almas, enchendo o hall, apinhando as galerias e sussurrando – uma poderosa colmeia de abelhas – esfomeadas por conseguir em primeiro lugar os melhores lugares, e por fim, qualquer lugar que exista disponível. Depois de esperarem mais de meia hora – porque se desejam conseguir um lugar, têm de chegar bem antes da hora – Spurgeon sobe à sua tribuna. Aos sussurros, pressa e ansiedade dos homens, sucede um baixo e concentrado murmúrio de devoção, que parece ocorrer todo ao mesmo tempo, como que uma corrente elétrica que atravessa os peitos de cada pessoa presente, e através desta corrente magnética o pregador mantêm-nos cativos durante duas horas. Não é meu propósito fazer um resumo do seu discurso. É suficiente falar da sua voz, que o seu poder e volume é suficiente para alcançar qualquer pessoa na vasta assembleia; que a sua linguagem não é nem demasiado cuidada, nem demasiada corriqueira; o seu estilo, que por vezes é familiar, por vezes declamatório, mas sempre feliz, e de vez e, quando eloquente; a sua doutrina, que nem a Calvinista, nem a Baptista aparecem na frente da batalha travada por Spurgeon, com a sua implacável animosidade e com as armas do Evangelho, contra a irreligião, a hipocrisia, e aqueles secretos pecados em que tão facilmente os homens caem no dia-a-dia; e para resumir tudo a uma só palavra, é suficiente dizer que, sobre o próprio Spurgeon, ele impressiona com uma perfeita convicção da sua sinceridade.
O que proponho que penses hoje é: será que a idade ou as dificuldades que poderemos ter serão um impeditivo a trabalharmos para a obra de Deus? Será que eu sou impedido de deixar um bom legado por ser um jovem? Mesmo sendo jovem, não posso simplesmente pregar o evangelho com a energia e a convicção de Spurgeon? Não posso já em jovem começar a preparar o meu legado?
Tiago Fonseca
Legado - EJC 2014



