George Washington Carver, por Tiago Fonseca
O homem que mostrou que era possível conciliar fé e ciência
Gostaria de perguntar-vos uma coisa: alguém sabe qual é a indústria que produz, em média, receitas na ordem dos 2 biliões de dólares, e que nos últimos cinco anos teve um crescimento anual de cerca de 8%? E se eu vos dissesse que é uma indústria baseada numa semente? Alguém quer tentar decifrar? E se eu dissesse que se trata da indústria da manteiga da dita semente? Talvez agora já consigam acertar. Trata-se da indústria da manteiga de amendoim. Sim, o amendoim é uma semente, que se encontra na raiz de uma planta com o mesmo nome.
E agora vocês perguntam porque é que a manteiga de amendoim é chamada para aqui? O que é que vos interessa saber que a indústria de amendoim origina lucros anuais na ordem dos 2 biliões de dólares? Nada. Não interessa para nada. Só o facto de que se trata de um legado. Sim, um legado. É melhor esclarecer um pouco o que é ao certo um legado. Um legado é, segundo a definição do dicionário da língua portuguesa, algo que é transmitido a outrem que vem a seguir. E portanto, posso afirmar com toda a certeza que a manteiga de amendoim é um legado. Feita pela primeira vez no século 15, pelos aztecas, e mais tarde patenteada em 1884, por Marcellus Gilmore Edson, a sua forma atual, composição e textura devem-se a um homem de nome George Washington Carver. Apesar de não ter sido o criador da manteiga de amendoim, como comumente se acredita, ele aperfeiçoou-a e fez com que ela chegasse até nós nos dias de hoje. Além da manteiga de amendoim, Carver criou cerca de trezentos usos para o amendoim, alguns deles medicinais. Criou igualmente numerosos usos para o grão de soja, batata-doce e nozes pecã. Infelizmente, Carver não mantinha um diário de laboratório, e portanto a maior parte das fórmulas para estes produtos perderam-se.
Este homem deixou um legado. Ainda que seja material, este homem deixou um legado. Deixou um dos produtos de preferência das famílias norte-americanas, e também de outros países. Deixou uma indústria que rende biliões. Uma indústria que dá emprego a cerca de 3000 pessoas nos Estados Unidos. Podemos considerar que este homem deixou um bom legado, certo? Mas não faria sentido estarmos num acampamento bíblico, e falarmos de alguém do mundo, pois não? Não faria sentido eu falar de alguém que não partilhava da nossa fé, pois não? Eu escolhi falar-vos deste homem pelo facto de além de ter deixado um legado material, ele deixou um legado espiritual. Ele marcou o mundo pelos seus produtos, mas também marcou pela sua fé.

George Washington Carver nasceu escravo. Aos 10 anos de idade converteu-se a Jesus Cristo. Ninguém achava que ela passaria dos vinte anos de idade, devido à sua frágil saúde. No entanto passou dos vinte, e passou-os bem! Morreu com 78 anos. Foi dos primeiros homens a defender que é possível conciliar fé com ciência. Por diversas vezes, Carver testificou que a sua fé em Jesus Cristo era o único mecanismo pelo qual ele poderia continuar as suas pesquisas e exercer a arte da ciência.
Em 1906, George Washington Carver começou a dirigir uma aula de Estudo Bíblico, aos domingos, a pedido de vários alunos dele (da faculdade onde lecionava). Carver preocupa-se com o desenvolvimento do caráter dos seus alunos, tanto como o desenvolvimento espiritual e intelectual. E para os ajudar na formação do seu carácter ele criou uma lista de oito virtudes indispensáveis, sendo elas:
• Sê limpo, tanto por dentro como por fora
• Nunca olhes para o rico como sendo superior, nem para o pobre como sendo inferior
• Perde, se for necessário, sem conflituares
• Vence sem te vangloriares
• Considera sempre as mulheres, crianças e os mais idosos
• Sê demasiado corajoso para teres de mentir
• Sê demasiado generoso para teres de enganar
• Tira a tua parte do mundo e deixa os outros tirarem a deles
O impacto da fé deste homem e do seu contributo para o mundo fez com que ainda hoje seja lembrado. O seu legado espiritual é tal que numerosos livros cristãos falam dele. Livros como Escravo dos Homens, O Cientista de Deus, ou ainda na série de livros intitulada Heróis da Fé.
George Washington Carver viveu a sua vida para Deus. E disso resultou num legado que tanto o mundo como os crentes beneficiaram dele.
A questão que te coloco hoje para que reflitas é: qual é a minha marca no mundo? Será que a marca que deixo no mundo é uma marca que tem por base a minha fé? Ou é uma marca que é igual a qualquer outra mundana, e que ninguém saberá distinguir-me de um descrente?
Gostaria de acabar com uma frase que alguém escreveu à cerca deste homem, aquando a sua morte:
“Ele poderia ter adicionado fortuna à fama, mas não querendo saber de nenhuma delas, ele encontrou felicidade e honra ao ser prestativo para o mundo”
Haverá forma de sermos mais prestáveis para o mundo, e de deixarmos um legado, do que espalharmos a nossa fé?
Tiago Fonseca
Legado - EJC 2014



